Retrospectiva 2009
Memória
Michael Jackson
50 anos, cantor
Annie Leibovitz
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Para encontrar o sucesso, Michael Jackson teve de perder a infância.
Seu pai era um músico frustrado que decidiu adestrar os filhos para ganhar
dinheiro no showbiz. Assim nasceu o conjunto Jackson Five, nos anos 60, composto
de quatro meninos incríveis e um extraordinário: Michael. Sua
voz aguda e afinadíssima, emoldurada por um jeito de dançar que
o fazia uma espécie de Fred Astaire da música negra, o projetou
ao estrelato. Na década seguinte, ele iniciou carreira-solo, gravando
músicas que entraram para as antologias de clássicos disco, como Off the Wall. Mas foi nos anos 80 que Michael se tornou rei, imperador,
soberano absoluto, com o álbum Thriller, que atingiu a marca não
superada de 100 milhões de cópias vendidas ao redor do mundo.
Com Thriller, ele pulverizou a fronteira entre música negra e
rock branco. Com Thriller, ele revolucionou a linguagem do videoclipe.
À medida que a fortuna aumentava, no entanto, sua personalidade se desintegrava.
Michael desfigurou seu rosto com uma série de cirurgias plásticas,
clareou toda a pele - de negro, tornou-se branco -, num procedimento até
hoje cercado de mistério. Cada vez mais esquisitão, transformou
sua casa, batizada de Neverland (Terra do Nunca, em referência a Peter
Pan, o garoto que se recusa a crescer), num parque de diversões. Depois
de admitir que convidava crianças para dormir em seu quarto, enfrentou
processos por pedofilia. No fim da vida, havia acumulado dívidas de 500
milhões de dólares e estava viciado em remédios. Tentou,
enfim, achar a infância, sacrificando o sucesso. (em junho)
"Sua música tinha uma camada extra de uma magia inexplicável,
que não fazia somente você querer dançar, mas acreditar
que podia voar, sonhar e ser o que você quisesse ser - é isso que
os heróis fazem, e Michael Jackson era um herói."
Madonna, cantora
Claude Lévi-Strauss
100 anos, antropólogo
Stephan Gladieu/Contrubutor/Getty Images
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Ele fez parte daquela raríssima classe de homens que podem
ser chamados de sábios. Seu grande legado foi a refundação
da antropologia. Claude Lévi-Strauss revolucionou essa ciência
ao comparar diferentes culturas - não buscando o que as distanciava,
como se fazia antes dele, mas o que as unia. Descobriu, assim, que há
estruturas de comportamento universais. Que todas as sociedades humanas, das
primitivas às avançadas, apresentam traços comuns e se
fundam no tabu do incesto para constituir-se. Francês, Lévi-Strauss
tinha uma forte ligação com o Brasil. Viveu no país entre
1935 e 1939, período em que estudou tribos indígenas e ajudou
a criar a Universidade de São Paulo. A experiência serviu de base
para que escrevesse sua obra mais célebre: Tristes Trópicos.
(em novembro)
"Sua obra é uma fonte de inspiração à
igualdade e ao diálogo das culturas."
Jacques Chirac, ex-presidente da França
Farrah Fawcett
62 anos, atriz
Divulgação
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Se o leitor viveu os anos 70, conhece bem a foto que ilustra esta
página. Olhar luminoso, sorriso perfeito, cabeleira leonina - e uma roupa
de banho que insinuava tudo o que, supostamente, deveria esconder. De tão
hipnótica, a imagem de Farrah Fawcett estabeleceu o padrão da
beleza americana naquela década. Transformada em pôster, vendeu
12 milhões de cópias - nenhuma pin-up chegou tão longe
- e rendeu à jovem atriz um convite para coestrelar a série As
Panteras, ao lado de Kate Jackson e Jaclyn Smith (igualmente lindas, mas
certamente menos magnéticas). Milhões ao redor do mundo acompanharam
as aventuras do trio de detetives na TV - eles babando pelas formas de Farrah;
elas tentando imitar o corte de cabelo. No auge da fama, ela abandonou o programa
para fazer carreira no cinema. Escolhas equivocadas, no entanto, lhe renderam
uma filmografia medíocre, pontuada por uma ou outra produção
razoável. Não importa. Farrah foi a pantera entre as panteras.
