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Especial
As
notas no Provão dos 260
melhores cursos superiores
VEJA
conseguiu com exclusividade as notas dos dez
melhores cursos de 26 carreiras. Os resultados mostram
que o conceito "A" pode esconder médias baixas. O dado
positivo é que muitas faculdades melhoraram seu ensino
graças à obrigatoriedade do exame

Monica
Weinberg
O Ministério
da Educação (MEC) abriu uma caixa-preta. Pela primeira
vez desde a implantação do Exame Nacional de Cursos,
mais conhecido como Provão, são trazidos a público
os rankings com as notas médias obtidas pelos alunos dos
cursos avaliados. No material, a que VEJA teve acesso com exclusividade,
estão listadas as dez melhores faculdades de 26 carreiras.
O resultado é impressionante. Numa escala de 0 a 100, nenhum
dos 5 900 cursos testados em 2003 chegou à nota 80, como
revelam as listas publicadas ao longo desta reportagem. A maior
média de todas (79,6) foi a do curso de engenharia elétrica
do Instituto Tecnológico de Aeronáutica, em São
José dos Campos, interior de São Paulo. Ela destoa
num mar de notas baixas. Em áreas como letras e farmácia,
os dez cursos que figuram na lista dos melhores chafurdaram em notas
em torno de 40 insuficientes para um estudante passar de
ano. Essas pontuações baixas, no entanto, não
impediram que muitas faculdades atingissem os conceitos "A" ou "B".
Por essa razão, é vital conhecer a média numérica
das notas, que, ao contrário dos conceitos de "A" a "E",
mais mostram do que escondem. Os resultados ruins revelam que muitos
jovens universitários chegam ao mercado de trabalho sem saber
responder a questões essenciais ao exercício da profissão
que escolheram seguir. "O resultado das provas é um indicador
concreto da deficiência na qualidade do ensino", observa o
especialista Jocimar Archangelo, responsável pela implantação
do Provão, em 1996.
Numa
prova razoavelmente complexa como o Exame Nacional de Cursos, a
expectativa é que apenas os melhores alunos consigam chegar
à nota máxima 100. Dos medianos, espera-se
que acertem pelo menos 60% do exame. O levantamento do último
Provão mostra que poucos alcançaram esse patamar.
Apenas 1,5% dos 5.900 cursos oscilaram
entre 60 e 80. Os demais 98,5% estão com médias abaixo
de 60, sendo que quase a metade da amostra patinou em notas menores
que 40. A média geral foi espantosamente baixa, 36. Tome-se
agora somente os cursos com presença nos 26 rankings de excelência
do MEC portanto, o que seria a nata do ensino superior brasileiro.
Nesse grupo, apenas cinco áreas tiveram médias acima
de 60. Em nove carreiras, as notas não chegaram sequer a
50. Ou seja: mesmo no topo, fosse essa uma prova escolar do nível
médio, haveria muitos casos de repetência.
As
notas médias de cada curso produzem um retrato mais realista
do que os conceitos expressos em letras, de "A" a "E", elaborados
pelo MEC até o ano passado. As faixas de notas para definir
qual conceito aplicar às faculdades eram obtidas de acordo
com a média alcançada pelos estudantes da área
no Provão. Ou seja, uma média geral baixa produzia
distorções como a que ocorreu, por exemplo, com o
curso de administração de empresas no último
Provão. Como a média geral para o curso foi 39,4,
isso fez com que, no grupo das faculdades carimbadas com o conceito
"A", algumas não exibissem nem mesmo uma sofrível
nota 50. Entre os cursos com conceito "B", as médias oscilaram
entre 46 e 43. Já na vala comum da administração
de empresas, há faculdades com conceito "E" que obtiveram
nota 30. Fazendo as contas, menos de 20 pontos separam um curso
"A" de um curso "E". A situação não é
diferente em outras especialidades, o que prova que a classificação
por conceitos expressos em letras só serve para ocultar o
fraco desempenho da maioria dos cursos no Provão. "Os conceitos
encobrem a verdade das notas", confirma o consultor Ryon Braga,
especializado em ensino superior.
