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Edição 1993 . 31 de janeiro de 2007

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Carta ao leitor
Bom mas insuficiente

 
Ricardo Suckert/PR
O governo era só sorrisos no dia do anúncio

O governo anunciou, na semana passada, o esperado pacote de medidas destinadas a turbinar o ritmo de crescimento da economia brasileira. O conjunto é um notável esforço gerencial que ordena, explicita, define metas e facilita seu acompanhamento e cobrança. Em resumo, as medidas, se implementadas como em sua concepção original, vão aumentar a eficiência da máquina governamental. Isso é bom. Muito bom. Sucessivos governos brasileiros sofrem há décadas de uma crônica falência geral de órgãos quando se trata de executar planos. Mas é insuficiente. O pacote azeita um modelo de Estado caro, baseado no financiamento das iniciativas pelo aumento constante dos impostos e com participação apenas pontual da iniciativa privada.

Para não perder oportunidades, um país inserido na economia global precisa de muito mais do que uma máquina velha restaurada. Os economistas utilizam uma feliz expressão para definir o esforço, às vezes excruciante, de tentar manter em funcionamento um sistema obsoleto: "Dependendo do motor, até tijolo voa".

A Alemanha Oriental sob o comunismo era um "tijolo voador". Os moradores do lado oriental do Muro de Berlim tinham quase o mesmo número per capita de automóveis que os moradores do lado ocidental. A diferença? Os do lado ocidental eram Porsche e Mercedes-Benz. O modelo dominante do lado oriental era o Trabant – cada um poluía como dois ônibus urbanos modernos, não tinha chave de ignição nem marcha a ré. Bastou cair o Muro para que a realidade se impusesse, e o que parecia avanço sob o isolamento da pax sovietica se mostrou o mais cru atraso.

Nos anos 90, ao debelar a inflação, abrir a economia, privatizar estatais e aprovar a Lei de Responsabilidade Fiscal, o Brasil derrubou seu Muro de Berlim. Agora precisa avançar. Isso se faz com o aumento da eficiência não apenas do governo, mas de toda a economia. A receita para isso é conhecida: deter o rombo da Previdência, gastar melhor o que o governo já arrecada – para, assim, poder diminuir a carga de impostos, que passa de 40% do PIB – e modernizar as relações trabalhistas. Um trabalho prioritário para Executivo, Legislativo, Judiciário e a sociedade tocarem juntos – e em regime de urgência.

 
 
 
 
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