(em junho)
"Ela foi a Marilyn Monroe dos anos 70."
Hugh Hefner, fundador da Playboy
John Updike
76 anos, escritor
Michael O'Nill/Corbis Outline/Latinstock
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A mediocridade foi o caminho escolhido por John Updike para atingir
a grandeza. Os dramas, ambições e frustrações do
americano de classe média foram tema dos melhores entre os sessenta livros
escritos por ele. "Gosto do meio. É nele que os extremos colidem
e a ambiguidade governa implacavelmente", disse certa vez. Em Casais
Trocados (1968), Updike chocou seus compatriotas ao dissecar o adultério.
Na série Coelho Corre (1960), Coelho em Crise (1971), Coelho
Cresce (1981) e Coelho Cai (1990), lançou mão de um
vendedor de carros, Harry Angstrom, o Coelho, para compor um panorama dos Estados
Unidos profundos na segunda metade do século XX. (em janeiro)
"Ele é, e sempre será, nada menos que um tesouro
nacional."
Philip Roth, escritor
Robert McNamara
93 anos, ex-secretário de estado americano
Associated Press
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Em 1960, Robert McNamara trocou um dos melhores empregos dos
Estados Unidos, o de presidente da Ford (aquela Ford de cinquenta anos atrás,
bem entendido), por um dos piores empregos do mundo durante a Guerra Fria -
o de secretário de Defesa dos Estados Unidos, na condição
de primeiro civil a ocupar o cargo. McNamara, que na II Guerra Mundial utilizou
seus conhecimentos matemáticos para aumentar a eficiência dos bombardeios
a cidades japonesas, viu-se imerso num pesadelo, a Guerra do Vietnã,
com inimigos que não se comportavam segundo os manuais de estratégia
tradicionais - e que levaram os Estados Unidos ao maior desastre militar de
sua história. Em 1967, torpedeado pela escalada sangrenta e sem resultado
no Sudeste Asiático, deixou o governo. Passou o resto de seus dias tentando
apagar da memória a imagem de crianças vietnamitas queimadas pelas
bombas de napalm. (em julho)
"Foi o arquiteto de uma das maiores tragédias americanas."
Richard Immerman, historiador
Clodovil Hernandez
71 anos, estilista
Ariovaldo Santos/Folha Imagem
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No Brasil da década de 60, não havia fashion week,
nem "tendência". Havia dois estilistas, Dener e Clodovil, que
faziam vestidos para artistas e grã-finas e se alfinetavam quando queriam
ganhar notas nas colunas sociais. Dener morreu estilista, em 1978. Clodovil
morreu deputado federal, um dos mais votados do país, com quase meio
milhão de votos. No meio-tempo, foi apresentador de televisão.
Fez sucesso por causa do estilo afetado e da língua ferina, que foram
transportados para o Congresso. Cobrado, por exemplo, por não ter apresentado
um único projeto de lei em defesa dos direitos dos homossexuais, respondeu:
"Quais direitos? Direito de promover passeatas? Não tenho orgulho
de transar com homem". (em março)
"Perdemos um suntuoso vestido brasileiro, um vestido de lindos
bordados."
Ronaldo Esper, estilista
Ted Kennedy
77 anos, político americano
Timothy Greenfield-Sanders/Corbis Outline/Latinstock
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Como os irmãos John e Bob, ele era bonitão. Como
os irmãos John e Bob, era um admirador ardente do sexo feminino. À
diferença de John e Bob, ele não sofreu nenhum atentado. Mas se
envolveu numa história de morte muitíssimo mal explicada, em 1969,
quando saiu bêbado de uma festa, enfiou o carro em um rio, afogando sua
jovem acompanhante e, com ela, suas próprias ambições à
Presidência dos Estados Unidos. Salvou o mandato, para tornar-se um dos
senadores mais influentes da história americana. (em agosto)
"Suas ideias e ideais se refletem em todos os que podem buscar
seus sonhos em uma América mais igual e justa - inclusive eu."
Barack Obama, presidente dos Estados Unidos
Patrick Swayze
57 anos, ator
Greer Studios/Corbis Outline/Latinstock
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Desde a escola, foi um caso raro: ao mesmo tempo em que se destacava
no time de futebol americano, cultivava a paixão pela dança. Essa
mescla incomum, de virilidade e leveza, fez de Swayze um astro de Hollywood.
