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Brasil |
Francisco Alves
Mendes Filho pegou uma toalha e virou-se para a mulher.
"Vou tomar um banho." Com uma lanterna na mão
para iluminar o quintal de casa, onde fica o banheiro,
ele abriu a porta da cozinha. Um tiro de escopeta jogou
Chico Mendes ao chão. Na noite de quinta-feira 22, em
Xapuri, o vale-tudo da questão social produziu um de
seus cadáveres mais ilustres e um dos mais
humildes. Tragédia na favela Madrugada de
domingo 29, favela de Vigário Geral, Rio de Janeiro.
Quatro PMs são assassinados com tiros de AR-15 e
disparos de pistolas automáticas. Madrugada de segunda
30. Cerca de trinta homens encapuzados se espalham pela
favela. Em sessenta minutos, 21 moradores foram
executados. Vinte trabalhadores e uma estudante. Nenhum
dos mortos teve chance de se defender. Assassinato dos meninos na Candelária O nome que se dá
ao que aconteceu na noite de quinta para sexta-feira no
centro do Rio de Janeiro é chacina. O chocante é que as
vítimas foram sete crianças e jovens de 11 a 22 anos.
Passava da meia-noite e uns quarenta meninos de rua
dormiam sob as marquises de edifícios que margeiam a
Igreja da Candelária. Chegaram dois Chevette. Eram seis
homens. Seguiu-se a barulheira de uma fuzilaria. Sangue no Pará Na terça-feira
passada, 1.500 sem-terra ocupavam uma rodovia no Pará
para protestar contra a demora do governo federal em
assentar suas famílias. O governador Almir Gabriel deu a
ordem:"Desobstruam a estrada". No dia seguinte,
os policiais chegaram a Eldorado dos Carajás. Atiraram
primeiro para o alto, para assustar. Depois para baixo,
para ferir. Não se contabilizou o número de assustados.
Mas, até o fim de semana, já haviam sido contabilizados
dezenove mortos e 51 feridos. Matei. Fui eu. Você
matou algumas daquelas mulheres, Francisco? Francisco de Assis
Pereira confessou ser o maníaco do Parque do Estado, o
suspeito mais procurado pela polícia brasileira. A
confissão foi ouvida por VEJA.
O problema número
1 do Planalto na semana passada foi o romance entre
Zélia Cardoso de Mello e Bernardo Cabral. Na manhã de
sábado, Cabral apresentou sua demissão ao presidente
Collor, que a aceitou. Se Zélia e Cabral fossem
solteiros, o romance teria um certo charme. Mas, como
Cabral é casado, pode ser enquadrado no crime de
adultério. A ministra Zélia Cardoso de Mello pode ser
considerada cúmplice. O livro brega da ministra O livro Zélia,
uma Paixão é um escândalo de breguice
sentimentalóide. Escândalo de fofocas. Escândalo da
mistificação. Da leitura, percebe-se que Zélia posava
de Margaret Thatcher, mas era tudo fraude. Pelo livro,
percebe-se que Cabral domina bem a arte de seduzir moças
tolas.
Aos 38 anos, o
deputado Cleto Falcão, líder do PRN na Câmara, ganha,
7.500 dólares por mês e, conforme suas próprias
contas, vive como se ganhasse quase quatro vezes mais.
"Os amigos me ajudam", diz.
Itamar desabrocha ao lado da sem-calcinha Quando a Viradouro
entrou na Marquês de Sapucaí, o presidente começou a
se animar. O entusiasmo chegou ao ápice quando Itamar
vislumbrou, com os seios à mostra, Lilian Ramos.
Terminada a apresentação, a moça foi recebida no
camarote por Itamar. Conversa vai, conversa vem, a
temperatura foi subindo. Ela enlaçava o pescoço dele,
sambando. Ele pousava as mãos sobre a perna dela.
Cordata, Lilian Ramos atendeu ao pedido dos fotógrafos
para que levantasse os braços quando sambava. Junto com
os braços subia a camiseta e evidenciava-se a ausência
da calcinha enquanto os flashes dos fotógrafos
espoucavam loucamente. Com esse comportamento, o
presidente Itamar ficou menos presidente e mais Itamar.
Monotonia estimulante O que tem feito
história no Brasil é o golpe, a sucessão traumática,
o suicídio, a renúncia, a exceção fardada, o
impeachment e, ultimamente, essa peculiaridade de colocar
vices no Palácio do Planalto. Fernando Henrique não.
Pode uma mudança de governo ser tão previsível, tão
monótona e ao mesmo tempo tão estimulante como essa da
semana passada?