Ainda
assim, o Provão rendeu mais benefícios do que todas
as políticas nacionais para o ensino superior aplicadas nos
últimos 196 anos, desde que foi aberta a primeira faculdade
no Brasil, a de medicina, em Salvador. Pela primeira vez, um critério
objetivo foi colocado em prática para separar as universidades
em níveis distintos de qualidade acadêmica. A prova
destacou as faculdades que estavam no caminho certo e jogou holofotes
sobre as instituições sem nenhum compromisso com o
bom ensino na maioria particulares. O resultado pode ser
quantificado. Nos últimos cinco anos, os cursos que alcançaram
conceitos "A" ou "B" viram a procura por seus vestibulares aumentar
20%. Na mão inversa, os estudantes vêm fugindo dos
cursos com conceitos "D" e "E", que tiveram uma queda nas inscrições
para o vestibular da ordem de 50%, um verdadeiro desastre. Para
recuperar mercado, muitas faculdades empreenderam uma corrida para
incrementar a sua qualidade. Depois do Provão, o número
de professores da rede privada com mestrado ou doutorado no currículo
saltou de 28% para 50%.
Algumas
escolas melhoraram tanto que passaram a ombrear com as melhores
do Brasil nos rankings do MEC. Entre elas, está o Centro
de Ensino Superior de Valença, no Vale do Paraíba,
a 160 quilômetros do Rio de Janeiro. A instituição
conseguiu o terceiro lugar na lista das dez melhores em 2003, depois
de ter tirado dois conceitos "C" e um "E". Para arrancar esse resultado,
toda a diretoria da faculdade foi afastada em 2001 e boa parte dos
professores, demitida. De 10% de mestres e doutores, o quadro docente
agora conta com 60% de profissionais com pelo menos um título
de pós-graduação. A pequena Universidade Estadual
de Feira de Santana, que apareceu entre as melhores do Brasil em
direito, enveredou pela mesma trilha. Fez um convênio com
a Universidade Federal de Pernambuco para matricular seus professores
no mestrado da instituição pública. Atualmente,
metade do corpo docente tem o título que garante um melhor
ensino. "Essas faculdades investiram em mudanças por instinto
de sobrevivência. Se não melhorassem, poderiam sumir
do mapa", avalia Claudio de Moura Castro, especialista em educação
superior e articulista de VEJA.
Há
também o caso de faculdades privadas que, com pouquíssimo
tempo de existência, se tornaram centros de excelência
em suas áreas de especialidade. Os melhores exemplos da nova
safra são o Ibmec e a Facamp. Elas estão entre as
dez mais em dois dos rankings: administração de empresas
e economia. O Ibmec emplacou inclusive o primeiro lugar da economia,
deixando para trás tradicionais cursos de universidades federais.
"Adoro essa competição. Ela dá a oportunidade
para qualquer curso minúsculo chegar ao topo e aparecer",
diz o presidente do Ibmec, Claudio Haddad, ex-sócio no Banco
Garantia. A nova geração de faculdades particulares,
que emergiu no ambiente de forte concorrência causado pelo
Provão, tem colhido bons resultados. Na comparação
com os cursos criados antes de 1996, a incidência de conceitos
"A" e "B" para as novatas é quase 70% maior, como mostra
um levantamento feito pelo MEC.
No
mercado de trabalho, o Provão desencadeou um outro processo
interessante. Ele sinaliza para as empresas onde estão concentrados
os melhores alunos. Boa parte das vezes, como mostram as listas
do MEC, há apenas a confirmação daquilo que
já se sabia. No caso específico do último Provão:
que os melhores cérebros da engenharia estão nos institutos
Militar de Engenharia e Tecnológico de Aeronáutica
ou que a USP é referência em dezesseis das 26 carreiras
avaliadas. Mas há resultados inesperados, e é para
esses que os recrutadores estão mais atentos. "Temos muitos
candidatos, mas talento é difícil de encontrar. Por
isso é importante a descoberta de novas faculdades que o
Provão proporciona. Elas ampliam o nosso universo", diz Marcelo
Santos, vice-presidente de recursos humanos do BankBoston. Nos Estados
Unidos, os rankings de universidades têm sido usados há
décadas como referência. Lá, não é
o governo federal que produz listas, mas associações
profissionais e publicações. A classificação
mais utilizada pelos estudantes na hora de escolher um curso é
a da revista semanal US News & World Report. Nela, são
avaliados cerca de 3.500 estabelecimentos,
separados em três grupos segundo o tipo de instituição:
universidades, colleges e as liberal arts colleges
(bastante elitizadas e focadas em ciências e humanidades).
