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Brasil
A "sorte" de Dirceu
O futuro do ex-ministro será decidido
no STF pelo amigo de seu melhor amigo
Sérgio Lima/Folha Imagem
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RINDO À
TOA
O deputado José Dirceu: no Supremo Tribunal Federal,
simpatias; na Câmara, destino selado |
O deputado José Dirceu,
ex-ministro-chefe da Casa Civil, que já conseguiu adiar por
três vezes a votação de seu processo de cassação
na Câmara dos Deputados, agora tem chances razoáveis
de vê-la protelada novamente desta vez para 2006. Para
sorte do deputado (tanta sorte que até dá para desconfiar),
a decisão está nas mãos do ministro do Supremo
Tribunal Federal (STF), Sepúlveda Pertence, grande amigo
do seu melhor amigo, o advogado Antônio Carlos de Almeida
Castro conhecido como Kakay e famoso, entre outras coisas,
pela destreza com que exercita seu poder de convencimento junto
às altas cortes de Brasília (habilidade apelidada
de "embargo auricular"). Na quarta-feira passada, o ministro Pertence
foi acometido por uma súbita e oportuna crise de labirintite.
A doença coincidiu (se é que se trata mesmo de coincidência,
enfatize-se) com a data em que o STF deveria julgar mais um pedido
de liminar impetrado pela defesa de Dirceu com o objetivo de suspender
a votação do seu processo de cassação
na Câmara. Entre outras chicanas, o pedido baseava-se no fato
de que uma das testemunhas de acusação do ex-deputado,
a presidente do Banco Rural, Kátia Rabello, havia sido ouvida
pelo Conselho de Ética da Câmara depois das testemunhas
de defesa, quando, segundo os advogados de Dirceu, deveria ser o
contrário. Os magistrados presentes à sessão
divergiram em relação à questão, e o
resultado foi um polêmico empate decretado pelo presidente
do STF, o parcialíssimo ministro Nelson Jobim. Na ausência
de Pertence, o 11º magistrado, os trabalhos foram suspensos
sem que se chegasse a uma conclusão.
Dida Sampaio/AE
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Lula Marques/Folha Imagem
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O MAGISTRADO
O ministro do STF Sepúlveda Pertence: voto decisivo
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O ADVOGADO
Kakay: o melhor amigo de Dirceu, ele é íntimo
também de Pertence |
O episódio irritou parlamentares
e agravou ainda mais a crise entre o Legislativo e o Judiciário.
"O Judiciário está agindo politicamente ao interferir
no Congresso. Isto aqui está virando uma republiqueta", indignou-se
o senador Jefferson Peres (PDT-AM). Diante da grita geral, o presidente
da Câmara dos Deputados, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), decidiu manter
a data do julgamento de Dirceu em plenário. Será na
próxima quarta-feira, mesmo dia em que o STF retomará
a sessão suspensa. Até lá, sem dúvida,
o ministro Pertence já estará restabelecido. Se o
seu voto for contrário a Dirceu, o julgamento na Câmara
prosseguirá normalmente. Se for favorável ao deputado,
a votação será suspensa e adiada para o ano
que vem. Dirceu tenta de todas as formas protelar seu julgamento
porque sabe que suas chances de absolvição são
próximas de zero. Lá, ao contrário do que ocorre
no STF, o deputado angaria poucas simpatias e não pode promover
chicanas.
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