Brasil

 


1993 MORTE NA
CANDELARIA:
"Quarenta
'meninos de rua' dormiam
nas imediações da Igreja da
Candelária. Chegaram seis
homens. Seguiu-se a
barulheira de uma fuzilaria.
As vítimas foram sete crianças
e jovens de 11 a 22 anos"

Polícia
Morre Chico Mendes

Francisco Alves Mendes Filho pegou uma toalha e virou-se para a mulher. "Vou tomar um banho." Com uma lanterna na mão para iluminar o quintal de casa, onde fica o banheiro, ele abriu a porta da cozinha. Um tiro de escopeta jogou Chico Mendes ao chão. Na noite de quinta-feira 22, em Xapuri, o vale-tudo da questão social produziu um de seus cadáveres mais ilustres — e um dos mais humildes.
(4 de janeiro de 1989)

Tragédia na favela

Madrugada de domingo 29, favela de Vigário Geral, Rio de Janeiro. Quatro PMs são assassinados com tiros de AR-15 e disparos de pistolas automáticas. Madrugada de segunda 30. Cerca de trinta homens encapuzados se espalham pela favela. Em sessenta minutos, 21 moradores foram executados. Vinte trabalhadores e uma estudante. Nenhum dos mortos teve chance de se defender.
(8 de setembro de 1993)

Assassinato dos meninos na Candelária

O nome que se dá ao que aconteceu na noite de quinta para sexta-feira no centro do Rio de Janeiro é chacina. O chocante é que as vítimas foram sete crianças e jovens de 11 a 22 anos. Passava da meia-noite e uns quarenta meninos de rua dormiam sob as marquises de edifícios que margeiam a Igreja da Candelária. Chegaram dois Chevette. Eram seis homens. Seguiu-se a barulheira de uma fuzilaria.
(28 de julho de 1993)

Sangue no Pará

Na terça-feira passada, 1.500 sem-terra ocupavam uma rodovia no Pará para protestar contra a demora do governo federal em assentar suas famílias. O governador Almir Gabriel deu a ordem:"Desobstruam a estrada". No dia seguinte, os policiais chegaram a Eldorado dos Carajás. Atiraram primeiro para o alto, para assustar. Depois para baixo, para ferir. Não se contabilizou o número de assustados. Mas, até o fim de semana, já haviam sido contabilizados dezenove mortos e 51 feridos.
(24 de abril de 1996)

Matei. Fui eu.

Você matou algumas daquelas mulheres, Francisco?
Matei.
Quais?
Todas.
Quantas mulheres você matou?
Nove.
Você matou Isadora?
Matei. Fui eu.

Francisco de Assis Pereira confessou ser o maníaco do Parque do Estado, o suspeito mais procurado pela polícia brasileira. A confissão foi ouvida por VEJA.
(12 de agosto de 1998)

Zélia
Romance adúltero dos ministros

O problema número 1 do Planalto na semana passada foi o romance entre Zélia Cardoso de Mello e Bernardo Cabral. Na manhã de sábado, Cabral apresentou sua demissão ao presidente Collor, que a aceitou. Se Zélia e Cabral fossem solteiros, o romance teria um certo charme. Mas, como Cabral é casado, pode ser enquadrado no crime de adultério. A ministra Zélia Cardoso de Mello pode ser considerada cúmplice.
(17 de outubro de 1990)

O livro brega da ministra

O livro Zélia, uma Paixão é um escândalo de breguice sentimentalóide. Escândalo de fofocas. Escândalo da mistificação. Da leitura, percebe-se que Zélia posava de Margaret Thatcher, mas era tudo fraude. Pelo livro, percebe-se que Cabral domina bem a arte de seduzir moças tolas.
(23 de outubro de 1991)

Governo
A vida mansa do deputado Cleto

Aos 38 anos, o deputado Cleto Falcão, líder do PRN na Câmara, ganha, 7.500 dólares por mês e, conforme suas próprias contas, vive como se ganhasse quase quatro vezes mais. "Os amigos me ajudam", diz.
(27 de novembro de 1991)

1994 O X DA QUESTÃO:
"Lilian Ramos levantava os
braços, subia a camiseta e
evidenciava a ausência da
calcinha. Com esse
comportamento, o presidente
Itamar ficou menos
presidente e mais Itamar"

Itamar desabrocha ao lado da sem-calcinha

Quando a Viradouro entrou na Marquês de Sapucaí, o presidente começou a se animar. O entusiasmo chegou ao ápice quando Itamar vislumbrou, com os seios à mostra, Lilian Ramos. Terminada a apresentação, a moça foi recebida no camarote por Itamar. Conversa vai, conversa vem, a temperatura foi subindo. Ela enlaçava o pescoço dele, sambando. Ele pousava as mãos sobre a perna dela. Cordata, Lilian Ramos atendeu ao pedido dos fotógrafos para que levantasse os braços quando sambava. Junto com os braços subia a camiseta e evidenciava-se a ausência da calcinha enquanto os flashes dos fotógrafos espoucavam loucamente. Com esse comportamento, o presidente Itamar ficou menos presidente e mais Itamar.
(23 de fevereiro de 1994)

1994 ELEIÇÃO DE FHC:
"O que tem feito história no
Brasil é o golpe, o suicídio,
a renúncia, o impeachment.
Fernando Henrique, não. Pode
uma mudança de governo ser
tão estimulante como essa?"

