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Arte
Novidade
no museu
Obra
do flamengo Van Dornicke é a doação
mais
importante ao Masp desde os anos 50

Carlos
Graieb
Luiz Hossaka
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| A
Crucificação de Cristo: tríptico cobre
uma lacuna no acervo do Museu de Arte de São Paulo |
Nos
anos 50, o paraibano Assis Chateaubriand usou todo o peso do império
de comunicações que controlava para convencer a classe
alta brasileira (ou até coagi-la, como diziam alguns) a se
engajar na formação do Masp, o Museu de Arte de São
Paulo. O empenho rendeu frutos e, em pouco tempo, criou-se o principal
conjunto de obras antigas e modernas do país. Encerradas
as campanhas de Chatô, contudo, o ritmo e a relevância
das doações diminuíram. Houve muitos acréscimos
importantes ao acervo do museu ao longo dos anos , mas nada
que se comparasse àquele período áureo. Até
agora. O Masp acaba de receber uma doação extraordinária:
o tríptico A Crucificação de Cristo,
do pintor flamengo Jan van Dornicke, que data do começo do
século XVI. Ele foi adquirido por cerca de 1 milhão
de dólares num leilão da galeria inglesa Colnaghi,
por um empresário brasileiro que decidiu manter-se no anonimato.
"É difícil exagerar a importância desse acontecimento",
diz o historiador da arte e curador Luiz Marques. "O tríptico
é um exemplo maravilhoso da pintura do Renascimento flamengo,
período artístico crucial, mas pouco representado
na coleção do Masp. Além disso, ele está
em perfeito estado de conservação."
Não
foi fácil trazer a pintura de Van Dornicke para o Brasil.
Um dos motivos por que os museus brasileiros não recebem
mais doações de arte estrangeira está na legislação,
que não facilita as coisas. Para suprimir a carga de impostos
decorrente da transação com o tríptico, a diretoria
do Masp embarcou numa negociação extensa, que culminou
num encontro do Conselho Nacional de Política Fazendária.
"Conseguimos que todos os Estados da federação concordassem
em isentar a obra do pagamento de ICMS", conta o presidente do Masp,
Julio Neves. A Crucificação de Cristo deve
ser exibida ao público pela primeira vez no dia 12 de abril,
numa mostra que reunirá as principais peças do Renascimento
nórdico pertencentes ao acervo do museu. Ao lado da pintura
de Van Dornicke, cujas três partes representam a subida de
Cristo ao calvário, sua crucificação e sua
deposição no sepulcro, estarão quadros de Hans
Memling e Hieronymus Bosch, além de gravuras de mestres como
Dürer e Van Leyden que também chegaram ao Masp
numa doação recente.
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