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• Televisão: The Pacific, a minissérieNegócios na internet...e lar das sacoleiras virtuaisComo um grupo crescente de jovens usa o
Orkut para revender
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Os brasileiros estão descortinando uma aplicação original, e já rentável, para as redes sociais na internet: nelas, começa a florescer um circuito de bazares que vendem, a preço de liquidação, roupas de grifes jovens que já se esgotaram nas lojas. Só no Orkut, nada menos que 1 500 perfis foram criados, nos últimos seis meses, com o único propósito de comercializar tais peças. O grupo ganhou até apelido: são as sacoleiras da rede - gente que, em geral, não passa dos 30, já almejava abrir uma butique e é dada a comunidades virtuais. Para essas pessoas, as redes sociais não constituem apenas uma vitrine: também ajudam a entender quais são os objetos de desejo do momento. As sacoleiras se aproveitam do fato de que muitas marcas têm como praxe divulgar fotos da nova coleção antes do lançamento - material que submetem ao crivo da clientela potencial, reunida em torno daquelas comunidades cujo assunto número 1 (e 2) é moda. Em dia de estreia de coleção, quando madrugam em frente às lojas com disposição para arrematar roupas às dezenas, as sacoleiras virtuais já sabem exatamente em quais araras mirar. Resume a advogada mineira Naiara Boa-ventura, 29 anos, que há seis meses não faz outra coisa senão vender roupas na rede: "É um negócio de risco baixo, margens elevadas e que só cresce".
Leo Drumond/Nitro![]() |
| Margens altas, risco baixo A mineira Naiara Boaventura: a advogada virou sacoleira |
As marcas mais cobiçadas nesse segmento, como Farm, Espaço
Fashion, Forum e Melissa, são aquelas que, em alguma medida, importaram
para o seu mercado um conceito que se originou no nicho do alto luxo: o da tiragem
limitada. Explica a inglesa Lorna Hall, especialista em varejo: "A ideia
de que logo não haverá mais certa peça de roupa ou acessório
à venda faz com que as pessoas, com medo de perder uma oportunidade,
acabem comprando por impulso". A ansiedade é maior para quem não
tem tempo de ir às compras ou vive numa cidade que não dispõe
das lojas mais requisitadas. "Vendo até esmalte de unha com as cores
da moda que logo desaparecem do mercado", diz a psicóloga carioca
Vivian Elosta, 29 anos. Uma das primeiras a desbravar esse nicho, em 2008, a
artista plástica mineira Camila Gomes, 29 anos ("Sacoleira, não
- personal shopper"), conta com clientes de quem recebe encomendas:
"Abasteço o guarda-roupa de muita gente de pequenas e médias
cidades brasileiras. Quando a roupa chega lá, é uma festa".
As sacoleiras vão, em certo grau, se profissionalizando.
Elas próprias organizaram uma espécie de Serviço de Proteção
ao Crédito (SPC), em que figuram os vendedores e compradores caloteiros.
A mercadoria segue sempre pelo correio. Num mês bom, dá para tirar
até 20.000 reais. A margem de lucro das
sacoleiras gira em torno dos 20%, mas, dependendo da cobiça despertada
por um acessório, pode subir para 60%. Quanto mais difícil de
encontrar no mercado, mais valiosa será a peça. Os anúncios
que as donas dos bazares enviam às frequentadoras de comunidades de moda
tentam justamente enfatizar o conceito de exclusividade. Diz um deles: "Meninas,
atenção: tenho raridades".
Brunet Arnaud/Gamma![]() |
| Em busca de exclusividade O conceito da edição limitada originou-se no alto luxo |
Se os bazares, que se iniciaram com vendas ocasionais de roupas
usadas, já ganham um caráter de atividade comercial permanente,
deveriam ser registrados e recolher impostos, coisa que ainda não fazem.
Explica a advogada Patricia Peck, especialista em direito digital: "Quando
a renda proveniente do negócio passa a ser constante, é preciso
formalizá-lo". Algumas das lojas que mais atraem as sacoleiras já
cogitaram até processá-las, mas voltaram atrás. "Concluí
que o boca a boca da internet é um marketing eficiente e barato para
nós", diz Marcello Bastos, um dos donos da Farm, que figura entre
as marcas mais vendidas no circuito dos bazares virtuais. A única medida
tomada por ele na tentativa de inibir um pouco a ação das sacoleiras
foi restringir a venda de certos itens a não mais que uma ou duas unidades.
As redes sociais também têm provido informação valiosa
à sua loja e a outras marcas, um banco de dados do qual ninguém
mais quer prescindir. "Tomamos a decisão de relançar uma
sandália, assinada por um designer, só porque soubemos que estava
todo mundo louco atrás dela na rede", diz Raquel Scherer, à
frente da área de marketing da Melissa. Nesse episódio, as sacoleiras
da rede, que tinham estoque da mercadoria em casa, fizeram a festa: um par de
70 reais estava saindo, pasme-se, por nada menos que 450 reais.
Ernani D'Almeida![]() |
| De esmaltes a sandálias A carioca Vivian Elosta: vendas a jato |