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Carta ao leitor
Bom mas insuficiente
Ricardo Suckert/PR
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| O governo era só sorrisos no dia do
anúncio |
O governo anunciou, na semana
passada, o esperado pacote de medidas destinadas a turbinar o ritmo
de crescimento da economia brasileira. O conjunto é um notável
esforço gerencial que ordena, explicita, define metas e facilita
seu acompanhamento e cobrança. Em resumo, as medidas, se
implementadas como em sua concepção original, vão
aumentar a eficiência da máquina governamental. Isso
é bom. Muito bom. Sucessivos governos brasileiros sofrem
há décadas de uma crônica falência geral
de órgãos quando se trata de executar planos. Mas
é insuficiente. O pacote azeita um modelo de Estado caro,
baseado no financiamento das iniciativas pelo aumento constante
dos impostos e com participação apenas pontual da
iniciativa privada.
Para não perder oportunidades,
um país inserido na economia global precisa de muito mais
do que uma máquina velha restaurada. Os economistas utilizam
uma feliz expressão para definir o esforço, às
vezes excruciante, de tentar manter em funcionamento um sistema
obsoleto: "Dependendo do motor, até tijolo voa".
A Alemanha Oriental sob o comunismo
era um "tijolo voador". Os moradores do lado oriental do Muro de
Berlim tinham quase o mesmo número per capita de automóveis
que os moradores do lado ocidental. A diferença? Os do lado
ocidental eram Porsche e Mercedes-Benz. O modelo dominante do lado
oriental era o Trabant cada um poluía como dois ônibus
urbanos modernos, não tinha chave de ignição
nem marcha a ré. Bastou cair o Muro para que a realidade
se impusesse, e o que parecia avanço sob o isolamento da
pax sovietica se mostrou o mais cru atraso.
Nos anos 90, ao debelar a inflação,
abrir a economia, privatizar estatais e aprovar a Lei de Responsabilidade
Fiscal, o Brasil derrubou seu Muro de Berlim. Agora precisa avançar.
Isso se faz com o aumento da eficiência não apenas
do governo, mas de toda a economia. A receita para isso é
conhecida: deter o rombo da Previdência, gastar melhor o que
o governo já arrecada para, assim, poder diminuir
a carga de impostos, que passa de 40% do PIB e modernizar
as relações trabalhistas. Um trabalho prioritário
para Executivo, Legislativo, Judiciário e a sociedade tocarem
juntos e em regime de urgência.
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