Edição 1847 . 31 de março de 2004

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CINEMA


Play Arte Pictures
Caine, Osment e Duvall, em Lições para Toda Vida: encontro de gerações

Lições para Toda Vida (Secondhand Lions, EUA, 2003. Estréia em circuito nacional nesta sexta-feira) – Haley Joel Osment cresceu. O garotinho que via fantasmas em O Sexto Sentido ganhou voz de taquara rachada e chega à adolescência estrelando essa comédia dramática, ambientada no início dos anos 60. Osment interpreta um rapazote tímido, que a mãe destrambelhada abandona na fazenda de seus tios-avôs durante as férias de verão. Os irmãos matutos, vividos por Michael Caine e Robert Duvall, recebem vendedores ambulantes a tiros de espingarda e vivem das lembranças da juventude. Artigo raro em Hollywood: um delicado filme familiar em que os protagonistas têm menos de 15 e mais de 70 anos. Diretor e roteirista, Tim McCanlies promove esse encontro de gerações, e doma o sentimentalismo com rédeas curtas.
Assista ao trailer

 

LIVROS

Como Fazer Inimigos e Alienar Pessoas, de Toby Young (tradução de Myriam Campello; Record; 366 páginas; 38,90 reais) – Antes de escrever esse livro, o jornalista inglês Toby Young fez de tudo para ter acesso ao mundo das celebridades. Sua chance de ouro deu-se em 1995, quando ele foi contratado pela glamourosa revista americana Vanity Fair. Infelizmente, Young meteu os pés pelas mãos e acabou demitido antes de ver as portas dos espaços vip se abrirem para ele. Restou-lhe da experiência uma visão implacável do universo dos famosos e aspirantes à fama. Atento para o ridículo nos outros e em si próprio, Young dedicou-se então a destilar suas memórias. Graças a Como Fazer Inimigos e Alienar Pessoas, tornou-se ele mesmo uma celebridade.
Leia trechos do livro.


Fabrizia Granatieri
Silviano Santiago: da crítica à ficção

O Falso Mentiroso: Memórias, de Silviano Santiago (Editora Rocco; 222 páginas; 27 reais) – Um dos críticos literários mais respeitados do Brasil, o mineiro Silviano Santiago também é autor de romances de categoria. O Falso Mentiroso oferece ao leitor uma história em que nada é o que aparenta ser. Acompanha-se a vida de Samuel, um artista plástico na casa dos 60 anos, morador do Rio de Janeiro, especialista em copiar a obra do pintor brasileiro Oswaldo Goeldi (1895-1961), e narrador muito pouco confiável de sua própria biografia. Elementos bizarros dão sabor ao enredo. Samuel, por exemplo, seria filho adotivo de um fabricante de camisas-de-vênus e de sua mulher estéril. A sexualidade na segunda metade do século XX é um dos temas centrais do romance.

 

DVDs

Pandora Filmes
A Regra do Jogo: comédia amarga


A Regra do Jogo
(La Règle du Jeu,
França, 1939. Versátil) – Um fracasso retumbante na época de seu lançamento, A Regra do Jogo passou a ser visto mais tarde como a grande obra do cineasta francês Jean Renoir (1894-1979). O filme é uma comédia amarga sobre a divisão de classes na França. Conta a história de um piloto de avião (Roland Tutain) que é levado pelo seu melhor amigo (o próprio Renoir) a uma festa de arromba numa casa de campo. Ali, ele se defronta com aristocratas que tratam seus serviçais sem um pingo de humanidade. Um assassinato ajuda a apimentar ainda mais a história. Em 2001, o cineasta americano Robert Altman inspirou-se na trama para criar Assassinato em Gosford Park.

Rosa de Esperança (Mrs. Miniver, Estados Unidos, 1942. Warner) – Uma família de classe média inglesa vê sua vidinha ruir com a II Guerra Mundial e os sobrevôos dos bombardeiros alemães sobre seu vilarejo. A idéia, simples, rende ao máximo com a direção competente de William Wyler e o elenco tarimbado – com destaque para Walter Pidgeon, Dame May Whitty, como a ranzinza aristocrata local, e Greer Garson, que faz a Mrs. Miniver do título original. É um exemplar típico, e bem acima da média, dos filmes de "esforço de guerra", destinados a mobilizar a opinião pública em favor da participação no conflito e elevar seu moral. Foi muito eficaz, também: nas palavras do primeiro-ministro inglês Winston Churchill, o filme fez mais pelos aliados do que toda uma frota de destróieres.

 

DISCOS


Teenage Fanclub: a segunda melhor

Words of Wisdom and Hope, Teenage Fanclub & Jad Fair (Slag) – O disco resulta do encontro de duas culturas distintas. De um lado, o Teenage Fanclub, que se especializou em emular sonoridades psicodélicas da década de 60. O refinamento melódico do grupo escocês tem entre seus fãs o guitarrista Noel Gallagher, do Oasis – que apontou o Teenage Fanclub como a segunda melhor banda do mundo, atrás apenas... do Oasis. Jad Fair, por seu turno, é veterano da cena punk americana e orgulhoso de sua parca habilidade na guitarra. Ele costuma dizer que cria suas melodias "por acidente". Nesse caso, sua contribuição se limita às letras sobre amores fracassados – entre as quais a de Crush on You, a melhor música do disco.

Collideoscope, Living Colour (Century Media) – Formado em 1984 por quatro excelentes instrumentistas, o Living Colour destacou-se pela ausência de preconceitos musicais. Botava para quebrar em diversos gêneros – do rock ao funk, do heavy metal ao reggae. Em 1995, o quarteto suspendeu suas atividades e os integrantes partiram para aventuras diferentes. Agora eles estão de volta com Collideoscope. O disco – cuja turnê de divulgação passa por quatro cidades brasileiras no mês que vem – sacramenta a posição do Living Colour como um conjunto excepcionalmente criativo. Destacam-se a homenagem às vítimas do 11 de Setembro (Flying) e as releituras ousadas de Back in Black, do quinteto de hard rock AC/DC, e Tomorrow Never Knows,dos Beatles.

 



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