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Maranhão
A imperatriz do Maranhão
Ex-aeromoça,
neófita na política e festeira de
arromba, a primeira-dama Alexandra Tavares
tem tirado o sono do clã Sarney

Daniela Pinheiro, de São Luís
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Oscar Cabral
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| Alexandra
ŕ paisana e de mulher-gato com o governador: "Estamos fazendo
a nossa política" |
Quem
dá as cartas no governo do Maranhão é a primeira-dama
Alexandra Tavares, 31 anos, ex-aeromoça da TransBrasil, mulher
do governador José Reinaldo Tavares, 34 anos mais velho.
É ela quem despacha com secretários, recebe vereadores
e prefeitos, escuta lideranças comunitárias e, recentemente,
passou até mesmo a controlar o caixa do Estado. Enquanto
a agenda de compromissos do governador se encerra às 7 da
noite, a de Alexandra costuma varar a madrugada. Nomeada secretária
de Solidariedade Humana, mas com o aval do marido para mandar e
desmandar no resto do governo, ela ficou conhecida como "A Grande"
em referência a "Alexandre, o Grande", o jovem déspota
macedônio, o maior líder militar da Antiguidade. Fã
incondicional de música tecno, aquela tocada em raves, Alexandra
também é notória organizadora de animadas festas
no suntuoso Palácio dos Leões, a residência
oficial do governador, nas quais costuma dançar até
as 5 da manhã. "Eu amo me divertir, a-mo. Como não
saio para boates, faço as coisas aqui mesmo. Aqui é
a minha casa. Tenho esse direito", afirma. Tanta personalidade acabou
por reverberar numa seara até então imaculada da vida
maranhense: o poder e a tradição da família
Sarney, que há quatro décadas domina a política
local e, como era de esperar, torce o nariz para tanta independência.
A
relação dos Sarney com o casal é antiga. José
Reinaldo escreveu sua biografia política pelas mãos
de José Sarney. Ocupou grandes cargos da burocracia pública
sempre apadrinhado pelo ex-presidente. Até 2002, era o vice
da então governadora Roseana Sarney. De temperamento calmo,
discreto e conciliador, José Reinaldo era considerado o vice
perfeito: não se metia se não fosse chamado, era fidelíssimo
à família e jamais deu um passo sem consultar o padrinho.
Por essas razões, foi cogitado como o nome ideal para substituir
Roseana. Para os Sarney, José Reinaldo no governo significava
a continuidade de poder. Era para ser assim. Mas, nos últimos
meses, a ligação tão estreita se abalou por
atitudes de Alexandra que irritaram os Sarney. Ela resolveu demitir
funcionários nomeados por Roseana, suspender pagamentos de
contratos com empreiteiras para redefinir prioridades e anunciou
mudanças significativas no quadro de secretários.
O estopim da crise ocorreu há três semanas, depois
de ela ter declarado não apoiar o cunhado de Roseana, Ricardo
Murad, à prefeitura de São Luís, contrariando
um acordo partidário fechado com as lideranças locais
e com o próprio governador. "Não apóio. Ele
não merece a prefeitura. E não vou me calar. Ninguém
enfia nada na minha goela. Não admito que me mandem fazer
isso, pensar aquilo", afirmou. Foi o caos. José Sarney pediu
ao marido para acalmá-la. Ele não conseguiu. "Chega
de falarem que Zé Reinaldo é banana, que é
pau-mandado. As brigas que eu compro são para ele se impor.
Ele é o governador. Foi legitimamente eleito", disse ela
a VEJA na quarta-feira passada. "Não estamos roubando, não
estamos matando. Estamos fazendo a nossa política. Estamos
nos impondo, não tenho medo de cara feia."
Apesar
de nunca ter havido uma desavença pública, a tensão
entre os Sarney e Alexandra é evidente. Eles a consideram
"sob controle", mas ousada demais para alguém que só
"existe" até as próximas eleições, em
2006. O candidato ao governo é Zequinha Sarney, irmão
de Roseana. Apesar de não admitir um futuro político,
Alexandra sabe que poderia tentar uma candidatura própria
– já que até a oposição, depois das
críticas à turma sarneyzista, parece ter ficado a
seu lado. De fato, a desenvoltura de Alexandra na vida pública
é um espanto para quem há onze anos mal sabia citar
o nome de um ministro. Nascida em Brasília, numa família
de classe média baixa, ela jamais teve contato com o mundo
político. Aos 19 anos, era comissária de bordo. Foi
durante um vôo que ela conheceu o então deputado José
Reinaldo. Mantiveram um romance secreto (ele era casado) por quase
um ano. Casaram-se, ela entrou na faculdade de direito e tiveram
três filhas. Em 2000, o casal se separou por um ano depois
de uma onda de boatos pessoais publicados em toda a imprensa local.
"Foi ali que eu amadureci. Inventaram o que quiseram de mim. Hoje
vejo que era para liquidar Zé Reinaldo, que tem uma reputação
ilibada. Por isso, não admito mais nenhum controle sobre
a nossa vida", diz. O casal se reconciliou e Alexandra abraçou
firme a campanha do marido. Ela chegou a reunir 15.000 mulheres
em uma praça de São Luís. "Ali, passei a fazer
política, mas a minha política. Não essa que
está aí: dissimulada e corrupta", diz.
Alta,
magra, bonita, 215 mililitros de silicone em cada seio, barriga
lipada, Alexandra não abandonou o gosto das mulheres de sua
idade: o pendor para festas. Só para comemorar seu aniversário
e o do governador, há duas semanas, promoveu três eventos:
um almoço em família, uma festinha para vinte amigos
íntimos em um dos quartos de hóspedes do palácio
(a banheira da suíte fez as vezes de balde de gelo e foi
preenchida com garrafas de prosecco para que os convidados se servissem
à vontade) e uma festa para 600 pessoas. Em outubro, parou
a cidade com seu baile de Halloween, no qual se vestiu de mulher-gato
e colocou uma gravata estampada com caveiras no governador. Os desafetos
afirmam que a festança é sempre paga com dinheiro
público. Pelo Diário Oficial do Estado, entre
outubro e janeiro deste ano o governo gastou 196.000 reais somente
com bufês de comida japonesa. "Só nas comemorações
oficiais, como o aniversário do governador, o réveillon
e o Natal, por exemplo, usamos a dotação orçamentária",
diz. Para as demais, como o batizado de bonecas das filhas, o Dia
das Bruxas ou o aniversário da melhor amiga, ela mostra as
notas fiscais. "Tenho tudo numa pasta. Quero ver o engraçadinho
que vem dizer que gasto dinheiro público com isso", diz.
Mas avião oficial usa, sim. Recentemente, o casal foi para
o Rio de Janeiro assistir ao show do DJ inglês Fatboy Slim
no jatinho do governo. "Zé Reinaldo tinha uma reunião
no Rio na sexta-feira. Por isso fomos com o jato", diz. O show foi
no domingo.
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