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• GenteArtes e Espetáculos
• Televisão: The Pacific, a minissérieMúsicaA canção que mudou as cançõesEm um livro apaixonado, o crítico Greil Marcus mostra como Like a Rolling Stone, de Bob Dylan, revolucionou a música pop e estabeleceu para ela um novo padrão sonoro e literário
Os 55 anos de existência do rock são marcados por momentos emblemáticos. As primeiras gravações de Elvis Presley, em meados da década de 50, anunciaram a chegada do rocknroll e definiram um padrão de comportamento para a juventude. A aparição dos Beatles no Eddie Sullivan Show, em 1964, mostrou uma nova maneira de fazer música pop e levou bandas inglesas como The Who e Rolling Stones a desembarcar nos Estados Unidos em busca de sucesso. Já Like a Rolling Stone, canção que Bob Dylan lançou em 20 de julho de 1965, transformou a poética do rock. A partir dela, o gênero se libertaria de temas como carros e garotas para mergulhar não só em assuntos sociais e políticos, mas na introspecção: o que dizer, e como dizê-lo, viraria a razão de ser do rock e a sua bandeira revolucionária. O objetivo do crítico Greil Marcus em Like a Rolling Stone Bob Dylan na Encruzilhada (Companhia das Letras; tradução de Celso Mauro Paciornik; 256 páginas; 42 reais) é mostrar a gênese dessa canção e provar que ela, sozinha, mudou a cultura pop em todo o mundo. Marcus está à altura do que se propõe: ele é não apenas referência obrigatória na crítica musical, como também um especialista em Bob Dylan. Like a Rolling Stone revolucionou a maneira de divulgar uma canção no rádio. As músicas, então, podiam durar no máximo três minutos; ela tem o dobro. A CBS (atual Sony Music) pediu que Dylan a cortasse. Ele se recusou, e a faixa foi dividida em duas partes. "Foi assim que conheci a canção. Passei uma hora escutando a primeira parte até conseguir pular para a segunda", disse Marcus a VEJA. O público rejeitou o artifício e exigiu que Like a Rolling Stone fosse tocada na íntegra pelas rádios, formato em que ela chegou ao segundo lugar na parada e se tornou o maior sucesso de Dylan até então. A letra de Like a Rolling Stone é uma das mais brilhantes da carreira de Dylan. Para contar a história de uma esnobe da alta sociedade que vira indigente, ele emprega metáforas e se vale de uma estrutura narrativa então inédita nas letras de rock tanto que a canção o colocou não apenas no cânone musical, como no literário. "Trata-se de uma composição capaz de viver no papel, sem a música", diz Marcus. Seu lançamento fez com que os principais compositores do período alterassem seus métodos, não raro com algum desespero como no caso de Gerry Goffin, um dos mentores do Brill Building, espécie de quartel-general dos principais hitmakers do período. A protagonista da canção também é motivo de debate. Há quem ache que se trata de um decalque de Edie Sedgwick, socialite que era amiga de Andy Warhol e por quem Dylan se apaixonou e há quem teorize que o cantor está falando de si próprio, metaforicamente. Greil Marcus, entretanto, aposta em outra tese. Para ele, o segredo está nas três palavras iniciais "Era uma vez". Ou seja, tudo não passa de história e invenção. É um bom mote: com Like a Rolling Stone, Dylan reinventou a música pop. E a história dela nunca mais foi a mesma. |