Economia limpa • Perspectiva 2010
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Como a agricultura sustentável exige métodos orgânicos,
locais e de pequena escala, em vez de máquinas e fertilizantes à
base de petróleo, há uma enorme necessidade de mais agricultores.
Não são fazendeiros quaisquer - os modernos profissionais do campo
pre-cisam ter formação tanto em genética quanto em marketing.
As estatísticas apontam para a necessidade de uma imensa reviravolta
comportamental e econômica. No Brasil, apenas 19% da população
é rural. Mais de 80% dos jovens entre 15 e 24 anos estão nos centros
urbanos. Busca-se, portanto, renovação e vasto interesse por tecnologias
nascentes, condições naturalmente atreladas à juventude.
O problema: convencer os novos profissionais a viver no campo, onde são
limitadas as expectativas de entretenimento e educação.
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A atividade florestal moderna é uma complexa combinação
de financiamento internacional de projetos, conservação e desenvolvimento.
Segundo o Banco Mundial, a incrível cifra de 1,6 bilhão de pessoas
depende das florestas para sua subsistência. Os técnicos florestais
ajudam a população local a passar das práticas de corte
e queimada para a silvicultura - ensinando, por exemplo, a exploração
sustentável da mata ou o cultivo de espécies de valor mais elevado
e crescimento mais rápido, sejam elas árvores madeireiras, frutíferas
ou medicinais. Auxiliam também no controle do impacto ambiental. Lembre-se
ainda que os projetos para evitar o desmatamento, que é a causa de cerca
de um quarto de todo o aquecimento global, devem se tornar crucial fonte de
créditos de carbono. Especialistas são, portanto, cruciais.
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As exigências impostas por novas legislações
e o natural crescimento do interesse por posturas sustentáveis dentro
das empresas já produzem efeito acadêmico: o aperfeiçoamento
ancorado nos conhecimentos ambientais. Um executivo sem esse tipo de formação
vale menos no mercado. A Fundação Getulio Vargas já tem
um MBA em gestão de sustentabilidade.
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O vento é uma das mais promissoras fontes alternativas
de energia e a que mais cresce, com 300 000 empregos em todo o mundo. Uma turbina
tem 90% do peso composto de metal, o que representa uma oportunidade para que
operários do setor automobilístico e de outros ramos da indústria
reorientem suas habilidades. Segundo o Atlas do Potencial Eólico Brasileiro,
a capacidade de geração de energia limpa para a próxima
década é equivalente à de dez usinas de Itaipu. Há,
portanto, um vigoroso mercado de trabalho, especialmente nas regiões
litorâneas, onde a força eólica é naturalmente maior.
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A busca urgente para preservar a integridade de ecossistemas mundo
afora e para quantificar o valor dos "serviços de ecossistemas"
cria oportunidades no ensino, na pesquisa e no trabalho de campo junto a governos,
ONGs e empresas privadas.
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A economia verde pede um quadro especializado de desenvolvedores
de softwares e engenheiros que projetem, construam e mantenham as redes de sensores
e os modelos probabilísticos que sustentam fazendas eólicas, redes
energéticas inteligentes, definição de pedágios
urbanos e outros sistemas que substituem recursos naturais por inteligência.
Programadores com experiência no uso de sistemas de gestão empresarial
de larga escala têm vantagem aqui, bem como desenvolvedores familiarizados
com aplicativos de fonte aberta e web 2.0.
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O
planejamento urbano e regional é um elemento crucial
na busca pela redução da pegada de carbono nos centros urbanos.
Fortalecer os sistemas de transporte de massa, limitar o espalhamento urbano,
estimular o uso de bicicletas e retirar a ênfase dada aos carros são
apenas uma parte do trabalho. Igualmente crucial é o planejamento de
contingências, já que inundações, ondas de calor
e bueiros entupidos pelo lixo se tornam problemas cada vez mais comuns nas metrópoles.
O emprego nesse setor deve crescer 15% até 2016 em todo o mundo, e as
vagas estão principalmente em governos locais, o que faz delas uma aposta
razoavelmente segura.
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Relatório da Organização Internacional do
Trabalho informa que há, no Brasil, 500 000 pessoas vivendo da reciclagem
de resíduos. O que se tornou meio de vida de populações
carentes - reflexo econômico originalmente sem nenhum pé na sustentabilidade
(quem recolhe detritos não o faz por responsabilidade ambiental, e sim
por oportunidade de arrumar algum trocado) - pode virar um negócio profissional
de real impacto.
Novas leis estão criando a necessidade de empresas especializadas que podem fechar o círculo reciclando e dando novas utilidades ao lixo eletrônico, roupas, sacos plásticos, entulho e outros materiais. Será preciso conhecimento técnico para participar dessa cadeia econômica.
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A produção e a instalação de sistemas
de energia solar já criaram cerca de 770 000 empregos no mundo. Instalar
aquecedores de água que usam o calor solar e células fotovoltaicas
em telhados é um trabalho relativamente bem remunerado. Nos Estados Unidos,
país irradiador de quase todas as tendências econômicas,
pagam-se de 15 a 35 dólares por hora nessa atividade. Onde há
sol há oportunidades - e o Brasil tem enorme potencial para seguir essa
trilha, ainda praticamente virgem. Hoje, em território americano, mais
de 3 400 empresas no setor de energia solar empregam 35 000 funcionários.
A Associação das Indústrias de Energia Solar dos EUA prevê um aumento para mais de 110 000 empregos até 2016.
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Os edifícios representam até 48% do uso de energia
e das emissões de gases do efeito estufa nas regiões urbanas.
O Leed, importante certificação da construção "verde",
tem mais de 3 000 empreendimentos comerciais e outros 2 500 residenciais atrelados
às suas normas em todo o mundo. No Brasil, há apenas dez edifícios
comerciais com o selo. Um outro método de controle, o Aqua, acrônimo
de "alta qualidade ambiental", inspirado numa versão francesa,
começa a ganhar espaço.
O motivo: prédios ecologicamente corretos tendem a ter mais apelo comercial. "Os compradores já se interessam por cuidados ambientais nos locais de trabalho e moradia", diz Manuel Carlos Reis Martins, coordenador executivo do projeto Aqua da Fundação Vanzolini, de São Paulo. Estudo da Universidade de San Diego, nos Estados Unidos, com 154 imóveis pendurados na certificação Leed revela que a produtividade cresce nos edifícios limpos porque os inquilinos ficam menos doentes (deixam de perder até 2,88 dias de trabalho por ano). Além disso, a taxa de desocupação é até 3,5% inferior à de prédios comuns e o índice de arrendamento no mercado, até 13% maior.
Com reportagem de Débora Didonê
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