Ele explodiu com Dirty Dancing (1987) e fez suspirar de ternura e paixão
com o improvável Ghost (1990), que o consagrou como galã.
Passou anos lutando para se livrar desse rótulo. Para isso, buscou interpretar
personagens ainda mais incomuns do que o fantasma proativo do filme que o tornou
definitivamente célebre - de um guru de autoajuda a uma drag queen. Em
2008, descobriu um câncer no pâncreas, que lhe dava pouquíssimo
tempo de vida. Mesmo sob quimioterapia, decidiu filmar uma temporada completa
da série de televisão The Beast. E com ela se despediu. (em setembro)
"Patrick era uma combinação de masculinidade
e graça."
Jennifer Grey, atriz
Lincoln Gordon
96 anos, economista, educador, diplomata
Fabian Bachrah/Thurman Library
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Abraham Lincoln Gordon foi um dos luminares da geração
descrita por David Halberstam como "os melhores e os mais brilhantes".
Vindos de Harvard, Yale, Princeton, Stanford e Columbia, eram a nata dos universitários
americanos. Ficaram célebres pela condução colegiada das
políticas externas dos presidentes John Kennedy e Lyndon Johnson. O primeiro
objetivo nacional permanente então era a contenção do expansionismo
soviético no mundo. Para segurar os comunistas, valia mentir ao público,
falsear dados, derrubar presidentes constitucionais e começar guerras
sem saber como terminá-las - caso notório do Vietnã. Lincoln
Gordon era o embaixador americano no Brasil quando, em 1964, os militares depuseram
o presidente esquerdista João Goulart. O papel de Gordon no desfecho
do golpe é uma questão abrasivamente discutida. Os generais brasileiros
sempre disseram que fizeram tudo sozinhos. Gordon repetiu até a morte
que "apenas torceu pela queda de Goulart", por temer que, a exemplo
do que ocorrera no Egito, o presidente estivesse prestes a tomar uma rasteira
interna e ser substituído por um esquerdista ainda mais radical e ditatorial.
Na avaliação de Gordon, o governo Goulart estava tão fraco,
era de tal forma odiado pela classe média urbana e temido pelos democratas
(entre eles até os esquerdistas não marxistas como Celso Furtado)
que cairia de podre assim que o primeiro carro blindado assomasse às
ruas. Foi o que ocorreu. Goulart caiu, e isso foi comemorado em passeatas que
reuniram centenas de milhares de pessoas no Rio de Janeiro e São Paulo.
Se o golpe falhasse, o que fariam os americanos? Gordon disse que os americanos
estavam preparados para atender a pedidos da indústria paulista, que
temia perder suprimentos de óleo combustível. Mas nada poderiam
fazer militarmente de imediato, por duas razões. A frota naval americana
mais próxima estava a um mês de viagem das costas brasileiras.
Segundo, como um país continente, o Brasil não poderia ser invadido
sem minuciosos e longos preparativos. Disse Gordon a VEJA em 1997: "Se
o golpe falhasse, esses preparativos começariam no dia seguinte". (em dezembro)
"Possuía uma rara combinação de experiência
e conhecimento, idealismo e julgamento prático."
Lyndon Johnson, ex-presidente americano
Ricardo Montalbán
88 anos, ator
Everett Collection/Grupo Keystone
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O mexicano Ricardo Montalbán foi o latin lover dos filmes de Hollywood nos anos 40 e 50 - ou seja, dava aquele calor na plateia
de branquelas. Mas foi mais velho, e na TV, que encontrou o papel de sua vida:
o enigmático Senhor Roarke da série Ilha da Fantasia, que
com a ajuda do anão Tattoo realizava desejos especiais de turistas especiais,
hospedados em uma ilha tropical dos sonhos. (em janeiro)
"Ele parecia ter tudo - um rosto fotogênico, o físico
de um dançarino, talento, uma boa voz (até cantava), calor e muito
charme."
Pauline Kael, crítica de cinema
Pina Bausch
68 anos, coreógrafa
Ursula Kaufmann/AFP
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Até os anos 70, as coreografias de dança usavam
apenas os movimentos corporais para desenvolver suas narrativas. Foi a alemã
Pina Bausch quem difundiu a ideia de que os bailarinos também podiam
falar e interagir com o público, por meio de uma gestualidade diferente
da dos cânones clássicos. Nas suas criações, eles
se debatiam em poças dágua, comiam cebolas ou fingiam dormir.