Os rankings americanos levam em consideração diversos
itens para compor a nota média de cada faculdade: a quantidade
de livros na biblioteca, a infra-estrutura do campus, a nota que
os alunos obtiveram no SAT (exame que fazem antes de entrar na instituição),
o que oferece a pós-graduação e até
o tipo de emprego que os ex-alunos conseguiram no mercado de trabalho.
O que não existe nos Estados Unidos é um exame específico,
como o Provão, que mede o nível de conhecimento do
aluno que está para se formar.
Quase
meio milhão de universitários fizeram o Provão
no ano passado. E a taxa de boicote, que em 1996 chegou a 12%, não
passou de 2%. A pior estatística foi a do curso de jornalismo:
17% dos estudantes entregaram a prova em branco. Isso teve reflexo
no ranking dessa carreira. Ficaram de fora centros de referência
na área, como a USP e a UnB, que boicotaram o exame, e entraram
em seu lugar cursos de nenhuma projeção. Ao jornalismo,
seguiram-se física, com 13% de boicote, e psicologia, com
8%. Nessas áreas, um certo discurso ideológico de
esquerda ainda repudia a prova.
Por
lei, a presença no Provão virou pré-requisito
para que os alunos recebessem o diploma. Mas, na semana passada,
o MEC divulgou a notícia de que chancelará o diploma
de quem não fez o Provão nos anos anteriores. A medida
é desastrosa porque desmoraliza um princípio que sempre
funcionou: a exigência fazia com que a massa de estudantes
não deixasse de comparecer ao exame. É mais um tiro
disparado pelo governo do PT contra uma iniciativa exemplar e de
altíssimo interesse público, cujo único pecado
foi ter sido elaborada no governo anterior.
O
projeto do atual ministro da Educação, Tarso Genro,
que aguarda apenas a sanção do Palácio do Planalto,
desfigurará o Provão. Os cursos deixarão de
ser avaliados todo ano e passarão a ser testados a cada três
anos. A prova não será mais aplicada a todos os alunos.
Na nova versão, o exame será realizado por amostragem,
definida por sorteio. Farão o teste estudantes do primeiro
e do último ano do curso. O objetivo é medir quanto
a faculdade adicionou de conhecimento ao longo dos estudos. Não
sobrará nem o nome. Sairá de cena o Provão,
grife tucana, e entrará o Exame Nacional de Desempenho dos
Estudantes, o Enade do PT. Para definir o conceito final a ser conferido
ao curso, será somada também a avaliação
do corpo docente, da infra-estrutura da escola e do currículo.
Em outras palavras, a prova do aluno será apenas um dos dados
na composição da nota da faculdade.
O
novo modelo já recebe críticas de todos os lados.
"O exame por amostragem feito a cada três anos enfraquece
os efeitos do Provão. A engrenagem que leva à melhoria
do sistema ficará mais lenta", diz o ex-ministro Paulo Renato
Souza. "O mercado perde um termômetro que todo ano avisava:
'Essa universidade é um lixo, fuja dela'", afirma Claudio
de Moura Castro. Sobre a amostragem feita por meio de sorteio, recai
uma desconfiança generalizada. Se serão as universidades
a enviar a lista de alunos ao MEC, como evitar que elas resistam
à tentação de retirar os maus alunos delas?
Para amainar a gritaria, o MEC afirma que colocará à
disposição os rankings com as notas dos cursos nos
próximos exames.
Abrir
mão de um instrumento como o Provão realizado todos
os anos e com todos os alunos diminui o grau de transparência
do ensino superior no país. A má qualidade da universidade
no Brasil foi radiografada e dimensionada graças a esse exame.
Substituí-lo por formas mais brandas e menos precisas de
aferição significa perpetuar uma estrutura de ensino
que há muito tempo não condiz com as necessidades
do país. Um ensino superior ruim é um entrave ao desenvolvimento.
