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Aquecimento global
7 megassoluções para
um megaproblema
Nestas doze páginas, VEJA mostra
sete projetos radicais para salvar o
planeta e, nos quadros que acompanham
as fotos, as principais conseqüências
das mudanças climáticas

Okky de Souza e Leoleli Camargo
O aquecimento global é estudado há
25 anos mas pode-se dizer que 2006 foi o ano em que a humanidade
tomou consciência de que a crise ambiental é real e
seus efeitos, imediatos. Novas pesquisas científicas dissiparam
a mínima dúvida de que o aumento repentino da temperatura
planetária se deve à ação humana, com
escassa contribuição de qualquer outra influência
da natureza. Até os ecocéticos aceitam agora a idéia
assustadora de que o tempo disponível para evitar a catástrofe
global está perigosamente curto. Não há mesmo
como ignorar o problema. Como uma praga apocalíptica, as
mudanças climáticas já afetam o cotidiano de
bilhões de pessoas de forma impossível de ser ignorada.
Uma prévia do relatório anual da Organização
Meteorológica Mundial, órgão da ONU que avalia
o clima na Terra, divulgada em dezembro, mostra que 2006 foi marcado
por uma série de recordes sombrios no terreno das alterações
climáticas e das catástrofes naturais.
Pela primeira vez desde que começaram
as medições, no século XIX, o termômetro
chegou aos 40 graus em diversas regiões temperadas da Europa
e dos Estados Unidos. A Somália foi castigada pelas enchentes
mais devastadoras do último meio século. A calota
gelada do Ártico ficou 60 400 quilômetros quadrados
menor ou seja, uma área equivalente a duas vezes o
estado de Alagoas virou água e ajudou a elevar o nível
dos oceanos. Na China, segundo o relatório, a pior temporada
de ciclones em uma década resultou em 1 000 mortes e 10 bilhões
de dólares em prejuízos. Na Austrália, o décimo
ano seguido de seca impiedosa agravou o processo de desertificação
do solo e desencadeou incêndios florestais com virulência
nunca vista. Sabe-se que o relatório final da Organização
Meteorológica Mundial, a ser divulgado em fevereiro, prevê
o desaparecimento total do gelo no Ártico durante os meses
de verão já a partir de 2040. Isso pode significar
a extinção do urso-polar em seu habitat.
Todos esses transtornos são decorrência
do aumento de apenas 1 grau na temperatura média do planeta
nos últimos 100 anos. Estudos estimam que, mantido o ritmo
atual, a temperatura média da Terra subirá entre 2
e 4,5 graus até 2050. O debate científico não
é mais sobre em que momento dos próximos cinqüenta
anos o aquecimento global se abaterá sobre nosso pobre planeta,
mas sobre como escapar da arapuca que nós próprios
armamos para as futuras gerações. É universalmente
aceito que, para evitar a piora da situação, seria
preciso parar de bombear na atmosfera dióxido de carbono,
metano e óxido nitroso. Esses gases, resultantes da atividade
humana, formam uma espécie de cobertor em torno do planeta,
impedindo que a radiação solar, refletida pela superfície
em forma de calor, retorne ao espaço. É o chamado
efeito estufa, e a ele cabe a responsabilidade maior pelo aumento
da temperatura global.
Diante desse quadro sombrio, ganha impulso
entre cientistas e políticos a idéia de que ações
pontuais, por mais bem-intencionadas, podem não ser suficientes
para estancar o aquecimento gradual da Terra. Por sua magnitude,
problemas globais exigem soluções também globais.
Ou seja, intervir nos processos que causam o aquecimento do planeta
é uma tarefa demasiadamente complexa para ser resolvida com
o esforço individual das nações. Ainda mais
quando se sabe que nenhum país conseguirá diminuir
drasticamente as emissões de dióxido de carbono (CO2),
o principal vilão do efeito estufa. Isso significaria frear
o ritmo de suas indústrias e usinas termelétricas,
acarretando enormes prejuízos à economia. Os cientistas
que defendem as soluções globais para o aquecimento
da Terra avaliam que só com idéias que envolvem um
esforço mundial se poderá reduzir o problema.
