Perspectiva 2010
O ano zero da economia limpa
Svante Arrhenius era um desconhecido físico sueco quando, em 1896, fez
um alerta: se a humanidade continuasse a emitir dióxido de carbono na
atmosfera no mesmo ritmo que fazia desde a alvorada da Revolução
Industrial, em 1750, a temperatura média do planeta subiria de maneira
dramática, em decorrência do efeito estufa.
Pouca gente escutou o apelo de Arrhenius em seu tempo, um período sem
carros, sem megalópoles, com apenas 1,2 bilhão de pessoas no mundo.
Quase ninguém seguiu seu raciocínio
na maior parte do século seguinte.
Foi assim até que novas evidências científicas surgiram,
além das catástrofes naturais. E nos anos 1960 brotou uma ideia
romântica, utópica
e alternativa de preservação da natureza. Ela hoje entrou na corrente
principal
do pensamento ocidental, ajudou a transformar os processos de produção
industrial e moldou o perfil dos
líderes empresariais que conduzem o capitalismo no século XXI.
Há muito ainda a ser feito. Evidentemente, é um frágil
equilíbrio, mas trata-se, agora,
de agir já para pagar menos depois.
Um relatório produzido em 2006
pelo economista inglês Nicholas Stern, então no Banco Mundial,
indica que investir imediatamente, a cada ano,
1% do PIB global pode evitar perdas de
até 20% desse mesmo PIB até 2050.
É informação que os líderes reunidos na COP15, em
Copenhague, neste mês, tinham com nitidez. Esses números não
os fizeram avançar muito, em uma cúpula que entrará para
a história pelos tímidos resultados que ofereceu. Não há
problema. Existe uma mensagem clara: os estados não se entendem, escorregam
na burocracia e em interesses egoístas, mas a iniciativa privada saiu
na frente. As empresas e a sociedade já fazem mais e melhor que os governos
no combate ao aquecimento global. Eles ainda patinam para entregar sua principal
- se não única - contribuição, a de definir
um quadro institucional estável
e favorável à livre-iniciativa, à inovação
e ao empreendedorismo.
Nas próximas 62 páginas, VEJA
faz um amplo painel dos lançamentos
de produtos, das ideias e das posturas que, a partir de 2010, começarão
a delinear mais claramente o cotidiano baseado na economia limpa.
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