Pedro Collor só
chama o empresário PC Farias de "Lepra
Ambulante". Ao se referir a Pedro, PC também não
é amistoso. "Aquele moleque tem uma inteligência
desse tamaninho e toma doses de vodca desse
tamanhão", diz. O que faz o conflito atravessar as
fronteiras de Alagoas é um dossiê que Pedro tem em suas
mãos sobre o Lepra Ambulante. "Se esse material se
tornasse público, o impeachment poderia ocorrer em 72
horas", disse o irmão mais novo de Collor. 50 milhões lá fora VEJA teve acesso à seção "negócios
internacionais" do Dossiê Pedro Collor. Os documentos mostram que
PC Farias tem participação em pelo menos nove empresas no exterior. Segundo
especialistas, tal articulação de empresas é feita quando se precisa movimentar
um capital da ordem de 50 milhões de dólares (veja entrevista). Os jardins da Dinda Os jardins
babilônicos de Fernando Affonso Collor de Mello são a
sétima maravilha da corrupção do governo. Para dar um
toque final na megalomania vegetal, há cinco grandes
cachoeiras de águas cristalinas. O sibarita só aciona o
mecanismo eletrônico que faz as cascatas ciciarem quando
estão presentes os sicofantas e sacripantas de sua
intimidade. Presidente é afastado O presidente
Fernando Collor de Mello foi afastado do cargo que
ocupava desde 15 de março de 1990. O voto de 441
deputados a favor do seu julgamento no Senado, dado em
alto e bom som na memorável sessão de terça-feira
passada, apeou a cáfila de salteadores que ocupou a
Presidência. Pedro Collor tem câncer Pedro Collor de
Mello tem quatro tumores malignos no cérebro. A área
afetada é tão grande que torna impossível um
tratamento cirúrgico. Amante matou PC Farias O professor
Fortunato Badan Palhares tem em mãos as principais
conclusões do inquérito sobre o assassinato do caixa de
campanha de Fernando Collor de Mello. Suzana Marcolino da
Silva matou Paulo César Farias e se matou em seguida.
Descarta-se inteiramente a hipótese de que PC Farias
tenha morrido vítima de um complô. Mortes abalam o país Chocado pelas
mortes consecutivas do ministro Sergio Motta e do
deputado Luís Eduardo Magalhães, o país percebeu desde
o primeiro momento que Brasília estava com um rombo no
casco de grandes proporções. Fernando Henrique Cardoso
perdeu muito. O PFL e o PSDB também. E, acima de todos,
perde o Brasil, porque foi sangrado o projeto de
modernização do país, que tinha em Motta e Luís
Eduardo dois de seus maiores defensores.
Na sexta-feira, José Carlos Alves
dos Santos quebrou o silêncio numa entrevista exclusiva a VEJA. Foi um
depoimento espantoso. O economista descreveu o funcionamento de um sistema
articulado para arrancar verbas do governo e distribuir propinas. Envolveu
ex-ministros, atuais ministros, governadores, senadores, deputados e,
principalmente, a si mesmo. Segundo o economista, o mestre do esquema
era o deputado João Alves, do PFL baiano (veja entrevista).
Eram quase 11 da
noite quando o DC-10 da Varig taxiava no Rio de Janeiro.
Separando os 22 jogadores e uma massa de 800 000 pessoas
que os aguardava havia a alfândega. O chefe da Receita,
Osiris Lopes Filho, teve o bom senso de autorizar os
jogadores a sair do aeroporto com a bagagem de mão. No
dia seguinte, poderiam desembaraçar a bagagem. Mas os
cartolas da Confederação Brasileira de Futebol, CBF,
esbravejaram e os jogadores engrossaram, ameaçando
devolver medalhas e não desfilar. A República de Juiz
de Fora, atônita, vacilou, submeteu-se à chantagem. A
muamba que a comitiva trazia foi liberada. Osiris Lopes
Filho se demitiu. Os jogadores ficaram irritados com a
fama de muambeiros. O que era uma festa gerou uma crise.
Foi preciso o
desabamento de um pedaço de uma de suas obras, o
edifício Palace II, na semana passada, levando à morte
oito pessoas, para que o Brasil, atônito, descobrisse
detalhes espantosos da vida do deputado federal Sérgio
Naya (PPB-MG), um dos maiores picaretas de que já se
teve notícia neste país.
Fotos: Ag. Estado/Ag. O Globo/Joel Rocha//Moreira Mariz/Claudio Versiani
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