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Edição 1989 . 30 de dezembro de 2006

Índice
Millôr
Diogo Mainardi
Carta do editor
Cartas
 
 

Cartas

"Estou grávida e, graças à reportagem de VEJA, sinto-me mais tranqüila em saber que, se precisar, terei a tecnologia e profissionais especializados a favor da vida do meu bebê."
Grace Cantuária
José Francisco Vasques de Souza

Bebês prematuros

Achei muito interessante a matéria de capa de VEJA, "O sublime milagre da vida" (27 de dezembro). Eu e meu irmão gêmeo nascemos prematuros, com seis meses de gestação, em 1987. Pesava 900 gramas e meu irmão, 1,1 quilo. Até hoje, todo mundo fala que nós parecíamos dois ratinhos, ou que cabíamos numa caixinha de sapato. Após o parto, os médicos informaram que nós tínhamos 5% de chance de sobreviver. Naquele tempo, não havia tantos recursos médicos e hospitalares como agora, mas, mesmo assim, meus pais gastaram tudo o que tinham (e não tinham) para pagar dois meses de incubadora num hospital particular. Cada grama conquistado era uma alegria imensa para todos, familiares e amigos. Hoje, com 19 anos, eu e meu irmão ficamos muito felizes em saber que, graças à tecnologia, bebês ainda menores podem sobreviver. Mas também sabemos que, além dos recursos hospitalares, o que possibilitou a nossa sobrevivência foram o carinho, a dedicação e o amor imensurável de nossos pais. Parabéns pela reportagem!
Vinícius Sthéfano B. Moreti
São Paulo, SP

Minha mulher e eu sabemos muito bem o que vêm a ser os milagres da vida. Nosso filho nasceu com 25 semanas de gestação, pesando 990 gramas e medindo 34 centímetros. Foram 200 dias de UTI neonatal, uma parada cardíaca com procedimentos de ressuscitação que duraram quarenta minutos, uma osteopenia gravíssima responsável por cinco fraturas ósseas e dependência de oxigênio até 1 ano de vida. Hoje, o Guilherme, com 1 ano e meio, pesa quase 10 quilos, mede 76 centímetros e não traz nenhuma seqüela, seja motora, seja neurológica.
José Geraldo Pinto Júnior
Vitória, ES

Nasci em Ponte Nova, no interior de Minas Gerais, num hospital público (ou seja, sem muitos recursos), após 22 semanas e meia de gestação. Pesava 600 gramas e media 30 centímetros. Isso foi há 25 anos. Durante os quatro meses em que passei no hospital, não pude contar com saturímetros ou equipamentos similares, porém tive a sorte de ser acompanhada por uma equipe não apenas competente, mas certa de que valia a pena arriscar todos os (escassos) recursos possíveis para salvar uma vida que parecia condenada. A propósito: meu desenvolvimento foi normal. Hoje trabalho numa editora, falo uma segunda língua e não tive nenhuma seqüela negativa em relação à prematuridade.
Fernanda Lizardo de Sousa
Rio de Janeiro, RJ

 

Salário dos parlamentares

Isso é abrir caminho para a verdadeira democracia: protestar contra o antidemocrático aumento de 91% do Congresso. O povo unido e consciente é poderoso ("Triunfo da voz das ruas", 27 de dezembro).
Graça Oliveira Berger
Amsterdã, Holanda

 

Cristianismo no Ocidente

Cumprimento VEJA pelo ensaio "Somos todos cristãos" (27 de dezembro), de autoria de Reinaldo Azevedo.
Cláudio Lembo
Governador do estado de São Paulo
São Paulo, SP

Parabenizo VEJA pelo excelente artigo "Somos todos cristãos", de Reinaldo Azevedo. Foi um exemplo de seriedade histórica e riqueza cultural, e uma manifestação de isenção ao expressar uma perspectiva intelectual que não coincide com o "politicamente correto". Excelentes também as pinturas que ilustram o artigo.
Frederico Ferreira
São Paulo, SP

Notável a forma como Reinaldo Azevedo resume de maneira clara e sóbria a trajetória do cristianismo e como a vida de Jesus transformou o mundo e continua transformando a vida de quem o segue.
Gustavo de Deus
Rio de Janeiro, RJ

A reportagem "Somos todos cristãos" é uma das mais equilibradas que já li, em uma revista laica, sobre a formação social, política e cultural da civilização ocidental. Apesar das diferentes concepções religiosas, não podemos negar que os principais valores do Ocidente estão profundamente enraizados no terreno da doutrina cristã. Ser a favor do cristianismo é ser a favor da humanidade.
Jaime Lorandi
Caxias do Sul, RS

