Edição 1847 . 31 de março de 2004

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Arte
Novidade no museu

Obra do flamengo Van Dornicke é a doação
mais importante ao Masp desde os anos 50


Carlos Graieb


Luiz Hossaka
A Crucificação de Cristo: tríptico cobre uma lacuna no acervo do Museu de Arte de São Paulo

Nos anos 50, o paraibano Assis Chateaubriand usou todo o peso do império de comunicações que controlava para convencer a classe alta brasileira (ou até coagi-la, como diziam alguns) a se engajar na formação do Masp, o Museu de Arte de São Paulo. O empenho rendeu frutos e, em pouco tempo, criou-se o principal conjunto de obras antigas e modernas do país. Encerradas as campanhas de Chatô, contudo, o ritmo e a relevância das doações diminuíram. Houve muitos acréscimos importantes ao acervo do museu ao longo dos anos –, mas nada que se comparasse àquele período áureo. Até agora. O Masp acaba de receber uma doação extraordinária: o tríptico A Crucificação de Cristo, do pintor flamengo Jan van Dornicke, que data do começo do século XVI. Ele foi adquirido por cerca de 1 milhão de dólares num leilão da galeria inglesa Colnaghi, por um empresário brasileiro que decidiu manter-se no anonimato. "É difícil exagerar a importância desse acontecimento", diz o historiador da arte e curador Luiz Marques. "O tríptico é um exemplo maravilhoso da pintura do Renascimento flamengo, período artístico crucial, mas pouco representado na coleção do Masp. Além disso, ele está em perfeito estado de conservação."

Não foi fácil trazer a pintura de Van Dornicke para o Brasil. Um dos motivos por que os museus brasileiros não recebem mais doações de arte estrangeira está na legislação, que não facilita as coisas. Para suprimir a carga de impostos decorrente da transação com o tríptico, a diretoria do Masp embarcou numa negociação extensa, que culminou num encontro do Conselho Nacional de Política Fazendária. "Conseguimos que todos os Estados da federação concordassem em isentar a obra do pagamento de ICMS", conta o presidente do Masp, Julio Neves. A Crucificação de Cristo deve ser exibida ao público pela primeira vez no dia 12 de abril, numa mostra que reunirá as principais peças do Renascimento nórdico pertencentes ao acervo do museu. Ao lado da pintura de Van Dornicke, cujas três partes representam a subida de Cristo ao calvário, sua crucificação e sua deposição no sepulcro, estarão quadros de Hans Memling e Hieronymus Bosch, além de gravuras de mestres como Dürer e Van Leyden – que também chegaram ao Masp numa doação recente.

 
 
 
 
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