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| Economia e Negócios |
Menos de 24 horas
depois de subir a rampa do Planalto, Collor detonou uma
bomba nuclear sobre a economia. Sua marca é o confisco
de toda importância superior a 50.000 cruzados novos
depositada nas cadernetas de poupança e nas contas
correntes e de 80% das aplicações no over e demais
produtos financeiros. Collor II, o desastre Sarney levou cinco
anos para fazer seus três planos fracassados. Collor, em
apenas dez meses, já está experimentando o segundo.
Assim como Sylvester Stallone está no seu Rocky V, o
Brasil, depois de ter sobrevivido ao Sarney III, assiste
agora ao Collor II. A continuar nesse ritmo, no fim do
mandato estaremos vendo o Collor X. Isso se o cinema não
for destruído antes. FHC prepara o Real Nos dez meses da
gestão do ministro Fernando Henrique Cardoso, as pessoas
têm acompanhado uma movimentação nervosa em Brasília
em torno de um plano para combater a inflação, depois
do fracasso de cinco congelamentos. Chegou a hora. Na
semana passada, o novo plano de estabilização da
economia começou a andar. "Agora não tem mais
volta. O Brasil vai baixar a inflação", diz
Fernando Henrique.
Manifestantes de
esquerda chutaram representantes dos bancos e corretoras
envolvidos na privatização da Companhia Siderúrgica
Nacional, mas o monumento do Estado Novo ruiu assim
mesmo. Acabou o monopólio O povo assistiu
bestializado à quebra do monopólio da Petrobras. A
emenda foi aprovada na Câmara sem o protesto dos
adversários e sem comícios de quem festeja a mudança.
Não fosse pelo gosto da encenação, os caciques do
monopólio, Luís Inácio Lula da Silva e Leonel Brizola,
teriam feito mais do que posar para fotografias diante de
bandeiras dizendo que o petróleo é deles.
Na segunda-feira
passada, as reservas estavam em 38 bilhões de dólares.
Graças a um comunicado do Banco Central, em apenas cinco
dias 2 bilhões de dólares deixaram o país. O que
aconteceu serviu para que os brasileiros acreditassem que
o diabo existe e freqüenta a América Latina. O susto do urso Desde que o urso
russo deu seu primeiro sinal de agonia, o Brasil perdeu
um total de 15 bilhões de dólares. O que se está
assistindo neste momento é a uma torção econômica
violenta. Há quem sustente que o tremor do final do
século será memorável.
O senador Antonio
Carlos Magalhães fervia e bufava, exigindo que o Banco
Central suspendesse a intervenção no Banco Econômico.
"Você é um moleque f. da p.", gritou o
senador para Gustavo Loyola, presidente do BC, num
telefonema. "Vou passar por cima de você. Quem é
você para fechar um banco na Bahia? Lá, as coisas não
são assim." O buraco é maior O rombo do Nacional
não é de 4,6 bilhões de reais como se imaginava em
fevereiro, quando VEJA revelou a fraude. Cálculos mais
exatos mostram que já chegou a 6,7 bilhões. É essa a
quantidade de dinheiro que o governo terá de enterrar no
Nacional. O senador sem-banco O senador
paranaense José Eduardo Andrade Vieira não é mais
banqueiro. Na semana passada, o Banco Central tomou-lhe o
Bamerindus das mãos. Por cortesia, o presidente do BC,
Gustavo Loyola, chamou o senador para uma conversa em
Brasília, Vieira protestou. Saiu do encontro dizendo que
iria falar com o presidente. Foi para a mãe-de-santo Nelson Sakagushi,
pivô da maior fraude bancária já descoberta no país,
ocorrida no banco Noroeste, tem sido espremido
exaustivamente por detetives para contar onde enfiou 242
milhões de dólares. Ele repete sempre que 210 milhões
foram aplicados num misterioso fundo na Nigéria e que 18
milhões foram entregues a uma mãe-de-santo.
A construtora Encol
era uma estupenda máquina de fraudes. VEJA teve acesso a
uma série de documentos confidenciais da construtora e
descobriu um quadro estarrecedor.
Uma das melhores piadas sobre o antigo regime soviético conta a história de um habitante de Moscou que, em 1975, foi até a loja comprar uma geladeira. Na hora de pagar, foi informado de que o eletrodoméstico seria entregue em 1981. De manhã ou
de tarde? Para os brasileiros, fica difícil
ouvir uma piada dessas e não se lembrar da Telebrás, a estatal cuja privatização
está marcada para esta quarta-feira.
Fotos: Oscar Cabral/20th Century Fox
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