Vários megaprojetos para amenizar o
efeito estufa saíram de universidades e centros de pesquisa
nos últimos anos. VEJA selecionou as sete soluções
de maior viabilidade técnica e que tiveram melhor repercussão
na comunidade acadêmica. São abordagens radicais, mas
podem ser a única saída para uma situação
de emergência. Cinco delas são fruto de uma corrente
científica relativamente recente chamada geoengenharia. Os
adeptos miram num cenário em que sejam necessárias
medidas urgentes para diminuir a temperatura da Terra rapidamente
e interromper, ou evitar, seqüências de catástrofes.
A geoengenharia parte de um princípio simples: para deter
o efeito estufa, é preciso fazer com que menos raios solares
cheguem à Terra. Assim, compensa-se o calor extra provocado
pela "tampa" de CO2 e outros gases tóxicos lançados
na atmosfera pela ação humana.
Os cientistas alinhados com a geoengenharia
admitem que seus projetos para "esfriar" a Terra parecem fantasiosos
e radicais por suas dimensões, mas foram todos concebidos
para ser exeqüíveis. Em caso de emergência climática,
a aplicação de um ou mais desses projetos pode ser
a única forma de salvar a humanidade e o planeta que a abriga.
"Se dobrarmos a quantidade de CO2 em relação à
da era pré-industrial e não tivermos o problema sob
controle, talvez seja preciso lançar mão dessas soluções.
É necessário ter essa carta na manga para o caso de
uma crise planetária", disse a VEJA John Shepherd, diretor
do Centro Tyndall, da Inglaterra, instituto que pesquisa mudanças
climáticas.
A seguir, as sete soluções radicais
para o efeito estufa.
ARMAZENAR CO2 SOB O SOLO, LONGE DO EFEITO
ESTUFA
Por esse projeto, atualmente em
fase de testes na Noruega e nos Estados Unidos, a fumaça
produzida por indústrias e usinas termelétricas é
filtrada por um equipamento que separa o CO2 dos outros gases. A
seguir, o dióxido de carbono é comprimido e levado
em tanques, ou por um sistema de canalização, até
um local de armazenamento. Finalmente, o gás é injetado
no solo, a 2 quilômetros de profundidade, ou depositado em
antigos poços de petróleo ou de gás natural
já esgotados. Na próxima década, outros vinte
campos de seqüestro de CO2 nome técnico do processo
entrarão em funcionamento em caráter experimental
no mundo. Recentemente, um grupo de pesquisadores da Universidade
Harvard propôs o armazenamento de CO2 em sedimentos abaixo
da superfície do oceano, a aproximadamente 3 000 metros da
superfície. Segundo eles, a combinação de baixa
temperatura com alta pressão transformaria o dióxido
de carbono em um líquido mais denso do que a água
do mar, o que afastaria o risco de o gás voltar à
superfície. Calcula-se que a capacidade da crosta da Terra
de armazenar CO2 seja de aproximadamente 10 trilhões de toneladas,
o equivalente a 400 anos de emissões nos níveis atuais.
UM PAINEL DE LENTES REFLEXIVAS NO ESPAÇO
Patrocinado pelo Institute for Advanced Concepts, um braço
da Nasa, a agência espacial americana, o astrônomo americano
Roger Angel, da Universidade do Arizona, desenvolveu o projeto de
colocar no espaço trilhões de pequenos discos espelhados
para desviar 2% dos raios solares que hoje alcançam a Terra.
Os discos, com 60 centímetros de diâmetro e equipados
com três pequenos painéis solares, formariam uma gigantesca
nuvem de 100 000 quilômetros de extensão no ponto conhecido
pelos astrônomos como L1, a 1,6 milhão de quilômetros
da Terra. Eles seriam levados ao espaço por 20 milhões
de pequenas espaçonaves lançadas de pontos altos do
planeta provavelmente os Andes , movidas por energia
eletromagnética em vez de combustível. Cada espaçonave
transportaria 1 milhão de discos por viagem e a nuvem estaria
completa em dez anos. Os custos para os cofres do planeta seriam
de 3 trilhões de dólares. "Parece muito dinheiro",
disse Roger Angel a VEJA. "Mas isso significa 0,5% do PIB do mundo
durante 25 anos."