Parabenizo a revista VEJA pela qualidade do artigo escrito pelo jornalista Reinaldo Azevedo.
Maria de la Cruz Dionis Raurell
Por e-mail

 

Stent com remédios

Apesar de ilustrativa, a reportagem "O mais simples é o mais seguro" (27 de dezembro) é falha: não revela que os achados foram de maior mortalidade e maior incidência de infarto do miocárdio (e não simplesmente maior risco de formação de coágulos), quando da utilização desses dispositivos. Outro ponto que merece correção é quanto à estatística, que é de 2,9% (risco acumulado atualmente em três anos de evolução), e não 0,2%. Finalmente, quanto ao painel da FDA, é importante salientar que nele se destaca a preocupação quanto à utilização indiscriminada dessas próteses – por forte pressão financeira da poderosa indústria fabricante. Sou médico há 21 anos e, como tantos outros colegas, desejo o progresso constante da arte de tratar. Mas sempre lastreado pela evidência científica (vale a pena consultar o site da FDA).
Theófilo Gauze
Cirurgião cardiovascular e torácico e membro da Sociedade Brasileira de Cardiologia
Campo Grande, MS

 

Diogo Mainardi

Apontar Chico Xavier ("Porcentagens lulistas", 27 de dezembro) como exemplo de ignorância do povo é no mínimo uma ignorância de uma pessoa que deveria saber quem foi Chico, que nunca fez mal a ninguém, viveu pobremente e deu sua vida a uma causa, a da caridade. A metralhadora do Diogo desta vez errou!
Fábio de Jesus Orenhas
Paulínia, SP

É impossível ser indiferente a Diogo Mainardi. Uns o odeiam, outros o adoram. Todos o fazem pelo mesmo motivo: Mainardi exacerba a palermice dos brasileiros. Parabéns ao colunista e a toda a equipe de VEJA. Que 2007 seja tão produtivo quanto foi 2006. E, como disse o citado lulista Bernardo Kucinski, que vocês continuem cada vez mais descolados do sentimento da maioria da população.
Eduardo Ledoux Gava
Joinville, SC

É incrível como a podridão tomou conta do país.
Cleverson Ribeiro Borges
São Francisco do Sul, SC

Oitenta e três por cento dos brasileiros estão satisfeitos, enquanto apenas 40% têm esgoto! Satisfeitos com o quê?
Marcello Kutner
São Paulo, SP

Já que se mostra improvável uma mudança para melhor, talvez só reste a nós, os 17% dos brasileiros que não se consideram satisfeitos com a vida, mostrar vergonha. Acredito também que fazemos parte dos 29% que não aprovam Lula; dos 25% que não são analfabetos; dos 26% que consideram a qualidade de ensino público ruim ou péssima; dos 4% que sabem o que foi o holocausto; dos 49% que não acham o ônibus seguro; dos 18% que gostam de democracia; que não acham Chico Xavier o maior brasileiro de todos os tempos. Se Lula é o povo, simplesmente talvez não sejamos parte do povo, apesar de sustentar a maior parcela dos gastos públicos.
Mario Carlos Rogério Vercesi
Goiânia, GO

 

Lya Luft

Lya Luft desnuda as utopias que criamos de um Brasil maravilhoso. Gostei das verdades citadas pela escritora e postei o artigo em meu blog na internet, citando a fonte ("Um Natal para reflexão", 27 de dezembro).
Francisco Ribeiro Melo de Carvalho
Vitória da Conquista, BA

Em seu artigo, Lya Luft conseguiu mais uma vez descrever o caos de nossos sentimentos, que oscilam entre o medo e a tristeza, a esperança e a descrença, diante de tantas barbaridades que temos presenciado... O texto deveria ser leitura obrigatória – dos políticos que tanto contribuem para o Brasil ter a sua cara e dos que os elegem e reelegem.
Raquel do Rêgo Barros Carneiro Leão
Recife, PE

 

Roberto Pompeu de Toledo

Esse Roberto Pompeu é realmente incrível. Conseguiu utilizar a imagem do bom velhinho (ou seria do mau?) e fazer uma bela crítica aos aspectos políticos e econômicos da atualidade ("Papai Noel: as questões mais delicadas", Ensaio, 27 de dezembro)!
Caroline Caldeira de Faria Santigo
Montes Claros, MG

