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Diogo
Mainardi
A
solução para o crime
"Não
há por que manter
o monopólio do
Estado sobre a segurança
pública. Sobretudo
quando o
Estado presta um serviço
deplorável
como o nosso. Chegamos ao ponto em que
mercenários estrangeiros poderiam ser mais
confiáveis do
que a polícia"
Os
mercenários responsáveis pelo policiamento civil no
Iraque pertencem à Dyncorp. Mil homens. Cuidam do recrutamento
de policiais, da reforma do Judiciário e da montagem de cadeias.
É gente altamente qualificada. Cada mercenário possui
um mínimo de dez anos de experiência investigativa
nos Estados Unidos. Para ser contratado, precisa superar uma corrida
de obstáculos, arrastar um boneco de 84 quilos e subir uma
escada de 6 metros de altura com uma arma na mão. Custo?
Cinqüenta milhões de dólares por ano. Ou seja,
nada. Vamos trazê-los para cá.
A
Dyncorp é empregada no policiamento de outros países
estrangeiros. Recebe dinheiro da ONU para manter a ordem na Bósnia,
em Kosovo e no Timor. Recebe também dos Estados Unidos para
defender a vida do presidente afegão Karzai e para combater
o tráfico de drogas na Colômbia. Uma das críticas
recorrentes a George W. Bush é que ele privatizou o Exército
americano, estimulando o crescimento de companhias de mercenários
como a Dyncorp. Bom para nós. Assim como a Ford fabrica carros
no Brasil, porque não sabemos fabricar carros, a Dyncorp
pode vir policiar nossas cidades, porque não sabemos policiar.
Os
pacifistas não gostam dessas companhias de mercenários.
Vão logo lembrando que homens da Dyncorp derrubaram um avião
de missionários no Peru e aliciaram prostitutas na ex-Iugoslávia.
É verdade. Mas o paradoxo está justamente aí:
nenhuma atrocidade que os mercenários internacionais possam
ter cometido se compara à brutalidade cotidiana da polícia
brasileira. Se os Estados Unidos terceirizaram o Exército,
o Brasil estatizou o Esquadrão da Morte. Nossa polícia
fracassou dos dois lados: aliou a mais absoluta truculência
à mais absoluta incompetência. Nenhum país do
mundo pode suportar mais de 40.000 homicídios
por ano. O triângulo sunita é pouca coisa perto de
nós. Num caso extremo como o nosso, é preciso reconhecer
que a polícia é irreformável. É preciso
partir do zero.
Estima-se
que a criminalidade custe mais de 30 bilhões de dólares
por ano ao Brasil. Dinheiro para contratar os mercenários
não falta, portanto. Poderíamos colocar a Dyncorp
para policiar as ruas. Os Gurkhas nepaleses para vigiar as cadeias.
A MPRI nas fronteiras. A Vinnell nas estradas. A Custer Battles
nas favelas. A CSC no rastreamento do dinheiro sujo. O resultado
imediato dessa medida seria acabar com os velhos esquemas de caixinha
da nossa polícia. Não há por que manter o monopólio
do Estado sobre a segurança pública. Sobretudo quando
o Estado presta um serviço deplorável como o nosso.
Chegamos ao ponto em que mercenários estrangeiros poderiam
ser mais confiáveis do que a polícia. Poderiam nos
proteger melhor. Com uma vantagem adicional. Além de agir
contra os bandidos, a Dyncorp se prepara para oferecer a seus clientes
um escudo espacial contra meteoros. No Brasil, a morte vem até
do céu.
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