Edição 1933 . 30 de novembro de 2005

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Cinema
Vade retro

Laura Linney aceita ser
"escada" do pior dos vilões


Isabela Boscov

Laura Linney é bonita, charmosa, inteligente, discreta e uma tremenda atriz – e, nesse particular, o inglês Tom Wilkinson e o americano Scott Campbell, seus colegas de cena em O Exorcismo de Emily Rose (The Exorcism of Emily Rose, Estados Unidos, 2005), que estréia nesta sexta-feira no país, não ficam muito atrás. Os três, porém, cometeram um equívoco tão tremendo quanto o seu talento: aceitaram fazer escada para um vilão que não precisa nem dar as caras para deixar a platéia apavorada – basta mencioná-lo e vinte séculos de civilização judaico-cristã já fazem todo o serviço que deveria ser dos roteiristas. Laura é uma advogada de defesa, Campbell é um promotor público, e ambos se enfrentam no julgamento de Wilkinson, um padre que deixou a adolescente Emily Rose morrer durante a tentativa de expulsar nada menos do que seis demônios de seu corpo. É um desses casos em que o filme em si pouco tem a acrescentar ao seu título. Em casa, possuída, Emily come insetos, fala com voz roufenha e pratica poses demoníacas de ioga. No tribunal, pondera-se se é válido ou não julgar um problema espiritual na esfera secular. "Objeção!", grita Campbell. "Sob que alegação?", pergunta o juiz. "Que tal imbecilidade?", retruca o promotor, coberto de razão.

 
 
 
 
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