Genial o ensaio de Roberto Pompeu de Toledo sobre o Papai Noel. Mas ainda restam outras questões delicadas. Por que Papai Noel distribui tantas balas às crianças, contrariando o esforço de dentistas, nutricionistas, educadores e pais para que levem uma vida mais saudável? Por que Papai Noel sempre precisa vir acompanhado por uma irritante trilha sonora, em supermercados, shoppings e até mesmo no serviço de espera de telefonia?
Renata Neiva
Uberlândia, MG

 

Veja essa

Como brasileiro vivendo há onze anos no Chile, fiquei assustado ao ler o comentário de Glauco Fonseca (Veja essa, 27 de dezembro) segundo o qual a única diferença entre Pinochet e Castro é que Castro está vivo. Bom, quem sabe se está mesmo? Posso dizer que moro num país que tem um ar permanente de prosperidade. Esse é o aroma mais estranho que senti ao chegar por aqui. Porque não conhecia. Em minhas discussões com meus amigos chilenos, reconheço que a dor de um parente preso e desaparecido elimina a possibilidade de perdão, seja qual for a vertente política. Tenho a vantagem de usufruir o melhor que a modernização do Chile produziu e posso garantir a todos que este país está só começando. Eu colocaria flores na estátua de Allende e na de Pinochet, porque são parte do mesmo processo, e o Chile de hoje é resultado de ambos.
Fernando Muniz Simas
Santiago, Chile

 

Veja essa

Na seção Veja essa de 27 de dezembro, foi atribuída a mim a frase "Se não tiver aumento, vai haver uma fuga de cérebros" (do Congresso Nacional). Esclareço que houve um equívoco: em momento algum falei em cérebros, e sim em "sérios". Compreendo e respeito a indignação do cidadão. Em recente pronunciamento na Câmara, ressaltei que a proposta de aumento salarial dos parlamentares foi inoportuna. Admiti o erro e pedi desculpa à sociedade, bem como fui o autor do requerimento que retirou o assunto de pauta. É preciso resgatar a confiança e o respeito ao Parlamento brasileiro.
José Múcio Monteiro
Deputado federal (PTB-PE) e líder do PTB na Câmara
Brasília, DF

 

Especial O Melhor do Brasil

O Especial O melhor do Brasil (dezembro de 2006) ficou devendo aos leitores de VEJA as belezas da minha terra, Maranhão, e sua rica e inigualável culinária com seus pratos à base de camarão, caranguejo, sobremesas com frutas típicas da terra (bacuri, murici, buriti etc.). Na próxima pesquisa, sugiro que visitem o Maranhão e São Luís, sua capital. Vocês irão se surpreender!
Graça Veloso
São Luís, MA

 

As relações suspeitas de Álvaro Lins

Em "Todo mundo sabia..." (27 de dezembro), vimos que o Rio de Janeiro elegeu mais um parlamentar corrupto. É uma pena que a capacidade de organização da sociedade seja menor que a de geração de políticos inescrupulosos. Lastimável!
José Elias Aiex Neto
Foz do Iguaçu, PR

 

Os benefícios da amizade

Identifiquei-me muito com a reportagem "Com a ajuda dos meus amigos" (27 de dezembro). Não por ter um círculo social bastante ampliado, mas por ter grande dificuldade de me relacionar com as pessoas. Tudo o que foi exposto na matéria se adequou perfeitamente a mim. A falta de amigos torna minha vida (principalmente no recreio da escola) chata e sem graça. Buscarei a partir de agora tentar conviver mais com as pessoas, já que isso só traz benefícios.
Ana Lúcia Faria e Silva, 13 anos
Montes Claros, MG

 

CORREÇÕES: A estimativa de que as vendas da cachaça Sagatiba superem 1 milhão de garrafas, em 2006, incluem dez países da Europa, e não somente a Inglaterra (Radar, 27 de dezembro). A foto publicada na página 21 do especial O Melhor do Brasil, no quadro sobre o Iberostar Bahia, é do Marriott Costa do Sauípe Resort & Spa.

 

 

VIAJANDO NA MAIONESE

O leitor Antonio Escuder Pou, de Santos (SP), contesta a informação publicada na reportagem "A polícia do sushi" (6 de dezembro) de que a maionese tem origem francesa. "Ela é da Ilha de Mahón e em espanhol se chama mahonesa", explica. Na verdade há várias versões tanto para a procedência do famoso molho como para a origem do seu nome. Algumas delas:

Leroy, o cozinheiro do duque de Richelieu, teria criado a mistura em meados do século XVIII, quando a cidade de Mahón, na ilha espanhola de Minorca, estava sob ocupação francesa. Na falta de leite, ele teria juntado azeite aos ovos.

