'
 


    

 
Edição 1993 . 31 de janeiro de 2007

Índice
Millôr
Lya Luft
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Holofote
Contexto
Datas
Auto-retrato
Gente
Veja essa
VEJA.com
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
 
 

VEJA Recomenda


CINEMA

Dias de Glória (Indigènes, França/ Marrocos/Argélia, 2006. Estréia no país nesta sexta-feira) – Enfim, um filme francês sobre a II Guerra que não se dedica a exaltar (ou inflar) os feitos da Resistência. A despeito do título genérico recebido fora de seu país de produção (o original significa "nativos"), o trabalho do diretor Rachid Bouchareb trata de um assunto tão específico quanto esquecido: os 130.000 soldados (110.000 deles de origem árabe) recrutados na Argélia, no Marrocos, na Tunísia e em outras então colônias francesas para lutar em prol da liberação da "pátria-mãe". A narrativa se concentra em torno de quatro voluntários, de sua jornada do norte da África até a Alsácia. Filmado de forma enxuta, o filme faz bom uso das regras do gênero – inclusive para subvertê-las, à medida que os sonhos de glória dos personagens vão dando lugar à realidade bem menos rósea reservada a esses franceses tidos como de segunda classe. E não apenas outrora: na ausência de imagens históricas dessas tropas, Bouchareb saiu à cata das histórias de seus sobreviventes. Descobriu que, até recentemente, suas pensões equivaliam a algo como 10% daquelas pagas aos veteranos franceses. Curiosidade: o filme concorre ao Oscar de produção estrangeira – mas pela Argélia. Veja cenas.

 

DISCOS

 
Divulgação
A cantora Norah Jones: CD com baladas agridoces e letras maduras

Not Too Late, Norah Jones (EMI) – O terceiro disco da cantora americana é seu melhor trabalho até agora. A artista, que já foi saudada como a nova sensação do jazz, ressurge como intérprete de baladas agridoces, compostas ao lado do baixista e namorado Lee Alexander. De tão inspiradas, as composições não fariam feio num disco de uma Joni Mitchell. As letras de Norah também amadureceram. No lugar daquela conversa um tanto entediante sobre rotina de casal, como se viu em seu trabalho anterior, ela expande seus horizontes para além da celebração do relacionamento com Alexander. Um bom exemplo é a pungente Thinking about You, em que Norah se recorda do primeiro namorado – um recruta do Exército.

 
Lucas Zappa
Adnet: jazz de Jobim resgatado

Jobim Jazz, Mario Adnet (Adnet Musica/Adventure Music) – O carioca Mario Adnet tem uma carreira respeitada como cantor e compositor, mas nada se compara a seu trabalho como arquivista da MPB. Ele se especializou em recuperar obras de ícones da música brasileira, em gravações executadas por instrumentistas de primeira categoria. Foi assim com Ouro Negro, dedicado ao maestro pernambucano Moacir Santos, e Jobim Sinfônico, que resgatou as incursões do mesmo pela seara erudita. O excelente Jobim Jazz mostra como o gênero americano influenciou a obra do bossa-novista. Há raridades como Domingo Sincopado, parceria com o violonista Luiz Bonfá, e Sue Ann, composta para a trilha sonora do filme The Adventurers, de 1970.

 
Notimex/AFP
Strokes: uma trilha nota dez

Marie Antoinette, vários intérpretes (Universal) – A cinebiografia da rainha da França, dirigida pela americana Sofia Coppola, não empolgou ninguém. Sua trilha sonora, contudo, é uma grata surpresa. O CD duplo vai de um compositor barroco como Vivaldi a artistas do punk e do pós-punk inglês dos anos 1970 e 1980. O primeiro disco investe num repertório de bandas de rock que inclui faixas como What Ever Happened, dos Strokes, e I Want Candy, do Bow Wow Wow. Já o segundo disco é preenchido com música eletrônica sombria, a cargo de artistas como Air (colaboradores de primeira hora de Sofia) e Aphex Twin, passando por uma canção lúgubre do grupo inglês The Cure.

 

LIVROS

 
Harper Collins/AP
Bayard: thriller com Edgar Allan Poe

O Pálido Olho Azul, de Louis Bayard (tradução de Lea P. Zylberlicht; Planeta; 429 páginas; 39,90 reais) – Edgar Allan Poe (1809-1849) foi um mestre do terror e das histórias de detetives. Em O Pálido Olho Azul, o americano Louis Bayard transforma-o em personagem de uma trama com a qual certamente Poe se identificaria. O escritor aparece na história como um cadete da academia militar de West Point (que ele de fato freqüentou) destacado para ajudar na investigação do assassinato de um colega que teve seu coração brutalmente arrancado. Colaborador de jornais como o New York Times e do site Salon, Bayard arrebata o leitor com uma reconstituição de época vívida e uma narrativa engenhosa. Leia trecho.

Tsotsi – Infância Roubada, de Athol Fugard (tradução de Alvaro Hattnher e Bruno Gomide; Companhia das Letras; 291 páginas; 46 reais) – Nos anos 1960, o dramaturgo Athol Fugard denunciou as abominações do apartheid sul-africano em peças que lhe renderam a aclamação internacional, mas também a censura em seu país. Tsotsi, seu único romance (cuja adaptação para o cinema ganhou o Oscar de filme estrangeiro em 2006), aborda a violência no gueto negro de Soweto nos anos 1950. O personagem-título é um delinqüente que um dia, ao se ver com o bebê de uma das vítimas nas mãos, passa a se autoquestionar. Mais que um libelo contra o regime racista, Fugard examina como a barbárie corrói a personalidade dos que estão imersos nela. O livro se completa com a peça Mestre Harold ...E os Meninos. Leia trecho.

 

 

Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Nobel; Rio: Saraiva, Laselva, Sodiler, Argumento, Travessa; Porto Alegre: Saraiva, Cultura, Livrarias Porto; Brasília: Sodiler, Saraiva, Leitura; Recife: Sodiler, Saraiva, Cultura; Florianópolis: Livrarias Catarinense; Goiânia: Saraiva, Leitura; Fortaleza: Laselva; Curitiba: Saraiva, Livrarias Curitiba; Londrina: Livrarias Porto; Belo Horizonte: Leitura; Maceió: Sodiler; Natal: Sodiler; Vitória: Leitura; internet: Cultura, Laselva, Saraiva, Sodiler, Submarino.

 
 
 
topovoltar