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Música
O
chato é ser gostoso
Oswaldo
Montenegro irrita a crítica, mas
seduz muitas mulheres com seu jeito sensível

Sérgio
Martins
Selmy Yassuda
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| Oswaldo
Montenegro irrita a crítica, mas seduz muitas mulheres
com seu jeito sensível |
Já
faz tempo que Oswaldo Montenegro ostenta o título de cantor
mais chato da música brasileira. As pessoas implicam com
seu falsete, com suas letras românticas, até mesmo
com seu visual. Sua barba e seus cabelos brancos fazem com que ele
pareça Gandalf, o mago da série O Senhor dos Anéis,
depois de uma sessão de corte e escova no cabeleireiro. Estudioso
de mitologia, o cantor fica feliz de projetar essa imagem
algo assim entre o bruxo e o trovador medieval. "Eu quero que vocês
se imaginem no século XII, chegando a um castelo", ordenou
aos integrantes de sua banda num ensaio recente, presenciado por
VEJA. Está mais do que na hora, contudo, de reconhecer um
fato: Oswaldo Montenegro pode até ser chato, mas não
tem nada de bobo. Desde que lançou seu primeiro disco, 25
anos atrás, ele vive muito bem da música. Faz cerca
de dez shows por mês, marca que raros artistas conseguem manter
hoje em dia. Seu novo espetáculo estréia nesta sexta-feira,
em São Paulo. Os discos de Montenegro, se não chegam
a ser estouros de vendagem, também não encalham nas
lojas. Ele tem um bonito apartamento no Leblon, na Zona Sul do Rio
de Janeiro, e um padrão de vida confortável. Além
disso, aprendeu como poucos uma lição: nada como uma
cantoria para conquistar mulheres.
Gianne C/Rede Globo/divulgação
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| Paloma
Duarte: "Ele é íntegro, honesto, apaixonado"
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Oswaldo Montenegro, de 48 anos, é um dom-juan inveterado.
Aonde quer que vá, acaba reunindo ao seu redor um grupo de
moçoilas embevecidas. Seu irmão, Deto Montenegro,
entrega algumas de suas táticas. "Oswaldo é um cavalheiro.
Escreve cartas de amor como ninguém, além de cantar,
é claro." Deto é produtor teatral, já fez espetáculos
com o irmão e diz que as colegas de trabalho sempre acabam
encantadas com ele. O primeiro casamento de Oswaldo Montenegro,
com a instrumentista Madalena Ribeiro Salles, nasceu assim, no palco.
Madá, além de ser tecladista da banda do ex-marido
até hoje, é mãe do adolescente Pedro, de 17
anos, que ele trata como filho embora não seja seu pai biológico.
"Meus relacionamentos começam com a fúria de um incêndio
e terminam em fogo brando. Eu normalmente viro amigo de minhas ex-mulheres",
diz Montenegro. Entre as famosas com quem ele já juntou trapinhos
estão as cantoras Vanessa Barum e Tânia Maya. Atualmente,
ele namora a atriz Paloma Duarte. Os dois estão juntos há
oito meses cada um na sua casa. "As músicas do Oswaldo
marcaram a minha vida. Ele é íntegro, honesto e apaixonado",
derrete-se a atriz.
Oswaldo
Montenegro adora criar espetáculos itinerantes. No ano passado,
fez cerca de 120 apresentações pelo país, nas
quais o canto se misturava ao teatro e ao circo. Sua primeira experiência
desse tipo deu-se nos anos 80, quando ele correu o país com
um show mambembe, em que recrutava artistas locais para tocar com
ele. Numa dessas apresentações, em Brasília,
descobriu as cantoras Zélia Duncan e Cássia Eller.
"Cássia era tímida, mas irreverente. Uma vez ela raspou
a cabeça, a sobrancelha e os cílios antes de entrar
no palco." A fama de chato persegue Oswaldo Montenegro desde 1980,
quando a balada Agonia venceu o festival MPB Shell,
da Rede Globo. Ele interpretava a canção com um agudo
de doer nos tímpanos e, por incrível que pareça,
reconhece que a música era irritante. "Quis dar um tom dramático
e não pegou bem", conta ele. Foi-se o tempo, porém,
em que o estigma da chatice era capaz de tirá-lo do sério.
"Pior seria se me acusassem de ter sido grosso com alguém",
diz o gentil Montenegro.
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