Internacional
 


1994 MANDELA PRESIDENTE:
"Nelson Mandela, o preso político,
o terrorista, o cafre abominado
pela minoria branca que mandou
e desmandou na África do Sul,
já fala como presidente da nação"

Alemanha
Cai o Muro de Berlim

O esboroamento do Muro de Berlim serve de símbolo para um dos maiores fatos históricos do século XX. A queda do muro ao qual confluíram todos os embates políticos dos últimos setenta anos serve de emblema para o fim da idéia comunista.
(15 de novembro de 1989)

Oriente Médio
Saddam invade o Kuwait

Tudo estava caminhando bem demais nos últimos tempos. Caiu o Muro de Berlim, a Guerra Fria acabou, as superpotências podavam seus arsenais. O desmancha-prazeres se chama Saddam Hussein. Numa guerra relâmpago, o ditador iraquiano invadiu e ocupou o Kuwait.
(8 de agosto de 1990)

A Guerra do Golfo

A noite sem lua em Bagdá virou dia. Era a primeira guerra quente do mundo pós-Guerra Fria. Uma guerra pós-moderna, como nunca se viu antes fora das telas do cinema e dos monitores de videogame. Uma guerra com nome de filme — Tempestade no Deserto —, assistida ao vivo pela televisão e destinada a dobrar um ditador de opereta, mas sanguinário.
(23 de janeiro de 1991)

Ex-Iugoslávia
A Bósnia está em paz

Agora é para valer. Depois de três anos e meio de combates, 250.000 mortos e 35 cessar-fogos assinados e desrespeitados, a guerra na Bósnia-Herzegovina chega ao seu final.
(29 de novembro de 1995)

Cuba
Fidel, Maksoud e você

Não há melhor prova de que o socialismo funciona no Caribe do que um discurso de Fidel feito há duas semanas. Parecia o programa Henry Maksoud e Você, só que apresentado por Saddam Hussein, e foi tão chato quanto escutar Marília Pêra durante três horas explicando por que é patrulhada e reclamando que ninguém a entende. Os cubanos adoraram quando Fidel analisou a economia americana ("los yankees están arruinados!") e a européia ("una tragedia"). Segundo o comandante, só Cuba vai bem.
(7 de agosto de 1991)

Rússia
O império faz água

Os presidentes das repúblicas da Rússia, Ucrânia e Bielo-Rússia assinaram um acordo revogando a entidade majestosa e temida, com extensão correspondente a um sexto da superfície do planeta, a União Soviética. Não é todo dia que se assiste ao desmoronamento de um império. Imagine-se ter-se visto o dia em que desmoronou o império de Alexandre, o de Carlos Magno ou o de Bonaparte.
(18 de dezembro de 1991)

Treme o capitalismo

O que Stalin, Kruschev e Leonid Brejnev não conseguiram em setenta anos de comunismo o presidente russo Boris Ieltsin realizou em apenas seis: fez tremer o capitalismo. Há duas semanas ele declarou moratória da dívida externa das empresas privadas russas. A História tem ensinado que, no caso da Rússia, as piores previsões não só se concretizam, mas se superam.
(2 de setembro de 1998)

Europa
A unificação européia

Com o toque de emoção e a cenografia espetacular dos grandes momentos da História, o maior mercado livre do mundo nascerá na Europa à 0 hora desta sexta-feira. A crescente integração entre as economias está levando o mundo rapidamente para um futuro sem fronteiras.
(6 de janeiro de 1993)

África do Sul
Mandela vence eleições

Ele é um homem de 75 anos, uma figura venerável. Vai votar pela primeira vez na vida. Ele já foi o prisioneiro número 466/64, julgado e condenado à prisão perpétua por traição, sabotagem e conspiração para derrubar o governo. Nelson Rolihlahla Mandela já fala como presidente de toda a nação.
(4 de maio de 1994)

Estados Unidos
Atentado em Oklahoma

Foram dois choques. Primeiro, o bárbaro atentado com um carro-bomba na porta de um prédio de repartições públicas em Oklahoma City, cidade do Meio-Oeste. Até agora deixou 65 corpos e calculava-se que outros 150 ainda seriam encontrados. Veio, então, o segundo choque. Os suspeitos não eram homens de pele morena e Corão na mão. Eram americanos da gema.
(26 de abril de 1995)

Nas mãos de Monica e na boca do povo

Nem o pior inimigo poderia tramar uma armadilha mais destrutiva para o presidente Bill Clinton. Ele não consegue explicar a uma opinião pública atônita como existem dezessete fitas gravadas nas quais uma ex-funcionária da Casa Branca, Monica Lewinsky, de 24 anos, fala longamente sobre um caso amoroso que teve com o presidente.
(28 de janeiro de 1998)

China
Morre Deng

Aos sôfregos olhos ocidentais, Deng Xiaoping vai para o forno crematório com um feito sem precedentes: nenhum líder, em tempo algum, melhorou tanto a vida de tanta gente em tão pouco tempo.
(26 de fevereiro de 1997)

Inglaterra
O tucano Tony Blair

Os ingleses escolheram o voto contra. Encerrando dezoito anos de governo conservador, elegeram o líder trabalhista Tony Blair. O novo primeiro-ministro é um tipo de político que, se morasse no Brasil, ficaria mais à vontade no PSDB do que no PT.
(7 de maio de 1997)

Fim trágico de Diana

Diana Spencer conseguiu o que a mais ambiciosa das mulheres nem ousaria sonhar. O que em vida já se sabia se amplificou excepcionalmente depois que a tragédia, absurda, incompreensível, como todas as tragédias, cruzou o seu caminho num túnel de Paris, no começo da madrugada do dia 31 de agosto. Diana foi amada, intensamente amada, na Inglaterra e no resto de um mundo carente de figuras notáveis.
(10 de setembro de 1997)

Hong Kong
De volta para a China

Relíquia de uma era em que a ordem natural das coisas incluía o sol, as estrelas e o império britânico, Hong Kong será devolvida à China. Caso a China ache mais vantajoso transformar a antiga colônia em apenas mais uma cidade chinesa, será uma grande perda. Hong Kong é uma experiência única no planeta. Vê-la destruída pela corrupção endêmica, entregue à ganância dos burocratas, não vai fazer nada bem nem ao capitalismo nem ao comunismo.
(25 de junho de 1997)

Camboja
Pol Pot está morto

Dessa vez não podia haver dúvida. Sobre um colchão sem lençol, o corpo de um velho, inerme, com a boca aberta, exibia os sinais inconfundíveis da morte. Líder de uma revolução de camponeses, Pol Pot esteve no poder entre 1975 e 1979. Foi um regime excepcionalmente brutal, num século em que não faltaram concorrentes. As organizações que tentam fazer um balanço do saldo de mortos nesse período calculam atualmente entre 1,7 milhão e 2 milhões de pessoas, cerca de 20% da população.
(22 de abril de 1998)

Eles marcaram a década

Má administração provoca a intervenção do Banco Central no Econômico, de Ângelo Calmon de Sá (1995) À frente do Movimento dos Sem-Terra, João Pedro Stedile torna cotidianas as invasões de terra (1996) Durante dez anos o Banco Nacional de Marcos Magalhães Pinto falsificou números e escondeu que estava quebrado (1996)

Fotos: Gamma/Ag. Estado/Sergio Dutti/Antonio Milena/Andre Penner/Antonio Rodrigues




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