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Home  »  Revistas  »  Edição 2158 / 31 de março de 2010


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Vida brasileira

O baiano que segura o rebolado

Aos 21 anos, Léo Santana faz todo mundo botar a mão na cabeça
e sacolejar, até uma certa candidata. De rebolation em rebolation,
já tem carrão, brincão, relojão e ambição de conquistar mais ainda


Juliana Linhares

Lailson Santos
BANHO NA CONCORRÊNCIA
O Rebolation em pessoa, e que pessoa: 1,98 metro, 107 quilos, frenesi pélvico e bíceps em ponto de explosão


Na loucura que virou sua vida desde o Carnaval, quando desencadeou um surto nacional de quadris sacolejantes ao som de Rebolation, o cantor Léo Santana nem liga mais para a boataria que ronda sua figura. Ir a rádios do Nordeste para desmentir a própria morte é coisa pouca. Outro boato, mais elaborado, espalha que, por força de aditivos musculatórios, seus bíceps explodiram, literalmente. "Já estou acostumado. É o preço que se paga quando se explode no mundo inteiro", diz Santana, com a modéstia própria de um garoto de 21 anos que, de um dia para o outro, virou atração de todos os programas, personagem de todas as paródias e fonte de emulação em todas as festas. Frente a frente com o próprio, que mede 1,98 metro e pesa 107 quilos, é difícil decidir para onde olhar primeiro - se para o muque monumental, os brincos de brilhante e ouro rosa, as unhas feitas e pintadas, o corpo torneado como um Davi reencarnado em versão baiana e todinho depilado, ou, por fim, a cara de moleque, carimbada com um aparelho dentário. Agora, tudo isso junto, e rebolando como se a salvação da humanidade dependesse do frenesi pélvico, é de cair o queixo, prender a respiração e, como fazem tantas (e tantos) de seus fãs, virar os olhinhos e suspirar "affff Maria".

Desde que Rebolation estourou no Carnaval - por dia, ele cantava o incontornável "Põe a mão na cabeça que vai começar..." até quarenta vezes -, a música já criou filhotes impagáveis. Humoristas nordestinos lançaram no YouTube a paródia Roubolation, que fala de "enganation" e "prometation" entremeada de imagens de José Roberto Arruda et caterva. A presidenciável Dilma Rousseff, a pedidos de um programa humorístico, pôs, sim, a mão na cabeça. O jogador Neymar, do Santos, comemorou um gol rebolando; de vingança, o colombiano Armero, do Palmeiras, dançou em campo sua própria versão piorada, o "armeration". A cada nova invenção, Léo Santana fica mais popular e aumenta o faturamento. Recentemente, comprou um carrão Captiva de 90.000 reais branco ("Tudo meu é branco. Eu me sinto maior com essa cor") e com vidro fumê ("Senão, a mulherada ataca"), um apartamento para os pais no centro de Salvador, outro para si, onde mora sozinho, e iniciou uma coleção de relógios, tudo de ouro. É muito? "É pouco. Quero trabalhar mais cinco anos e depois virar empresário de bandas da Bahia", planeja. Enquanto isso não acontece, faz a ronda dos programas de TV e rebola enlouquecidamente no palco quase todas as noites. Recentemente, voltou de três apresentações na Itália com a mala cheia de ternos Armani e de seu perfume preferido, o 1 Million de Paco Rabanne, que imita uma barra de ouro. Prepara-se agora para a conquista da América, com uma turnê nos Estados Unidos, em agosto. O Rebolation dura até lá? "Eu não aguento mais, mas vai ter de durar", diz Léo, que contratou uma massoterapeuta para acalmar as dores - "Ela massageia meu rosto, minha garganta e meu abdômen" - e uma nutricionista para domar o apetite. Este compatível com a idade, o tamanho e a intensidade do desgaste físico do rapagão, capaz de misturar num mesmo prato estrogonofe, feijão, lagosta, arroz, ostra, filé-mignon e salmão e encerrar tudo com dois petits gâteaux.

Nascido Leandro Silva de Santana, no bairro Boa Vista do Lobato, subúrbio de Salvador, conta que aos 14 anos cortava cabelos nos fundos de casa para ajudar o pai, vigilante aposentado por causa de um diabetes grave, e a mãe, que presta serviços gerais a uma empresa. Aos 15, ganhou dela um cavaquinho e tocou na percussão de dois conjuntos baianos até virar vocalista do Parangolé, sua atual banda. "O sucesso de Léo vem de uma conjunção de fatores. Ele é lindo e dança que é uma loucura. Além disso, todo ano Salvador lança uma música no Carnaval que vira sucesso no país todo. A dele, com esse refrão fácil, ganhou, claro", diz uma de suas madrinhas, Daniela Mercury. "Desde Claudia Leitte, que agora só fala em Jesus Cristo, que a Bahia não lançava um símbolo sexual. Léo veio ocupar esse posto", catuca o crítico musical baiano Hagamenon Brito, inventor da expressão axé music. Sua influência explícita é Xand-dy ("Não tenho problema nenhum em dizer que me espelho muito nele"), vocalista fortão e rebolativo do Harmonia do Samba que, no entanto, nunca apareceu muito fora da Bahia. Xanddy é marido de Carla Perez, a musa loira do estrondoso sucesso É o Tchan, pioneiro dos modismos rebolativos que de repente hipnotizam o país inteiro. O furor provocado por Léo Santana é comparável ao do conjunto há muito extinto. No gargarejo das apresentações, as peças de roupa suadas e arrancadas do corpo que ele joga para a plateia são disputadas a tapa por muitas mocinhas e muitos, muitos mocinhos alucinados. E ele, afinal, é da turma do acarajé ou do vatapá? "Rapaz, que brincadeira é essa? Eu sou doido por mulher. Quero pegar a humanidade." Continue por esse caminho, rapaz.

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