COLOCAR EM ORBITA UM GIGANTESCO GUARDA-SOL
Antes de o astrônomo Roger Angel desenvolver sua idéia
das lentes reflexivas descrita acima, os físicos americanos
Lowell Wood e Edward Teller, do Lawrence Livermore National Laboratory,
na Califórnia, propuseram um projeto semelhante para diminuir
a incidência de raios solares na Terra. O conceito desenvolvido
pela dupla é uma espécie de gigantesco guarda-sol
que ficaria no espaço e conseguiria bloquear algo entre 1%
e 3% da luz solar. Teller, morto em 2003, foi, para quem não
se lembra, um dos cientistas que desenvolveram a bomba atômica,
nos anos 40, e é considerado o pai da bomba de hidrogênio.
Ele acreditava ser muito difícil conseguir que a humanidade
cooperasse para o bem comum, sacrificando a produtividade das indústrias
ou o bem-estar individual para diminuir o aquecimento global. Por
isso, dizia, soluções como a do escudo espacial talvez
fossem necessárias. Segundo Wood e Teller, a diminuição
de 1% a 3% na incidência de raios solares ainda geraria para
o planeta uma economia de 1 trilhão de dólares por
ano, apenas com o aumento da produtividade na agricultura e com
a redução do número de casos de câncer
de pele causados por raios ultravioleta. O custo para manter o escudo
no espaço é calculado em 1 bilhão de dólares
anuais.
NUVENS DE ENXOFRE NA ATMOSFERA
O projeto de resfriamento da Terra proposto pelo meteorologista
holandês Paul J. Crutzen, do Instituto Max Planck, na Alemanha,
é espalhar dióxido de enxofre (SO2), em forma de gás,
a uma altitude de 25 quilômetros do solo terrestre. A substância
seria levada por balões. Lá, o SO2 se oxidaria, gerando
ácido sulfúrico (também em forma de gás),
que logo se agruparia em partículas. Essas partículas
desceriam para a troposfera (a 11 quilômetros de altitude)
e se espalhariam pelas nuvens com a ajuda do vento. As partículas
refletiriam uma fração da luz solar de volta para
o espaço, reduzindo a temperatura na Terra. Crutzen, ganhador
do Prêmio Nobel por demonstrar como alguns compostos químicos
afetam a camada de ozônio da atmosfera, baseia a idéia
nos efeitos das erupções vulcânicas. Em 1991,
a erupção do Monte Pinatubo, nas Filipinas, espalhou
pela estratosfera 20 milhões de toneladas de SO2. No ano
seguinte, os cientistas constataram que a temperatura média
na superfície da Terra se reduziu em 0,5 grau e atribuíram
o fenômeno à erupção. Em contrapartida,
verificaram-se danos significativos para a camada de ozônio
após o vulcão entrar em atividade. Crutzen acredita
que é necessário pesquisar se esses danos foram causados
pelo enxofre ou por outras substâncias expelidas pelo vulcão.
No segundo caso, seu projeto de combate ao efeito estufa estaria
validado. "Se a temperatura da Terra aumentar mais de 0,2 grau por
década, as gerações futuras talvez precisem
colocar em prática projetos ambiciosos de combate ao aquecimento
global", disse Paul Crutzen a VEJA.
PULVERIZAR AS NUVENS COM ÁGUA SALGADA
A idéia do físico John Latham, do National Center
for Atmospheric Research, dos Estados Unidos, é aumentar
o albedo a fração de luz que um corpo é
capaz de refletir em um tipo de nuvem chamada estrato-cúmulo
que cobre quase um terço da superfície dos oceanos.
Ainda na década de 70, os cientistas descobriram que uma
nuvem formada por um elevado número de pequenas gotas de
água reflete mais luz solar do que outra formada por gotas
grandes. Para aumentar o albedo das nuvens estratos-cúmulo,
Latham propõe pulverizar no ar, próximo à superfície
dos oceanos, minúsculas gotas de água salgada retirada
do próprio mar. Misturadas às nuvens, essas gotículas
multiplicariam a capacidade das nuvens de refletir e devolver ao
espaço parte dos raios solares que as atingem. O aumento
do albedo poderia ser facilmente medido com a ajuda de satélites.
