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Internacional
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O esboroamento do
Muro de Berlim serve de símbolo para um dos maiores
fatos históricos do século XX. A queda do muro ao qual
confluíram todos os embates políticos dos últimos
setenta anos serve de emblema para o fim da idéia
comunista.
Tudo estava
caminhando bem demais nos últimos tempos. Caiu o Muro de
Berlim, a Guerra Fria acabou, as superpotências podavam
seus arsenais. O desmancha-prazeres se chama Saddam
Hussein. Numa guerra relâmpago, o ditador iraquiano
invadiu e ocupou o Kuwait. A Guerra do Golfo A noite sem lua em
Bagdá virou dia. Era a primeira guerra quente do mundo
pós-Guerra Fria. Uma guerra pós-moderna, como nunca se
viu antes fora das telas do cinema e dos monitores de
videogame. Uma guerra com nome de filme Tempestade
no Deserto , assistida ao vivo pela televisão e
destinada a dobrar um ditador de opereta, mas
sanguinário.
Agora é para
valer. Depois de três anos e meio de combates, 250.000
mortos e 35 cessar-fogos assinados e desrespeitados, a
guerra na Bósnia-Herzegovina chega ao seu final.
Não há melhor
prova de que o socialismo funciona no Caribe do que um
discurso de Fidel feito há duas semanas. Parecia o
programa Henry Maksoud e Você, só que
apresentado por Saddam Hussein, e foi tão chato quanto
escutar Marília Pêra durante três horas explicando por
que é patrulhada e reclamando que ninguém a entende. Os
cubanos adoraram quando Fidel analisou a economia
americana ("los yankees están arruinados!") e
a européia ("una tragedia"). Segundo o
comandante, só Cuba vai bem.
Os presidentes das
repúblicas da Rússia, Ucrânia e Bielo-Rússia
assinaram um acordo revogando a entidade majestosa e
temida, com extensão correspondente a um sexto da
superfície do planeta, a União Soviética. Não é todo
dia que se assiste ao desmoronamento de um império.
Imagine-se ter-se visto o dia em que desmoronou o
império de Alexandre, o de Carlos Magno ou o de
Bonaparte. Treme o capitalismo O que Stalin,
Kruschev e Leonid Brejnev não conseguiram em setenta
anos de comunismo o presidente russo Boris Ieltsin
realizou em apenas seis: fez tremer o capitalismo. Há
duas semanas ele declarou moratória da dívida externa
das empresas privadas russas. A História tem ensinado
que, no caso da Rússia, as piores previsões não só se
concretizam, mas se superam.
Com o toque de
emoção e a cenografia espetacular dos grandes momentos
da História, o maior mercado livre do mundo nascerá na
Europa à 0 hora desta sexta-feira. A crescente
integração entre as economias está levando o mundo
rapidamente para um futuro sem fronteiras.
Ele é um homem de
75 anos, uma figura venerável. Vai votar pela primeira
vez na vida. Ele já foi o prisioneiro número 466/64,
julgado e condenado à prisão perpétua por traição,
sabotagem e conspiração para derrubar o governo. Nelson
Rolihlahla Mandela já fala como presidente de toda a
nação.
Foram dois choques.
Primeiro, o bárbaro atentado com um carro-bomba na porta
de um prédio de repartições públicas em Oklahoma
City, cidade do Meio-Oeste. Até agora deixou 65 corpos e
calculava-se que outros 150 ainda seriam encontrados.
Veio, então, o segundo choque. Os suspeitos não eram
homens de pele morena e Corão na mão. Eram
americanos da gema. Nas mãos de Monica e na boca do povo Nem o pior inimigo
poderia tramar uma armadilha mais destrutiva para o
presidente Bill Clinton. Ele não consegue explicar a uma
opinião pública atônita como existem dezessete fitas
gravadas nas quais uma ex-funcionária da Casa Branca,
Monica Lewinsky, de 24 anos, fala longamente sobre um
caso amoroso que teve com o presidente.
Aos sôfregos olhos
ocidentais, Deng Xiaoping vai para o forno crematório
com um feito sem precedentes: nenhum líder, em tempo
algum, melhorou tanto a vida de tanta gente em tão pouco
tempo.
Os ingleses
escolheram o voto contra. Encerrando dezoito anos de
governo conservador, elegeram o líder trabalhista Tony
Blair. O novo primeiro-ministro é um tipo de político
que, se morasse no Brasil, ficaria mais à vontade no
PSDB do que no PT. Fim trágico de Diana Diana Spencer
conseguiu o que a mais ambiciosa das mulheres nem ousaria
sonhar. O que em vida já se sabia se amplificou
excepcionalmente depois que a tragédia, absurda,
incompreensível, como todas as tragédias, cruzou o seu
caminho num túnel de Paris, no começo da madrugada do
dia 31 de agosto. Diana foi amada, intensamente amada, na
Inglaterra e no resto de um mundo carente de figuras
notáveis.
Relíquia de uma
era em que a ordem natural das coisas incluía o sol, as
estrelas e o império britânico, Hong Kong será
devolvida à China. Caso a China ache mais vantajoso
transformar a antiga colônia em apenas mais uma cidade
chinesa, será uma grande perda. Hong Kong é uma
experiência única no planeta. Vê-la destruída pela
corrupção endêmica, entregue à ganância dos
burocratas, não vai fazer nada bem nem ao capitalismo
nem ao comunismo.
Dessa vez não
podia haver dúvida. Sobre um colchão sem lençol, o
corpo de um velho, inerme, com a boca aberta, exibia os
sinais inconfundíveis da morte. Líder de uma
revolução de camponeses, Pol Pot esteve no poder entre
1975 e 1979. Foi um regime excepcionalmente brutal, num
século em que não faltaram concorrentes. As
organizações que tentam fazer um balanço do saldo de
mortos nesse período calculam atualmente entre 1,7
milhão e 2 milhões de pessoas, cerca de 20% da
população.
Fotos: Gamma/Ag. Estado/Sergio Dutti/Antonio Milena/Andre Penner/Antonio Rodrigues
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