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Home  »  Revistas  »  Edição 2145 / 30 de dezembro de 2009


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Economia limpa Perspectiva 2010

  10. Créditos de carbono

Falta definir quanto custa poluir

A bolsa de compensações caminhava bem – mas a decepção
com a cúpula de Copenhague pode freá-la


Débora Rubin

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O mercado de créditos de carbono foi uma das mais engenhosas criações nascidas com a crise climática. O Protocolo de Kyoto, elaborado em 1997 e ratificado em 2005, com a assinatura da Rússia, força os países desenvolvidos a reduzir suas emissões de gases que provocam o efeito estufa em 5,2%, tendo como referência o ano de 1990. O prazo para alcançar essa meta é 2012. Como incentivo para que as empresas busquem mais eficiência, emitindo menos gases causadores do efeito estufa em suas operações, parte da redução de quem polui menos pode ser convertida em certificados negociáveis. Por meio desse mercado, empresas de países ricos que não conseguem reduzir suas emissões podem comprar créditos de carbono de empresas de países em desenvolvimento, que não têm nenhuma meta estabelecida pelo protocolo. Quem suja paga – quem não suja ganha dinheiro. E a atmosfera se beneficia com a redução de emissões da empresa vendedora.

Em 2008, o mecanismo movimentou 126 bilhões de dólares e evitou a emissão de 4,8 bilhões de toneladas de CO2 (pouco menos que a emissão dos Estados Unidos). A China foi quem mais vendeu créditos. A Inglaterra, quem mais comprou (veja o quadro). É um jogo que favorece a inovação e a busca por métodos mais limpos, mas que também provoca receio entre cientistas e ambientalistas, que se mostram preocupados com os riscos de fraudes e distorções. Há o temor de reduções ineficazes que, usadas para produzir direitos de emissão, terminariam abrindo caminho para mais poluidores.

Também há a possibilidade de criação de bolhas especulativas no mercado financeiro. Para funcionar bem e crescer de maneira sadia, o mercado de carbono depende de regras claras, válidas internacionalmente. Por isso, havia vastas esperanças depositadas nas discussões sobre o Protocolo de Kyoto na COP15, em Copenhague, que poderiam ampliar o sucesso do mercado, com estimativa de 2 trilhões de dólares ao ano a partir de 2020. O desapontamento com o desfecho das negociações na Dinamarca, contudo, freou os ânimos e mexeu com o equilíbrio financeiro. Na segunda-feira, 21, um crédito de carbono, equivalente a 1 tonelada, caiu 8,3% – era de quase 18 dólares e foi a 16,5 dólares. Houve, naturalmente, o efeito psicológico de qualquer operação com papéis financeiros. "Copenhague ilustrou o fracasso da ONU para lidar com as mudanças climáticas", diz Emmanuel Fages, do banco Société Générale. "Mas o que ocorreu foi uma queda quase sentimental no preço do crédito, movida apenas pelo que se acredita que vá acontecer, ante tanta incerteza." É nítido sinal de como a ausência de um quadro institucional global estável prejudica a marcha rumo à economia verde.

A COP15 foi um susto no meio do caminho de um processo que ganhava força. "O mercado de créditos de carbono tem importância pedagógica, por impor uma mudança de postura", diz Emilio La Rovere, do Laboratório In-terdisciplinar de Meio Ambiente da Coppe, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e membro do Painel do Clima da ONU. Eficiente, mas insuficiente, ajuda a construir algo fundamental para todo empreendedor: conhecer o valor da molécula de dióxido de car-bono, de modo a controlá-la. "Precisamos saber para onde vai o preço do carbono antes de estabelecer planos de longo prazo", afirma Lew Middleton, da empresa americana Duke Energy.

Um dos inimigos do bom funcionamento desse sistema é a burocracia. Uma empresa brasileira interessada em negociar créditos de carbono deve apresentar um projeto MDL – Mecanismo de Desenvolvimento Limpo – e provar que com ele está deixando de lançar uma considerável dose de carbono no ar. O processo de aprovação pode levar até dois anos e meio. Quando criado, em 2005, o Brasil saiu na frente. "Fomos os primeiros a validar um projeto na ONU", diz Ernesto Cavasin, da PricewaterhouseCoopers (PwC), que faz consultoria para empresas que desejam entrar nesse mercado. Hoje, o Brasil ocupa o terceiro lugar em número de projetos e em volume de emissões poupadas. A China e a Índia lideram o ranking.

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