A pulverização da água salgada no ar seria
feita por pequenas embarcações. O sistema de pulverização
das gotas ainda não foi definido. Latham avalia o uso de
uma tecnologia semelhante à dos nebulizadores utilizados
em medicamentos para asma. Calcula-se que seriam necessárias
500 embarcações ao custo de 2 milhões
de dólares cada uma para realizar o trabalho, que
precisaria ser contínuo.
ADICIONAR FERRO AOS OCEANOS PARA ESTIMULAR
OS MICROORGANISMOS
Fitoplâncton é o conjunto de algas de tamanho
microscópico que vivem dispersas nas águas dos oceanos.
Assim como as plantas, elas também realizam a fotossíntese,
usando a luz solar, o CO2 e a água para sobreviver. Quando
morre, o fitoplâncton afunda até o solo oceânico
e ali permanece por séculos, com parte do CO2 que captou.
Estudos científicos sugerem que, nas últimas quatro
eras glaciais, os oceanos no Hemisfério Sul continham fitoplâncton
em abundância. Isso se deu, provavelmente, porque antes das
eras glaciais os oceanos teriam recebido enormes quantidades de
poeira rica em ferro, vinda de desertos em expansão. Para
simular condições semelhantes às das eras glaciais,
em 2002 um grupo de pesquisadores americanos liderados pelo cientista
Kenneth Coale, do Moss Landing Marine Laboratories (USA), espalhou
grandes quantidades de ferro em duas áreas próximas
ao Pólo Sul. Como resultado, a concentração
de fitoplâncton nesses locais aumentou muito. Embora as duas
áreas fertilizadas tivessem apenas 15 quilômetros de
extensão, o fitoplâncton se espalhou por milhares de
quilômetros e se tornou visível até por satélite.
Depois disso, os estudos constataram que cada uma das duas proliferações
de fitoplâncton consumiu 30 000 toneladas de CO2 o
equivalente à emissão de 6 000 automóveis em
um ano. A fertilização dos oceanos vem sendo testada
em pequena escala desde a década de 80. Em todos os testes,
parte do ferro adicionado à água se dispersou com
as correntes marítimas e a proliferação do
fitoplâncton foi temporária. Por enquanto, os cientistas
afirmam não haver garantia de que, no futuro, o CO2 retido
no solo marinho não seria liberado de volta à atmosfera.
Tampouco se conhece o impacto ambiental que a adição
de ferro aos oceanos teria a longo prazo.
EM LUGAR DAS TERMELÉTRICAS, NOVAS
USINAS NUCLEARES
A queima de combustíveis fósseis (carvão,
petróleo e gás natural) em termelétricas, para
gerar energia, é a atividade humana que mais produz dióxido
de carbono 22% do total lançado na atmosfera. A energia
nuclear, que já foi estigmatizada como suja e perigosa, hoje
foi reabilitada e até os ambientalistas a vêem com
melhores olhos. Um dos mais famosos deles, o inglês James
Lovelock, da Universidade Oxford, defende a idéia de que
a energia nuclear se torne a base da matriz energética mundial
no futuro. Na China, nada menos que trinta reatores nucleares se
encontram em construção. Em 2007, os Estados Unidos
vão erguer sua primeira usina nuclear desde 1979. O problema
da energia nuclear continua sendo o que fazer com o lixo atômico
produzido pelas usinas. Esse material pode permanecer radioativo
por centenas de milhares de anos. Costuma ser selado em recipientes
de metal ou concreto e enterrado, mas esse recurso é considerado
apenas provisório. "Estamos literalmente enterrando o problema,
na esperança de que as novas gerações desenvolvam
a tecnologia necessária para processar lixo nuclear", disse
a VEJA o engenheiro americano Alan McDonald, da Agência Internacional
de Energia Atômica. O custo previsto para a construção
de 300 usinas nucleares: 480 bilhões de dólares.
