Edição 1847 . 31 de março de 2004

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Música
O chato é ser gostoso

Oswaldo Montenegro irrita a crítica, mas
seduz muitas mulheres com seu jeito sensível


Sérgio Martins


Selmy Yassuda
Oswaldo Montenegro irrita a crítica, mas seduz muitas mulheres com seu jeito sensível

Para ouvir: músicas de Oswaldo Montenegro

Já faz tempo que Oswaldo Montenegro ostenta o título de cantor mais chato da música brasileira. As pessoas implicam com seu falsete, com suas letras românticas, até mesmo com seu visual. Sua barba e seus cabelos brancos fazem com que ele pareça Gandalf, o mago da série O Senhor dos Anéis, depois de uma sessão de corte e escova no cabeleireiro. Estudioso de mitologia, o cantor fica feliz de projetar essa imagem – algo assim entre o bruxo e o trovador medieval. "Eu quero que vocês se imaginem no século XII, chegando a um castelo", ordenou aos integrantes de sua banda num ensaio recente, presenciado por VEJA. Está mais do que na hora, contudo, de reconhecer um fato: Oswaldo Montenegro pode até ser chato, mas não tem nada de bobo. Desde que lançou seu primeiro disco, 25 anos atrás, ele vive muito bem da música. Faz cerca de dez shows por mês, marca que raros artistas conseguem manter hoje em dia. Seu novo espetáculo estréia nesta sexta-feira, em São Paulo. Os discos de Montenegro, se não chegam a ser estouros de vendagem, também não encalham nas lojas. Ele tem um bonito apartamento no Leblon, na Zona Sul do Rio de Janeiro, e um padrão de vida confortável. Além disso, aprendeu como poucos uma lição: nada como uma cantoria para conquistar mulheres.


Gianne C/Rede Globo/divulgação
Paloma Duarte: "Ele é íntegro, honesto, apaixonado"


Oswaldo Montenegro, de 48 anos, é um dom-juan inveterado. Aonde quer que vá, acaba reunindo ao seu redor um grupo de moçoilas embevecidas. Seu irmão, Deto Montenegro, entrega algumas de suas táticas. "Oswaldo é um cavalheiro. Escreve cartas de amor como ninguém, além de cantar, é claro." Deto é produtor teatral, já fez espetáculos com o irmão e diz que as colegas de trabalho sempre acabam encantadas com ele. O primeiro casamento de Oswaldo Montenegro, com a instrumentista Madalena Ribeiro Salles, nasceu assim, no palco. Madá, além de ser tecladista da banda do ex-marido até hoje, é mãe do adolescente Pedro, de 17 anos, que ele trata como filho embora não seja seu pai biológico. "Meus relacionamentos começam com a fúria de um incêndio e terminam em fogo brando. Eu normalmente viro amigo de minhas ex-mulheres", diz Montenegro. Entre as famosas com quem ele já juntou trapinhos estão as cantoras Vanessa Barum e Tânia Maya. Atualmente, ele namora a atriz Paloma Duarte. Os dois estão juntos há oito meses – cada um na sua casa. "As músicas do Oswaldo marcaram a minha vida. Ele é íntegro, honesto e apaixonado", derrete-se a atriz.

Oswaldo Montenegro adora criar espetáculos itinerantes. No ano passado, fez cerca de 120 apresentações pelo país, nas quais o canto se misturava ao teatro e ao circo. Sua primeira experiência desse tipo deu-se nos anos 80, quando ele correu o país com um show mambembe, em que recrutava artistas locais para tocar com ele. Numa dessas apresentações, em Brasília, descobriu as cantoras Zélia Duncan e Cássia Eller. "Cássia era tímida, mas irreverente. Uma vez ela raspou a cabeça, a sobrancelha e os cílios antes de entrar no palco." A fama de chato persegue Oswaldo Montenegro desde 1980, quando a balada Agonia venceu o festival MPB Shell, da Rede Globo. Ele interpretava a canção com um agudo de doer nos tímpanos e, por incrível que pareça, reconhece que a música era irritante. "Quis dar um tom dramático e não pegou bem", conta ele. Foi-se o tempo, porém, em que o estigma da chatice era capaz de tirá-lo do sério. "Pior seria se me acusassem de ter sido grosso com alguém", diz o gentil Montenegro.

 
 
 
 
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