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Retrospectiva
2006: DIOGO MAINARDI
O Homem do Ano
Márcio Thomaz Bastos. O Homem do Ano.
A gente tinha uma democracia torta. Ficou ainda mais torta. A gente
tinha um pé na ilegalidade. Agora se rendeu a ela. A gente
tinha um embrutecimento institucional. Piorou.
Siga Márcio Thomaz Bastos.
Com cautela. Acompanhe o que fez o nosso Homem do Ano em 2006. Passo
a passo. De intriga em intriga. De janeiro a dezembro. Ele foi o
túnel que o extremismo petista escavou para fugir da cadeia.
Ele foi a lima escondida dentro do bolo.
Em janeiro, Márcio Thomaz
Bastos encaminhou a Lula um projeto de lei que impedia a imprensa
de divulgar o conteúdo de grampos telefônicos.
Em fevereiro, ele foi acusado
de retardar a entrega do laudo técnico que atestava a falsidade
da lista de Furnas, envolvendo políticos do PSDB e do PFL.
Em março, quando foi violado
o sigilo do caseiro Francenildo Costa, ele montou a estratégia
de acobertamento de Antonio Palocci.
Em maio, Márcio Thomaz
Bastos apareceu numa lista de hierarcas petistas com contas bancárias
em paraísos fiscais, juntamente com Lula, José Dirceu,
Luiz Gushiken e Antonio Palocci. A lista foi passada a VEJA por
Daniel Dantas.
Aqui a retrospectiva de Márcio
Thomaz Bastos cruza com a minha. Testemunhei a entrega da lista
a VEJA. Segui de perto todos os seus desdobramentos. Eu sempre acreditei
que o ministro partiria para o ataque contra Daniel Dantas. Em vez
disso, Márcio Thomaz Bastos preferiu reunir-se secretamente
com ele, na casa do senador Heráclito Fortes. Perguntei a
Heráclito Fortes como foi o encontro. Ele respondeu: "Daniel
Dantas estava com medo do governo e o governo estava com medo de
Daniel Dantas". Medo?
Em julho, ele responsabilizou
as prefeituras do PSDB e do PFL pela máfia das ambulâncias.
Em agosto, ele prometeu acabar
com os ataques do PCC em 72 horas. Depois disso, deu um depoimento
a favor de Aloizio Mercadante em seu programa eleitoral.
Em setembro, estourou o caso
do dossiê contra José Serra. Desde o primeiro momento,
Márcio Thomaz Bastos tratou de proteger a candidatura de
Lula. Um delegado da Polícia Federal foi afastado do caso,
as fotografias do dinheiro foram censuradas, um advogado ligado
a ele foi acionado para defender Freud Godoy.
Em 22 de setembro, Márcio
Thomaz Bastos garantiu que a origem do dinheiro para comprar o dossiê
"estava praticamente esclarecida". Em 16 de novembro, quando o caso
já estava devidamente abafado, o nosso Homem do Ano disse
que "era preciso ver se o fato realmente tinha uma grande gravidade".
Márcio Thomaz Bastos está
se despedindo do governo. A gente vai levar uns trinta anos para
se recuperar de sua passagem pelo poder.
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