Nos anos 70, tais espetáculos, que se tornariam conhecidos como dança-teatro,
mesmerizavam as plateias. Hoje, muitos encenam coreografias semelhantes, o que
só reforça a relevância de Pina Bausch para a dança
do século XX. (em junho)
"Com um cigarro nas mãos e um sorriso indescritível,
Pina Bausch marcou a dança contemporânea."
Pedro Almodóvar, diretor de cinema
Hélio Gracie
95 anos, lutador de jiu-jítsu
Ted Soqui
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A difusão do jiu-jítsu no Brasil se deve aos irmãos
Hélio e Carlos Gracie. Já temida nos anos 30, a dupla se juntou
a outro irmão, Gastão, para dar uma surra no meio da rua em Manoel
Rufino dos Santos, um ex-lutador de luta livre. Condenados, acabaram recebendo
indulto do então presidente Getúlio Vargas. Eles ganharam a vida
ensinando gerações a distribuir sopapos. Seus filhos levaram o
jiu-jítsu para os Estados Unidos e o popularizaram em campeonatos de
vale-tudo. Nos anos 90, a pancadaria assumiu contornos jurídicos. Hélio
e seus nove filhos passaram a brigar com os herdeiros de Carlos pela marca Gracie
no exterior. (em janeiro)
"Com o jiu-jítsu, os Gracie divulgaram o Brasil no exterior
mais do que todas as campanhas da Embratur juntas."
Arthur Virgílio, senador e praticante de jiu-jítsu
(inclusive fora da tribuna)
Walter Cronkite
92 anos, jornalista
Jesse Frohman/Corbis Outline/Latinstock
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Deve-se a Walter Cronkite a criação do papel de
âncora dos telejornais. E, como tal, ele gozou da confiança irrestrita
dos americanos. Entre 1962 e 1981, período em que apresentou o principal
noticiário da rede CBS, Cronkite encabeçou as pesquisas de credibilidade
feitas nos Estados Unidos. Nos anos 60, tinha tamanha influência no país
que abalava a Casa Branca com um simples arquear de sobrancelhas. Por causa
de uma de suas reportagens sobre a Guerra do Vietnã, levada ao ar em
1968, o presidente Lyndon Johnson, que era seu amigo, desistiu de concorrer
à reeleição. "Se perdi Cronkite, perdi o americano
médio", explicou o então presidente. (em julho)
"Não haverá mais um homem tão confiável
na América."
George Clooney, ator
Raúl Alfonsín
82 anos, político
Diego Goldberg/Sygma/Corbis/Latinstock
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Político argentino que se preza sofre com o amor e o ódio
dos eleitores. Raúl Alfonsín viveu essa sina como poucos. Chegou
à Casa Rosada, em 1983, como o primeiro civil eleito para governar o
país após oito anos de ditadura militar. Sua missão era
enterrar o entulho autoritário e garantir que a democracia voltasse a
vicejar. Ele reorganizou o estado e levou a julgamento generais do antigo regime,
acusados do desaparecimento de 30 000 pessoas. O sucesso institucional,
no entanto, não evitou que seu governo se convertesse em uma tragédia
econômica. Em 1989, a hiperinflação bateu na casa de 4 900%.
Pressionado, Alfonsín renunciou cinco meses antes de terminar seu mandato,
e deixou o poder pela porta dos fundos. (em março)
"Foi um defensor dos direitos humanos, que ajudou a consolidar
a democracia na grande nação argentina."
José Luis Zapatero, primeiro-ministro da Espanha
Anselmo Duarte
89 anos, cineasta
Flavio Canalonga
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Nos anos 40 e 50, Anselmo Duarte arrancava suspiros das plateias
femininas como o maior galã do cinema brasileiro. Sua consagração,
no entanto, só viria mais tarde, como roteirista e diretor de O Pagador
de Promessas (1962) - até hoje o único filme brasileiro a
vencer a Palma de Ouro no Festival de Cannes, na França -, que se tornou
um sucesso internacional. Baseada na obra de Dias Gomes, a fita trazia uma constelação
de atores que marcariam por muitos anos o cinema e a televisão nacionais,
como Leonardo Villar, Glória Menezes, Norma Bengell, Dionísio
Azevedo, Othon Bastos, Geraldo Del Rey e Antonio Pitanga. Duarte ainda dirigiria
nove filmes e escreveria o roteiro de outros tantos, mas jamais emplacaria um
êxito semelhante (em novembro).
