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Crime
País de fraudadores
Golpes pela internet são a terceira
maior fonte de divisas da Nigéria

José Eduardo Barella
AP
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| Nigerianos num cibercafé de Lagos: avisos
contra o golpe 419, o 171 deles |
A Nigéria é a campeã
mundial de fraudes pela internet. Estima-se que a roubalheira on-line
represente a terceira maior fonte de divisas do país, depois
das exportações de petróleo e de cacau. Só
nos Estados Unidos, onde se concentra a maioria das vítimas,
os golpistas nigerianos arrancam a cada ano 1 bilhão de dólares
de pessoas e empresas. Uma comissão criada pelo governo da
Nigéria para combater esse tipo de fraude estimou que pelo
menos 1,3 milhão de pessoas, 1% da população,
vivam desses golpes. O conto-do-vigário eletrônico
é conhecido por lá pelo apelido de 419, referência
ao número do artigo do código penal que trata desse
tipo de delito. O equivalente ao 171 no Brasil. A lei prevê
penas de até dez anos de cadeia para os golpistas.
O esquema nigeriano é
simples, óbvio e vem se repetindo há tanto tempo que
causa espanto que ainda engane alguém. Tem variações,
mas se trata basicamente do mesmo golpe. O mais utilizado consiste
em fisgar a vítima pedindo ajuda para movimentar uma grande
quantia em dinheiro de uma conta para outra, com a promessa de dar
uma porcentagem do valor. Nesse caso, os fraudadores se identificam,
no e-mail, como parentes de políticos corruptos que estão
com dificuldade para sacar o dinheiro da herança por se tratar
de dinheiro ilícito. As pessoas que aceitam entrar no falso
esquema são instruídas a enviar uma determinada quantia
aos fraudadores, com a desculpa de que é preciso abrir uma
conta em um banco ou pagar taxas para concluir a transação.
Obviamente, depois que as vítimas entregam o dinheiro, os
vigaristas desaparecem.
Outra fraude comum é a
de nigerianos que se fazem passar por mulheres em busca de marido
em países ricos. A isca utilizada na internet são
fotos de mulheres atraentes. Os golpistas pedem que o pretendente
envie o dinheiro para a passagem aérea e em seguida desaparecem.
Calcula-se que cerca de 70% das pessoas que respondem ao primeiro
e-mail acabam caindo em um golpe. Num país em que a corrupção
é endêmica a Nigéria está entre
as dez nações mais corruptas do planeta, segundo a
ONG Transparência Internacional , os golpes envolvem
desde funcionários do governo e de bancos, que falsificam
documentos e encobrem os delitos, até os milhares de ratos
de internet, que chegam a enviar 500 e-mails por dia a potenciais
vítimas em todo o mundo. Nos golpes mais sofisticados, a
vítima chega a se encontrar com os golpistas dentro de instituições
oficiais da Nigéria, como bancos e órgãos públicos,
o que dá credibilidade às histórias inventadas.
Apenas nos últimos dois anos, depois de ser pressionado pelo
governo americano para controlar as movimentações
financeiras feitas a partir do país, o governo da Nigéria
começou a tomar as primeiras medidas de combate às
fraudes de internet. Há duas semanas, a Justiça do
país condenou dois nigerianos que deram um golpe de 242 milhões
de dólares no extinto Banco Noroeste, de São Paulo
a maior fraude via internet de que se tem notícia
no mundo.
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