A experiência mundial mostra como a aposta na educação
e a exigência de resultados ajudam a impulsionar economias
e promover saltos de crescimento. Numa comparação
com a Coréia do Sul, onde a população jovem
apresenta uma das taxas de escolarização mais altas
do mundo, o Brasil perde feio. Em 2000, enquanto o país exportou
55 bilhões de dólares, as exportações
coreanas chegaram a 172 bilhões de dólares. Mais da
metade da exportação brasileira é composta
de commodities produtos como açúcar, café
e soja. No caso da Coréia, 91% das exportações
são formadas por manufaturados, que têm maior valor
agregado. Isso ocorre principalmente porque os coreanos estão
mais capacitados que os brasileiros.
Um
outro dado desanimador é o baixo número de patentes
industriais concedidas no Brasil. No ano passado, foram patenteados
cerca de 1.400 produtos brasileiros.
Nos Estados Unidos, esse número foi setenta vezes maior.
A produção científica, evidentemente, é
outra área prejudicada pelo baixo nível educacional.
Em 2002, os cientistas brasileiros publicaram 12.000
artigos em revistas indexadas. Os americanos assinaram vinte vezes
mais. Existe relação direta entre progresso socioeconômico
e qualidade do ensino. Segundo uma pesquisa da ONU, os países
que fizeram investimento contínuo e maciço na educação
de sua população, desde o nível fundamental
até a universidade, foram os que conseguiram dar os maiores
saltos tecnológicos e obter os melhores resultados na economia.
Esse é um desafio para o Brasil, que as modificações
para pior na avaliação do ensino superior tornam ainda
mais difícil de ser superado.
Com
reportagem de
Ariel Kostman, Chrystiane Silva,
Leonardo Coutinho e Roberta Salomone
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O
FILHOTE DA UNICAMP
Claudio Rossi
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A
Facamp, Faculdades de Campinas, surgiu há apenas
quatro anos e em seu primeiro Provão conseguiu
figurar entre as melhores escolas de administração
de empresas e economia. A novata tem relação
estreita com a tradicional Unicamp. Primeiro, fica instalada
ao lado dela. Depois, está sob o comando de João
Manuel Cardoso de Mello, ex-integrante da equipe econômica
do governo Sarney e um dos criadores do Instituto de
Economia da Unicamp. Por fim, quase todos os professores
que lecionam na Facamp fizeram mestrado ou doutorado
naquela universidade. Uma das razões do sucesso
da nova faculdade é o regime rigoroso que impõe
aos alunos. A carga horária diária de
aulas vai das 8 às 17 horas. Entre as disciplinas
tradicionais, estão encaixadas no currículo
aulas de português nos primeiros três anos.
O objetivo é suprir as lacunas básicas
herdadas do ensino médio e ensinar os estudantes
a escrever um bom texto, a expressar-se em público
e a trabalhar em grupo, habilidades cada vez mais exigidas
no mercado de trabalho. Está dando certo. Segundo
as estatísticas, 80% dos recém-formados
já conseguiram emprego, a maioria deles em grandes
empresas. "O mercado está tão competitivo
que é preciso ser muito rigoroso no ensino para
formar profissionais que dêem conta do recado",
diz Cardoso de Mello.
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LIGAÇÃO
DIRETA COM O MERCADO
Germano Luders
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O
Ibmec era uma instituição que produzia
pesquisa na década de 70 e passou a oferecer
MBA nos anos 80. Em São Paulo, estreou com os
cursos de administração de empresas e
economia há apenas cinco anos. Foi submetido
duas vezes ao Provão e, em ambas, ficou com "A".
No último Provão, brilhou como o campeão
em economia e também se destacou em administração.
Ex-sócio do Banco Garantia, Claudio Haddad, atual
presidente do Ibmec, fundou a faculdade com um objetivo
que fere os ouvidos mais tradicionais: "Quero formar
jovens que sejam o sonho de consumo de qualquer empresa".
Para isso, foi ao mercado de trabalho para detectar
tudo aquilo que era visto como lacuna na formação
dos estudantes. Criou um modelo de ensino cujo diferencial
é a visão prática das matérias.
Na sala de aula, os alunos fazem estudos de casos, os
mesmos utilizados nos cursos de Harvard, e aprendem
macroeconomia com base em histórias concretas
da atualidade. Os estudantes acompanham as aulas com
laptop ligado na internet e têm na bibliografia
apenas publicações de ponta. Como estratégia
para manter os professores atualizados, todo ano o Ibmec
envia a Harvard alguns deles para receber treinamento.