Monotonia estimulante

O que tem feito história no Brasil é o golpe, a sucessão traumática, o suicídio, a renúncia, a exceção fardada, o impeachment e, ultimamente, essa peculiaridade de colocar vices no Palácio do Planalto. Fernando Henrique não. Pode uma mudança de governo ser tão previsível, tão monótona e ao mesmo tempo tão estimulante como essa da semana passada?
(11 de janeiro de 1995)

Caso Collor
O dossiê do irmão do presidente

Pedro Collor só chama o empresário PC Farias de "Lepra Ambulante". Ao se referir a Pedro, PC também não é amistoso. "Aquele moleque tem uma inteligência desse tamaninho e toma doses de vodca desse tamanhão", diz. O que faz o conflito atravessar as fronteiras de Alagoas é um dossiê que Pedro tem em suas mãos sobre o Lepra Ambulante. "Se esse material se tornasse público, o impeachment poderia ocorrer em 72 horas", disse o irmão mais novo de Collor.
(19 de fevereiro de 1992)

50 milhões lá fora

VEJA teve acesso à seção "negócios internacionais" do Dossiê Pedro Collor. Os documentos mostram que PC Farias tem participação em pelo menos nove empresas no exterior. Segundo especialistas, tal articulação de empresas é feita quando se precisa movimentar um capital da ordem de 50 milhões de dólares (veja entrevista).
(13 de maio de 1992)

Os jardins da Dinda

Os jardins babilônicos de Fernando Affonso Collor de Mello são a sétima maravilha da corrupção do governo. Para dar um toque final na megalomania vegetal, há cinco grandes cachoeiras de águas cristalinas. O sibarita só aciona o mecanismo eletrônico que faz as cascatas ciciarem quando estão presentes os sicofantas e sacripantas de sua intimidade.
(9 de setembro de 1992)

Presidente é afastado

O presidente Fernando Collor de Mello foi afastado do cargo que ocupava desde 15 de março de 1990. O voto de 441 deputados a favor do seu julgamento no Senado, dado em alto e bom som na memorável sessão de terça-feira passada, apeou a cáfila de salteadores que ocupou a Presidência.
(30 de setembro de 1992)

Pedro Collor tem câncer

Pedro Collor de Mello tem quatro tumores malignos no cérebro. A área afetada é tão grande que torna impossível um tratamento cirúrgico.
(30 de novembro de 1994)

Amante matou PC Farias

O professor Fortunato Badan Palhares tem em mãos as principais conclusões do inquérito sobre o assassinato do caixa de campanha de Fernando Collor de Mello. Suzana Marcolino da Silva matou Paulo César Farias e se matou em seguida. Descarta-se inteiramente a hipótese de que PC Farias tenha morrido vítima de um complô.
(7 de agosto de 1996)

Mortes abalam o país

Chocado pelas mortes consecutivas do ministro Sergio Motta e do deputado Luís Eduardo Magalhães, o país percebeu desde o primeiro momento que Brasília estava com um rombo no casco de grandes proporções. Fernando Henrique Cardoso perdeu muito. O PFL e o PSDB também. E, acima de todos, perde o Brasil, porque foi sangrado o projeto de modernização do país, que tinha em Motta e Luís Eduardo dois de seus maiores defensores.
(29 de abril de 1998)

1994 OS ANÕES DO
ORÇAMENTO:
"José
Carlos Alves dos Santos
quebrou o silêncio numa
entrevista exclusiva a VEJA.
Descreveu um esquema para
beneficiar parlamentares
e distribuir propinas"

Máfia dos anões
Esquema sujo

Na sexta-feira, José Carlos Alves dos Santos quebrou o silêncio numa entrevista exclusiva a VEJA. Foi um depoimento espantoso. O economista descreveu o funcionamento de um sistema articulado para arrancar verbas do governo e distribuir propinas. Envolveu ex-ministros, atuais ministros, governadores, senadores, deputados e, principalmente, a si mesmo. Segundo o economista, o mestre do esquema era o deputado João Alves, do PFL baiano (veja entrevista).
(20 de outubro de 1993)

Receita Federal
Muambeiros da seleção

Eram quase 11 da noite quando o DC-10 da Varig taxiava no Rio de Janeiro. Separando os 22 jogadores e uma massa de 800 000 pessoas que os aguardava havia a alfândega. O chefe da Receita, Osiris Lopes Filho, teve o bom senso de autorizar os jogadores a sair do aeroporto com a bagagem de mão. No dia seguinte, poderiam desembaraçar a bagagem. Mas os cartolas da Confederação Brasileira de Futebol, CBF, esbravejaram e os jogadores engrossaram, ameaçando devolver medalhas e não desfilar. A República de Juiz de Fora, atônita, vacilou, submeteu-se à chantagem. A muamba que a comitiva trazia foi liberada. Osiris Lopes Filho se demitiu. Os jogadores ficaram irritados com a fama de muambeiros. O que era uma festa gerou uma crise.
(27 de julho de 1994)

Tragédia
O picareta Naya

Foi preciso o desabamento de um pedaço de uma de suas obras, o edifício Palace II, na semana passada, levando à morte oito pessoas, para que o Brasil, atônito, descobrisse detalhes espantosos da vida do deputado federal Sérgio Naya (PPB-MG), um dos maiores picaretas de que já se teve notícia neste país.
(4 de março de 1998)

Eles marcaram a década

Assassinato do líder seringueiro Chico Mendes em Xapuri, no Acre, provoca revolta no mundo inteiro (1989) Com Rosane Collor, o Palácio do Planalto conheceu a preocupação com a moda e as falcatruas na LBA de Canapi (1989)

A ministra Zélia Cardoso de Mello assume poderosa, confisca a poupança e acaba num romance tolo (1990) O cacique Paulinho Paiakan, da reserva ética das matas tropicais, estupra uma estudante e permanece livre (1992)

Fotos: Ag. Estado/Ag. O Globo/Joel Rocha//Moreira Mariz/Claudio Versiani




Copyright © 1998, Abril S.A.

Abril On-Line