1968 - 1998  


"A CAPA CAIU"

A frase é dita na redação quando, na última hora, a reportagem de capa é substituída por outra, mais importante ou urgente. Alguns casos:

18 de dezembro de 1968
Na quinta-feira, enquanto a Câmara negava autorização para processar o deputado Márcio Moreira Alves e crescia a tensão política, a revista decidia fazer reportagem sobre um personagem de histórias infantis chamado Cordélio, o leão-cordeiro.*Com a decretação do AI-5, no dia seguinte, foi fechado o Congresso, vários políticos cassados, outros presos. Em vez da capa do Cordélio, a revista circulou com uma foto do presidente Costa e Silva.

3 de setembro de 1969
A revista foi distribuída às bancas no domingo com uma reportagem sobre a crise econômica quando chegou a notícia de que o presidente Costa e Silva estava doente e precisava afastar-se do governo. Mais tarde se saberia que ele sofrera um derrame.

Foi feita uma nova capa e uma reportagem sobre a situação do presidente e as implicações de seu afastamento. Outra edição atualizada chegou às bancas na segunda-feira.

17 de outubro de 1990
A reportagem principal tratava do romance entre os ministros Zélia Cardoso de Mello, da Economia, e Bernardo Cabral, da Justiça, e suas desastrosas conse-qüências políticas

Na madrugada de sábado, Cabral foi demitido, em função do caso. A impressão da revista foi suspensa, 110 000 capas já impressas foram para o lixo, en-quanto uma nova manchete e nova reportagem eram providenciadas.

19 de agosto de 1992
O principal assunto da semana era o sucesso do humorista Jô Soares com seu programa de entrevistas na televisão.

Na noite de sexta-feira, o perfil de Jô Soares foi substituído pelas manifestações dos estudantes caras-pintadas a favor do impeachment do presidente Fernando Collor.

22 de novembro de 1995
A revista fechou na madrugada de sábado com uma reportagem sobre a quebra do Banco Nacional e as negociações de sua venda para o Unibanco.

Às 10 horas da manhã daquele dia foi concluída a transferência de controle do banco. A impressão foi suspensa e a reportagem atualizada.

9 de setembro de 1998
Os perigos da vida moderna que ameaçam a adolescência eram o principal destaque da semana.

Na noite de sexta-feira, a fuga de dólares e as medidas para enfrentar a crise financeira internacional ganharam prioridade na revista.


DESCULPE, VEJA ERROU
Como as melhores publicações do mundo, VEJA também cometeu erros. Confira alguns exemplos:

EXTRATERRESTRE
Toríbio Pereira, de 41 anos, contou que fora imobilizado pela ação de um raio luminoso emitido por um aparelho manejado pelos tripulantes de um disco voador. Quase simultaneamente estranhas luzes coloridas em forma de disco, gota e esfera passaram a mover-se de noite sobre os campos vizinhos à cidade de Lins, no interior de São Paulo. Milhares de habitantes da cidade já as observaram. Enio Squeff e Carlos Namba, repórteres de VEJA, viram-nas também.
30 de outubro de 1968 — Sobre a existência de extraterrestres

O MONSTRO ASSUSTADO
Em junho passado, câmaras conjugadas com poderosos holofotes obtiveram slides ainda inéditos de Nessie, o monstro de Loch Ness. Suficientemente claras para que os cientistas identifiquem um plessiossauro, animal supostamente extinto há 70 milhões de anos.
3 de dezembro de 1975 — VEJA dedicou seis reportagens ao monstro do lago escocês. Em cinco, citou evidências científicas de sua existência. Na última, em 1994, revelou que o monstro era uma fraude

BOIMATE
Num ousado avanço da biologia molecular, dois biólogos de Hamburgo, na Alemanha, fundiram pela primeira vez células animais com células vegetais - as de um tomateiro com as de um boi. Deu certo.
27 de abril de 1983 — Depois de ouvir cientistas brasileiros respeitados, VEJA publicou uma reportagem a partir de uma brincadeira de 1º de abril da revista New Scientist

A CURA DO CÂNCER
Ombreadas com Lily (de Carvalho), estão grandes damas, como Carmen Mayrink Veiga — que no caminho inverso de Lily atravessa um momento difícil tratando-se de um câncer em Paris.
21 de dezembro de 1988 — A doença diagnosticada nunca existiu

PERNAS FANTASMAS
18 de fevereiro de 1998 — Para não repetir a imagem do cineasta Bruno Barreto na mesma página, VEJA fez retoques e o retirou de uma fotografia ao lado de sua família. Mas deixou suas pernas debaixo da cadeira em que se sentava o chefe do clã, Luiz Carlos

 


   




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