As soluções globais foram projetadas
para, teoricamente, entrar em cena caso se chegue ao que os cientistas
chamam de tipping point o momento em que se torna
impossível reverter a dinâmica interna da natureza
alterada pela ação humana. Infelizmente, talvez se
tenha de recorrer às megamedidas de emergência antes
de atingir esse ponto-limite para salvar não o planeta,
mas a economia das nações. O inglês Nicholas
Stern, ex-economista-chefe do Banco Mundial e autor de um estudo
recente encomendado pelo governo de seu país, avalia que,
se o aquecimento global continuar na atual marcha, dentro de algumas
décadas o PIB mundial terá encolhido entre 5% e 20%
em decorrência de secas, inundações e furacões
cada vez mais freqüentes.
O físico Robert Socolow e o ecologista
Stephen Pacala, ambos pesquisadores da Universidade de Princeton,
publicaram recentemente um estudo sobre o enorme desafio que representa
combinar o crescimento das economias com a queda nas emissões
de CO2 pelas indústrias e termelétricas. A dupla também
prevê um cenário catastrófico caso as emissões
prossigam no ritmo atual, mas o projeta para 2050. Eles fazem a
seguinte conta. Nas últimas três décadas, o
PIB mundial cresceu, em média, ao ritmo de 3% ao ano e as
emissões de CO2, ao ritmo anual de 1%. Para evitar que o
aquecimento global cause estragos na economia dos países,
seria necessário que as emissões diminuíssem
no mesmo ritmo do crescimento do PIB mundial, 3% ao ano. Hoje, esse
índice parece uma miragem.
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A fúria dobrada dos furacões
Os furacões do Golfo do
México são hoje 50% mais fortes e duradouros
que há trinta anos. Na década de 70, ocorriam
cinco furacões anualmente na região. A
média subiu para oito. Na foto, vítimas
do furacão Katrina, nos Estados Unidos
AP
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SE O AQUECIMENTO GLOBAL
NÃO FOR CONTIDO...
...a força dos furacões
aumentará em 5% para cada grau a mais na temperatura
das águas
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Menos chuvas e mais secas
O aquecimento das águas
do Oceano Atlântico alterou o padrão de
circulação dos ventos, deslocando massas
de ar seco para algumas regiões, entre elas a
amazônica. A mudança impede a formação
de nuvens, causando escassez de chuva. Abaixo, o leito
seco do Lago Curuai, no Pará, em 2005
AP
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SE O AQUECIMENTO GLOBAL NÃO
FOR CONTIDO...
...a área atingida por
secas persistentes aumentará cinco vezes até
2050, incluindo o Brasil
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Os oceanos estão mais ácidos
O excesso de CO2
na atmosfera faz com que os oceanos absorvam mais desse
gás, o que aumenta a acidez da água. A
mudança já arruinou 60% dos bancos de
corais do planeta.
SE O AQUECIMENTO GLOBAL NÃO
FOR CONTIDO...
...os oceanos se tornarão
vinte vezes mais ácidos até o fim do século.
Isso matará os corais, com efeitos devastadores
para a biodiversidade marinha
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Sem chuvas, mais fogo nas florestas
O volume de chuvas na Península
Ibérica caiu 20% nos últimos 100 anos.
Com isso aumentou a ocorrência de incêndios
florestais em Portugal e na Espanha. Nos Estados Unidos,
o número de incêndios florestais quadruplicou
em relação à década de 80
SE O AQUECIMENTO GLOBAL NÃO
FOR CONTIDO...
...a redução do
volume de chuvas pode chegar a 40% na Península
Ibérica até o fim do século
...o número de incêndios
florestais nos Estados Unidos dobrará nos próximos
70 anos
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O fim das neves eternas
Fotos Reuters
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A neve no topo das montanhas reduziu-se
à menor quantidade nos últimos 5 000 anos.
O Monte Kilimanjaro, ponto culminante da África,
que sempre foi coberto de neve o ano inteiro (foto
acima), nos últimos anos passou a perder
a cobertura gelada no verão (foto abaixo)
Fotos Reuters
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SE O AQUECIMENTO GLOBAL
NÃO FOR CONTIDO...
...as neves do Kilimanjaro podem
sumir completamente em dez anos
...dois terços das geleiras
do Himalaia podem desaparecer em meio século
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Com reportagem de
Rafael Corrêa e Rosana Zakabi
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