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Google não consegue furar a muralha da censura comunista
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Montagem
sobre foto de Dave Bartruff/Corbis/Latinstock![]() |
Quando
abriu um escritório em Pequim, há quatro anos, o Google se curvou
aos ditames do capitalismo vermelho e aceitou se autocensurar. Temas banidos pelo
Partido Comunista Chinês, o PCC, não poderiam aparecer quando alguém
fizesse uma busca no site www.google.cn. O índex inclui, por exemplo, o
massacre da Praça da Paz Celestial, em 1989, e a campanha pela independência
do Tibete. Aquiescer à ditadura foi o pedágio pago pela empresa
americana para ingressar no maior mercado mundial da internet, com 400 milhões
de pessoas conectadas. Na semana passada, o Google anunciou que fechará
as portas em Pequim, num reconhecimento de que não conseguiu dobrar o regime
chinês, como imaginara. É a primeira grande empresa estrangeira a
tomar tal iniciativa. A decisão ocorre dois meses depois de hackers
supostamente a trabalho do governo comunista terem invadido contas do Gmail,
o e-mail do Google, pertencentes a ativistas pró-democracia. Agora, quem
tenta entrar na versão chinesa do site é redirecionado para o Google
de Hong Kong, ex-colônia britânica que, mesmo depois de ter sido devolvida
à China, em 1997, ainda preserva valores como a liberdade de expressão.
Em meio à tormenta da crise mundial, a China tornou-se a boia de salvação para diversas empresas internacionais, que preferem jogar pelas regras comunistas a abrir mão do mercado que mais cresce no planeta. Mas agruras de uma companhia estrangeira ao lidar com o PCC não são novidade. Na semana passada, quatro executivos da mineradora anglo-australiana Rio Tinto foram submetidos a um julgamento pouco transparente sob a acusação de aceitar propina e de roubar segredos comerciais. Recentemente, a Apple teve de trocar seu sistema padrão do iPhone para internet sem fio, o wi-fi, pelo equivalente Wapi, compatível com a segurança nacional. Além disso, sites como YouTube, Facebook e Twitter são totalmente bloqueados. A autocensura do Google pode ter caído, mas a censura vermelha segue implacável.
Spencer Platt/Getty Images![]() |
SEM VOZ Sergey Brin, cofundador do Google: frustraçã na tentativa de suprimir a censura |