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Uma legítima farofa argentina

Turistas andam nus e fazem
baderna nas praias do Sul

Diogo Schelp

 
Liane Neves

Rodrigues (à dir.) e acompanhantes: viagem mais barata

O episódio aconteceu na Praia de Canasvieiras, uma das mais familiares e movimentadas de Florianópolis. Em meio a centenas de banhistas que buscavam espaço na areia em um dia ensolarado, sete jovens e alegres argentinos decidiram tirar fotos uns dos outros. Todos nus. Os arruaceiros foram levados para a delegacia e liberados após o pagamento de multa de um salário mínimo. Pior: não foram os primeiros a dispensar as sungas em Canasvieiras. Essa cena já se repetiu uma dezena de vezes neste verão e é típica do comportamento de uma parte dos turistas argentinos que estão visitando as praias do sul brasileiro nesta época do ano. O número de argentinos em viagem ao Rio Grande do Sul e Santa Catarina cresceu 20% do ano passado para cá. Até o fim de março, 700.000 deles terão cruzado a fronteira para curtir o verão nos dois Estados. O que deveria ser apenas uma grande notícia para a economia do Sul está dando muita dor de cabeça.

A crise econômica que assola o país vizinho paradoxalmente estimula as viagens ao Brasil. Isso acontece porque, com a moeda local – o peso – valendo quase 2 reais, ficou mais barato para os argentinos vir para o litoral brasileiro do que veranear nas praias de lá. O resultado é que estão afluindo turistas de poder aquisitivo menor, além de hordas de jovens com pouco dinheiro no bolso e muita energia para bagunçar o coreto. O Estado que mais sofre é o Rio Grande do Sul, que tem um litoral de menor beleza natural e, portanto, com acomodações mais baratas que o catarinense. Torna-se, assim, um destino regular de viajantes menos abonados. "Aqui cada um de nós consome 30 dólares por dia, enquanto na Argentina gastaríamos o dobro", diz Carlos Rodrigues, um avicultor de Córdoba que veio para o balneário gaúcho de Torres com mais dezessete pessoas, entre familiares e amigos, numa van e dois carros.

É comum bandos de jovens alugarem pequenos apartamentos de quarto e sala para acomodar até dez pessoas. Aldori Felipe dos Santos, dono de uma imobiliária em Capão da Canoa, também no Rio Grande do Sul, alugou neste mês um apartamento para um grupo de uma dezena de argentinos. Eles foram embora sem avisar e deixaram móveis quebrados, lixo por todo lado e meias e cuecas sujas dentro da geladeira. Em Canasvieiras, há duas semanas, uma dúzia deles resolveu caminhar à noite pela rua da praia – sobre os carros estacionados. Cinco automóveis ficaram amassados.

 

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