Em outra versão, o molho teria surgido de um acidente: Leroy deixou cair uma gema de ovo no azeite e, como o duque estava faminto e impaciente, para não perder tempo o cozinheiro bateu a mistura e a levou à mesa.

Alguns dos que sustentam que o molho nasceu na França atribuem a origem do nome à cidade de Bayonne, sendo mayonnaise uma variação de bayonnaise.

No Larousse Gastronomique, Prosper Montagné diz que o nome seria uma corruptela de moyeunaise, derivado do francês antigo moyeu, gema de ovo.

Menos cotada entre as versões de que o molho teria sido inventado na França, há a tese que afirma ser o termo mayonnaise derivado do título de nobreza de Charles de Lorraine, duque de Mayenne.

 

O OBELISCO DE LUXOR

A reportagem "De volta à origem" (20 de dezembro), que tratou das relíquias de civilizações antigas e clássicas que países europeus estão devolvendo a seus donos, afirmou: "No centro de outra disputa está o obelisco que Napoleão Bonaparte carregou como troféu de sua célebre campanha militar no Egito. Os egípcios nunca esconderam o desejo de reavê-lo. Mas é difícil imaginar Paris sem esse cartão-postal". Trata-se do Obelisco de Luxor, instalado na Praça da Concórdia, em Paris. Na verdade, segundo a Enciclopédia Britânica, o obelisco foi um presente do governo egípcio à França. "O monumento erguido por Ramsés II diante do templo de Luxor (fazendo par com o outro que ainda se encontra no local) foi presenteado por Mohammed Ali (vice-rei do Egito, 1769-1849) à França em troca de maquinário industrial, com vistas à modernização do Egito nos moldes ocidentais", diz o professor Cássio de Araújo Duarte, doutorando em arqueologia médio-oriental com especialização em egiptologia no Museu de Arqueologia e Etnologia da USP. Com 230 toneladas e 23 metros de altura, o Obelisco de Luxor foi feito de granito rosa em 1200 a.C. e dado de presente à França em 1831. Hoje, contudo, os egípcios também o querem de volta.

 

MULHERES, AVANTE!

A reportagem "As pioneiras da caserna" (6 de dezembro), a respeito das mulheres que estão assumindo postos de comando nas Forças Armadas, despertou na fisioterapeuta Paula Dias da Silva, de São Paulo, o interesse em ingressar no Exército. "Sou pós-graduada na área de saúde e gostaria de maiores informações sobre como fazer parte da Força", comenta. Para seguirem a carreira, as mulheres precisam cursar uma das três escolas do Exército, de acordo com a área almejada: a de administração (www.esaex.ensino.eb.br), em Salvador; a de saúde (www.essex.ensino.eb.br), no Rio de Janeiro; ou o Instituto Militar de Engenharia (www.ime.eb.br), também no Rio. Neste ano, 47% das inscrições foram de mulheres. Para aquelas que já têm o grau superior, o curso remunerado dura em média um ano, mas a concorrência é acirrada. O curso de administração, por exemplo, teve 121 candidatos por vaga neste ano. Outras informações sobre como ingressar no Exército, na Aeronáutica e na Marinha podem ser encontradas nos respectivos sites: www.exercito.gov.br; www.fab.mil.br; www.mar.mil.br.

 

O VALENTE ARTHUR

Álbum de família
Nascido no sexto mês de gestação, Arthur se recupera de pequenas seqüelas


Ao ler a reportagem "O sublime milagre da vida" (27 de dezembro), Jaqueline e Clóvis de Lima, de Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul, reviveram o drama do nascimento do filho Arthur, hoje com 8 anos. "Tive pré-eclampsia e ele veio ao mundo antes do tempo para que eu não morresse", emociona-se a mãe. O menino, que nasceu de 25 semanas, com apenas 29 centímetros e pesando 540 gramas, passou mais de quatro meses na UTI neonatal e sobreviveu a três cirurgias. Os médicos de Arthur não sabiam precisar se sua prematuridade lhe traria seqüelas. Hoje, o xará do bebê mostrado na capa "Milagres do Natal" apresenta somente um problema motor no lado direito do corpo, quase imperceptível graças às sessões de fisioterapia. Mãe da também prematura Helena, de 3 meses, nascida no Hospital Mãe de Deus, em Porto Alegre, Jaqueline faz parte de um grupo de apoio aos pais de bebês prematuros. Maiores informações encontram-se no site: www.maededeus.com.br/pequenosvalentes/index_low.html.

 
 
 
 
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