A qualidade custa caro. A mensalidade do Ibmec é
de 1 780 reais.
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O
CAMPEÃO DA ENGENHARIA
Oscar Cabral
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O
Instituto Militar de Engenharia (IME) é um tradicional
centro de excelência. No Provão, confirmou
a fama. De todos os cursos avaliados no exame, foi o
que mais ocupou o pódio nos rankings: em três
especialidades e ainda levou uma segunda colocação.
Fundado em 1792 como uma escola para militares, o IME
passou a aceitar civis em 1964. As mulheres, apenas
há sete anos. As regras do instituto são
severas. Os alunos estudam em tempo integral, precisam
bater continência para o professor e, caso não
sejam aprovados em alguma matéria, são
instantaneamente expulsos. Em compensação,
todos os estudantes têm direito a uma bolsa mensal
de 330 reais e contam com assistência médica
e alimentação. No fim do curso, quem opta
pela carreira militar recebe o título de primeiro-tenente
e um salário de 3 000 reais. Vinculado ao Ministério
da Defesa, uma pasta de orçamento minguado, o
IME consegue aumentar o caixa com a contribuição
financeira de trinta empresas públicas e privadas.
Elas investem 4 milhões de reais por ano no instituto.
Em troca, têm seus projetos de construção
de estradas e recuperação de prédios
tocados pelo Exército.
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OS
DENTISTAS DE CARUARU
Barbara Wagner/ag. Lumiar
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Há
apenas dois anos, a Faculdade de Odontologia de Caruaru,
hoje entre as dez melhores da área, tinha no
currículo quatro conceitos "D" no Provão.
Os colegas das universidades mais renomadas da região
faziam piada em relação à precária
estrutura do curso. Circulava em Caruaru que os alunos
estudavam anatomia em bonecos de barro. A faculdade
possuía uma dúzia de microscópios
com meio século de uso e poucas cadeiras de dentista,
que eram disputadas pelos alunos. Estava ameaçada
de fechar. Foi então que a diretoria resolveu
dar uma virada. Aumentou o valor das mensalidades para
triplicar o salário dos professores e, com isso,
conseguiu atrair profissionais de primeira linha das
melhores faculdades. De nenhum professor com mestrado,
a instituição reforçou seu quadro
com 75% de mestres e doutores. Em paralelo, investiu
pesado na melhoria de suas instalações,
construindo novos laboratórios e comprando equipamentos
de última geração. Hoje, nas suas
quatro modernas clínicas, 3 000 pessoas fazem
fila todo mês para ser atendidas pelos alunos
de Caruaru. Com as mudanças, a faculdade fundada
em 1959 passou a ser levada a sério. "Estávamos
na pré-história", diz o coordenador do
curso, Petrônio Martelli. "Os conceitos ruins
no Provão nos forçaram a mudar para sobreviver."
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A
VIRADA DE BARRETOS
Claudio Rossi
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Fundada
em 1964, a pequena Fundação Educacional
de Barretos, no interior de São Paulo, foi a
surpresa no último ranking da engenharia civil.
Emplacou um terceiro lugar, à frente das tradicionais
USP e Unicamp. O que chama atenção no
caso de Barretos é que nos exames anteriores
a faculdade teve péssimo desempenho, acumulando
dois conceitos "E" seguidos. Motivada pelo vexame no
Provão, a instituição tomou medidas
simples para melhorar o rendimento dos professores,
que deixava muito a desejar. Antes de mais nada, mudou
o regime de trabalho. Metade dos profissionais deixou
de ser remunerada por hora de aula e passou a ser contratada
por jornadas semanais de até quarenta horas.
O resultado foi excepcional. Com mais tempo para planejar
as aulas e desenvolver novos projetos, o nível
do ensino aumentou. Outra medida tomada pela faculdade
foi oferecer cursos de didática ao corpo docente.
O impacto foi sentido pelos alunos na sala. Eles contam
que as aulas ganharam em qualidade. "Com as mudanças,
criamos um eficiente círculo virtuoso", diz a
coordenadora do curso, Paula Cacoza Albuquerque.
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