Economia
e Negócios
 


Inflação
O incrível confisco

Menos de 24 horas depois de subir a rampa do Planalto, Collor detonou uma bomba nuclear sobre a economia. Sua marca é o confisco de toda importância superior a 50.000 cruzados novos depositada nas cadernetas de poupança e nas contas correntes e de 80% das aplicações no over e demais produtos financeiros.
(21 de março de 1990)

Collor II, o desastre

Sarney levou cinco anos para fazer seus três planos fracassados. Collor, em apenas dez meses, já está experimentando o segundo. Assim como Sylvester Stallone está no seu Rocky V, o Brasil, depois de ter sobrevivido ao Sarney III, assiste agora ao Collor II. A continuar nesse ritmo, no fim do mandato estaremos vendo o Collor X. Isso se o cinema não for destruído antes.
(6 de fevereiro de 1991)

FHC prepara o Real

Nos dez meses da gestão do ministro Fernando Henrique Cardoso, as pessoas têm acompanhado uma movimentação nervosa em Brasília em torno de um plano para combater a inflação, depois do fracasso de cinco congelamentos. Chegou a hora. Na semana passada, o novo plano de estabilização da economia começou a andar. "Agora não tem mais volta. O Brasil vai baixar a inflação", diz Fernando Henrique.
(2 de março de 1994)

Estatais
Fim de uma era

Manifestantes de esquerda chutaram representantes dos bancos e corretoras envolvidos na privatização da Companhia Siderúrgica Nacional, mas o monumento do Estado Novo ruiu assim mesmo.
(7 de abril de 1993)

Acabou o monopólio

O povo assistiu bestializado à quebra do monopólio da Petrobras. A emenda foi aprovada na Câmara sem o protesto dos adversários e sem comícios de quem festeja a mudança. Não fosse pelo gosto da encenação, os caciques do monopólio, Luís Inácio Lula da Silva e Leonel Brizola, teriam feito mais do que posar para fotografias diante de bandeiras dizendo que o petróleo é deles.
(14 de junho de 1995)

Banco Central
Fuga de dólares

Na segunda-feira passada, as reservas estavam em 38 bilhões de dólares. Graças a um comunicado do Banco Central, em apenas cinco dias 2 bilhões de dólares deixaram o país. O que aconteceu serviu para que os brasileiros acreditassem que o diabo existe e freqüenta a América Latina.
(15 de março de 1995)

O susto do urso

Desde que o urso russo deu seu primeiro sinal de agonia, o Brasil perdeu um total de 15 bilhões de dólares. O que se está assistindo neste momento é a uma torção econômica violenta. Há quem sustente que o tremor do final do século será memorável.
(9 de setembro de 1998)

Bancos
Moleque f. da p.

O senador Antonio Carlos Magalhães fervia e bufava, exigindo que o Banco Central suspendesse a intervenção no Banco Econômico. "Você é um moleque f. da p.", gritou o senador para Gustavo Loyola, presidente do BC, num telefonema. "Vou passar por cima de você. Quem é você para fechar um banco na Bahia? Lá, as coisas não são assim."
(23 de agosto de 1995)

O buraco é maior

O rombo do Nacional não é de 4,6 bilhões de reais como se imaginava em fevereiro, quando VEJA revelou a fraude. Cálculos mais exatos mostram que já chegou a 6,7 bilhões. É essa a quantidade de dinheiro que o governo terá de enterrar no Nacional.
(5 de junho de 1996)

O senador sem-banco

O senador paranaense José Eduardo Andrade Vieira não é mais banqueiro. Na semana passada, o Banco Central tomou-lhe o Bamerindus das mãos. Por cortesia, o presidente do BC, Gustavo Loyola, chamou o senador para uma conversa em Brasília, Vieira protestou. Saiu do encontro dizendo que iria falar com o presidente.
(2 de abril de 1997)

Foi para a mãe-de-santo

Nelson Sakagushi, pivô da maior fraude bancária já descoberta no país, ocorrida no banco Noroeste, tem sido espremido exaustivamente por detetives para contar onde enfiou 242 milhões de dólares. Ele repete sempre que 210 milhões foram aplicados num misterioso fundo na Nigéria e que 18 milhões foram entregues a uma mãe-de-santo.
(8 de abril de 1998)

Negócios
A fraude na Encol

A construtora Encol era uma estupenda máquina de fraudes. VEJA teve acesso a uma série de documentos confidenciais da construtora e descobriu um quadro estarrecedor.
(27 de agosto de 1997)

Privatização
Telefone para todos

Uma das melhores piadas sobre o antigo regime soviético conta a história de um habitante de Moscou que, em 1975, foi até a loja comprar uma geladeira. Na hora de pagar, foi informado de que o eletrodoméstico seria entregue em 1981.

— De manhã ou de tarde?
— Que diferença faz? — quis saber o funcionário da loja.
— É que eu comprei um fogão no ano passado, eles marcaram a entrega para o mesmo dia e quero organizar a agenda.

Para os brasileiros, fica difícil ouvir uma piada dessas e não se lembrar da Telebrás, a estatal cuja privatização está marcada para esta quarta-feira.
(29 de julho de 1998)

Eles marcaram a década

O líder e vocalista do Legião Urbana, Renato Russo, ídolo do rock brasileiro, é mais uma vítima da Aids (1996) Nova versão do filme Titanic, dirigido por James Cameron, leva milhões de pessoas aos cinemas de todo o mundo (1998)

Fotos: Oscar Cabral/20th Century Fox




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