"Seu principal legado para nós, artistas, foi o amor
com que ele realizava cada trabalho."
Tarcísio Meira, ator
Zé Rodrix
61 anos, músico
Bubby Costa
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Foi na voz de Elis Regina que o músico carioca Zé
Rodrix experimentou, em 1972, seu primeiro e maior sucesso: Casa no Campo.
Um verso dessa canção já antecipava o estilo que ele criaria
pouco depois com a dupla Sá & Guarabyra: o rock rural, que misturava
rockn roll e ritmos folclóricos. Nos anos 80, Zé Rodrix
enveredou por outras carreiras. Ingressou na publicidade e compôs trilhas
sonoras, jingles, além de produzir espetáculos de teatro e programas
de TV. Nesta década, abraçou a literatura. Lançou uma trilogia
de ficção sobre a maçonaria, organização
à qual pertencia. Em 2001, voltou à estrada com Sá &
Guarabyra para divulgar um novo CD do trio. (em maio)
"Músico completo, filósofo louco, cômico,
crítico mordaz e grande companheiro."
Guarabyra, músico
Paul Samuelson
94 anos, economista
Yale Joel/Time & Life Pictures/Getty Images
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Poucos tiveram tanta influência no desenvolvimento do pensamento
econômico quanto o americano Paul Samuelson. Ele formulou contribuições
decisivas para a compreensão dos mais variados problemas da disciplina:
do comércio exterior à polí-tica fiscal, do mercado de
trabalho ao de ações. Formado na ortodoxa Universidade de Chicago,
levou gerações de economistas a abraçar o viés oposto
da teoria econômica, o keynesianismo. Entre eles estão Joseph Stiglitz
e Paul Krugman, vencedores do Nobel, como o próprio Samuelson. Lançado
há sessenta anos, seu livro Economia, um texto obrigatório,
vendeu 4 milhões de cópias e o deixou rico. (em dezembro)
"Ele teve mais impacto na vida econômica dos Estados
Unidos, e do mundo, do que muitos presidentes."
Lawrence Summers, diretor do Conselho Nacional de Economia da Casa
Branca
Maurice Druon
90 anos, escritor
Horacio Villalobos/Corbis/Latinstock
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Quando Hitler marchou sobre Paris, o jovem Maurice Druon usou
a pena para lutar. Com um tio, escreveu o sanguinário Chant des Partisans, o hino da resistência francesa. No pós-guerra, sublimou sua agressividade
e publicou O Menino do Dedo Verde, clássico infantojuvenil que
narra a história de Tistu, um garoto capaz de fazer brotar flores em
tudo o que toca. Era sua forma de celebrar o pacifismo. Na velhice, fez do machismo
sua última batalha: bombardeou a entrada de mulheres na Academia Francesa
de Letras. Dizia que, se elas fossem admitidas, surgiriam grupos "tricotando
durante as discussões sobre o dicionário". Essa guerra ele
perdeu. (em abril)
"Foi um grande escritor, um grande soldado da resistência
e uma grande alma."
Nicolas Sarkozy, presidente da França
Dirce Migliaccio e Ida Gomes
75 anos, atrizes
Fernando Seixas
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Em O Bem-Amado, a primeira novela exibida em cores no Brasil,
em 1973, Dirce Migliaccio e Ida Gomes divertiam o público com a interpretação
de duas das três irmãs Cajazeiras (Dorinha Duval completava o trio).
Solteironas fofoqueiras, sexualmente recalcadas, suas personagens entraram para
a história da TV brasileira. Quatro anos mais tarde, Dirce alcançaria
outro sucesso como a boneca Emília, na primeira versão do
Sítio do Picapau Amarelo, na mesma Rede Globo. (em setembro
e fevereiro)
"O Brasil perdeu duas grandes atrizes. Já eu perdi a
Dirce, a Emília da minha vida, e a Ida, que ensinava o meu personagem,
Zeca Diabo, a ler em O Bem-Amado. Ela conquistou o meu coração."
Lima Duarte, ator
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