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Cinema Vade
retro Laura Linney aceita ser "escada"
do pior dos vilões  Isabela
Boscov
Laura Linney é bonita, charmosa, inteligente,
discreta e uma tremenda atriz e, nesse particular, o inglês Tom Wilkinson
e o americano Scott Campbell, seus colegas de cena em O Exorcismo de Emily
Rose (The Exorcism of Emily Rose, Estados Unidos, 2005), que estréia
nesta sexta-feira no país, não ficam muito atrás. Os três,
porém, cometeram um equívoco tão tremendo quanto o seu talento:
aceitaram fazer escada para um vilão que não precisa nem dar as
caras para deixar a platéia apavorada basta mencioná-lo e
vinte séculos de civilização judaico-cristã já
fazem todo o serviço que deveria ser dos roteiristas. Laura é uma
advogada de defesa, Campbell é um promotor público, e ambos se enfrentam
no julgamento de Wilkinson, um padre que deixou a adolescente Emily Rose morrer
durante a tentativa de expulsar nada menos do que seis demônios de seu corpo.
É um desses casos em que o filme em si pouco tem a acrescentar ao seu título.
Em casa, possuída, Emily come insetos, fala com voz roufenha e pratica
poses demoníacas de ioga. No tribunal, pondera-se se é válido
ou não julgar um problema espiritual na esfera secular. "Objeção!",
grita Campbell. "Sob que alegação?", pergunta o juiz. "Que tal imbecilidade?",
retruca o promotor, coberto de razão. |