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VEJA Recomenda
CINEMA
Dias de Glória (Indigènes,
França/ Marrocos/Argélia, 2006. Estréia no país nesta
sexta-feira) Enfim, um filme francês sobre a II Guerra que não
se dedica a exaltar (ou inflar) os feitos da Resistência. A despeito do
título genérico recebido fora de seu país de produção
(o original significa "nativos"), o trabalho do diretor Rachid Bouchareb trata
de um assunto tão específico quanto esquecido: os 130.000 soldados
(110.000 deles de origem árabe) recrutados na Argélia, no Marrocos,
na Tunísia e em outras então colônias francesas para lutar
em prol da liberação da "pátria-mãe". A narrativa
se concentra em torno de quatro voluntários, de sua jornada do norte da
África até a Alsácia. Filmado de forma enxuta, o filme faz
bom uso das regras do gênero inclusive para subvertê-las, à
medida que os sonhos de glória dos personagens vão dando lugar à
realidade bem menos rósea reservada a esses franceses tidos como de segunda
classe. E não apenas outrora: na ausência de imagens históricas
dessas tropas, Bouchareb saiu à cata das histórias de seus sobreviventes.
Descobriu que, até recentemente, suas pensões equivaliam a algo
como 10% daquelas pagas aos veteranos franceses. Curiosidade: o filme concorre
ao Oscar de produção estrangeira mas pela Argélia.
Veja
cenas. DISCOS
Divulgação  |  |
| A cantora Norah Jones: CD com baladas agridoces
e letras maduras | Not
Too Late, Norah Jones (EMI) O terceiro
disco da cantora americana é seu melhor trabalho até agora. A artista,
que já foi saudada como a nova sensação do jazz, ressurge
como intérprete de baladas agridoces, compostas ao lado do baixista e namorado
Lee Alexander. De tão inspiradas, as composições não
fariam feio num disco de uma Joni Mitchell. As letras de Norah também amadureceram.
No lugar daquela conversa um tanto entediante sobre rotina de casal, como se viu
em seu trabalho anterior, ela expande seus horizontes para além da celebração
do relacionamento com Alexander. Um bom exemplo é a pungente Thinking
about You, em que Norah se recorda do primeiro namorado um recruta
do Exército.
Lucas Zappa  |  |
| Adnet: jazz de Jobim resgatado |
Jobim Jazz,
Mario Adnet (Adnet Musica/Adventure Music) O carioca Mario Adnet tem uma
carreira respeitada como cantor e compositor, mas nada se compara a seu trabalho
como arquivista da MPB. Ele se especializou em recuperar obras de ícones
da música brasileira, em gravações executadas por instrumentistas
de primeira categoria. Foi assim com Ouro Negro, dedicado ao maestro pernambucano
Moacir Santos, e Jobim Sinfônico, que resgatou as incursões
do mesmo pela seara erudita. O excelente Jobim Jazz mostra como o gênero
americano influenciou a obra do bossa-novista. Há raridades como Domingo
Sincopado, parceria com o violonista Luiz Bonfá, e Sue Ann,
composta para a trilha sonora do filme The Adventurers, de 1970.
Notimex/AFP  |  |
| Strokes: uma trilha nota dez | Marie
Antoinette, vários intérpretes (Universal) A cinebiografia
da rainha da França, dirigida pela americana Sofia Coppola, não
empolgou ninguém. Sua trilha sonora, contudo, é uma grata surpresa.
O CD duplo vai de um compositor barroco como Vivaldi a artistas do punk e do pós-punk
inglês dos anos 1970 e 1980. O primeiro disco investe num repertório
de bandas de rock que inclui faixas como What Ever Happened, dos Strokes,
e I Want Candy, do Bow Wow Wow. Já o segundo disco é preenchido
com música eletrônica sombria, a cargo de artistas como Air (colaboradores
de primeira hora de Sofia) e Aphex Twin, passando por uma canção
lúgubre do grupo inglês The Cure.
LIVROS
 | Harper
Collins/AP  |
| Bayard: thriller com Edgar Allan Poe |
O Pálido Olho Azul,
de Louis Bayard (tradução de Lea P. Zylberlicht; Planeta; 429 páginas;
39,90 reais) Edgar Allan Poe (1809-1849) foi um mestre do terror e das
histórias de detetives. Em O Pálido Olho Azul, o americano
Louis Bayard transforma-o em personagem de uma trama com a qual certamente Poe
se identificaria. O escritor aparece na história como um cadete da academia
militar de West Point (que ele de fato freqüentou) destacado para ajudar
na investigação do assassinato de um colega que teve seu coração
brutalmente arrancado. Colaborador de jornais como o New York Times e do
site Salon, Bayard arrebata o leitor com uma reconstituição
de época vívida e uma narrativa engenhosa. Leia
trecho. Tsotsi
Infância Roubada, de Athol Fugard (tradução
de Alvaro Hattnher e Bruno Gomide; Companhia das Letras; 291 páginas; 46
reais) Nos anos 1960, o dramaturgo Athol Fugard denunciou as abominações
do apartheid sul-africano em peças que lhe renderam a aclamação
internacional, mas também a censura em seu país. Tsotsi, seu
único romance (cuja adaptação para o cinema ganhou o Oscar
de filme estrangeiro em 2006), aborda a violência no gueto negro de Soweto
nos anos 1950. O personagem-título é um delinqüente que um
dia, ao se ver com o bebê de uma das vítimas nas mãos, passa
a se autoquestionar. Mais que um libelo contra o regime racista, Fugard examina
como a barbárie corrói a personalidade dos que estão imersos
nela. O livro se completa com a peça Mestre Harold ...E os Meninos.
Leia
trecho.
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