Edição 1933 . 30 de novembro de 2005

Índice
Lya Luft
Millôr
Diogo Mainardi
Tales Alvarenga
André Petry
Roberto Pompeu de Toledo
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Holofote
Contexto
Datas
Auto-retrato
Veja essa
Gente
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
 
 

Cartas

 
"Quando os homens se despem de dogmas e tabus, guiados pela mão divina, operam os verdadeiros milagres."
Geraldo Nardi
São Gabriel, ES

Células-tronco

VEJA tem o dom de perceber os rumos do que é relevante, palpitante e atual ("Células que salvam vidas", 23 de novembro). Conseguiu, em nove páginas, sintetizar toda a discussão científica, ética e religiosa que nos envolveu por dois dias no 1º Simpósio Brasileiro de Engenharia de Tecidos e Células-Tronco, ocorrido em 13 e 14 de outubro, no Hospital Santa Catarina, em São Paulo. Mais: teve êxito ao fazê-lo de forma clara e compreensível para o grande público.
Ithamar Nogueira Stocchero
Presidente da Sociedade Brasileira de Engenharia de Tecidos e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica – Regional São Paulo
São Paulo, SP

Nesta semana, João Roberto P.D., 4 anos, recebeu alta do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, onde passou por um transplante de células-tronco de sangue do cordão umbilical de sua irmã recém-nascida. Ele sofre de uma forma pouco comum de leucemia, a mielomonocítica juvenil. Após o transplante, ficou três meses internado em tratamento e, agora, felizmente, passa bem. Porém, por pertencer a uma família muito humilde, ficará na casa de apoio do HCPA. Há um ano, uma pesquisa revelou que nenhum dos quatro irmãos de João Roberto podia ser doador de medula óssea. Durante seu tratamento, a mãe do garoto engravidou de forma involuntária. Com o nascimento da irmã, em 14 de junho passado, o laboratório CordVida, de São Paulo, fez a coleta e congelou as células-tronco do sangue do cordão do bebê e, para alívio dos médicos, a análise do material mostrou grau adequado de compatibilidade e bom número de células. O próximo passo foi obter a autorização legal para o transplante entre os irmãos, processo moroso que causou muita ansiedade, pois o quadro da doença do menino exigia tratamento imediato. Após cerca de um mês, o transplante finalmente pôde ser realizado. E, para a felicidade de todos, foi bem-sucedido.
Doutora Claudia Maggioni
Diretora médica do CordVida
www.cordvida.com.br/site/
São Paulo, SP

Ao ler a reportagem sobre células-tronco, fui surpreendido na parte em que é relatada a pesquisa de células-tronco em pessoas com perda óssea na face, que é o meu caso. Explico: nasci com uma mancha diagnosticada como hemangioma na face direita; foi, então, naquela época, feito um tratamento à base de radiação para sua remoção, que logrou resultado; todavia, as seqüelas talvez tenham sido piores do que a própria mancha, pois em conseqüência da radiação tenho um afundamento facial direito. Ao ler a matéria, foi como se velhas esperanças fossem renovadas e o sonho de ter um rosto normal me fosse devolvido. Espero que VEJA continue a mostrar um Brasil onde vale a pena viver em contrapartida ao Brasil de políticos e politicagens escabrosos.
Miguel Iorio
São Paulo, SP

Fico feliz por ver que o Brasil de tantos problemas vem resolvendo o de muitas pessoas devolvendo-lhes a vida que achavam ter perdido. Um aviso aos críticos e céticos: a Terra já foi quadrada e o centro do universo.
Fabrício Oliveira Jabur
Por e-mail

VEJA se supera sempre! A capa, impregnada de significado e simbolismo, nos encanta e enternece.
Olga Polon
Por e-mail

 

Jonh Gray

Assustadora, além de muito interessante, é claro, a entrevista com John Gray "O peso das ilusões" (Entrevista, 23 de novembro). Devo admitir que, a partir da leitura das páginas amarelas deste mês, minha visão sobre o mundo e a humanidade foi abalada consideravelmente. Agradeço pela excelente entrevista, que, acredito, fez outros leitores lembrar-se da mediocridade que é a crença de que o homem domina o mundo.
Michelle Siqueira
Salvador, BA

É muito difícil livrar o homem das ilusões criadas pelo avanço tecnológico, já que deveria ser óbvio que tal avanço não tem nada a ver com o desenvolvimento humano (chamemos assim). Não se nega o avanço na medicina, mas 7 bilhões de pessoas é um indício de regressão. Imagine uma experiência em que fossem sendo colocadas, devagar e continuamente, baleias no oceano até ser atingido o número de 7 bilhões desses cetáceos.
Luíza Pinheiro
Belo Horizonte, MG

Não importa quanto vamos evoluir nas ciências, o Homo sapiens não mudará nos próximos séculos. Continuaremos a ser antropocêntricos e, por natureza, egocêntricos. Como disse John Gray, precisamos nos libertar e esquecer a idéia de tentar modificar o mundo, mesmo porque nos últimos milênios o homem sempre foi o mesmo, o que mudou foi a tecnologia. Hoje temos o poder de matar mais pessoas que antes. Estamos mudando para pior – a única coisa que estamos fazendo de positivo é aumentar nossa própria longevidade.
Antonio Paulo de Faria
Professor-doutor do Instituto de Geociências da UFRJ
Rio de Janeiro, RJ

Realmente é muita pretensão do homem achar que tem domínio de alguma coisa neste mundo. Acredito que John Gray mostra o caminho para o ser humano se sentir menos pressionado em relação aos problemas do mundo, entendendo que o fardo de carregar o planeta não está nas costas do homem. Porém, não devemos levar essa afirmação ao extremo; do contrário, cada um deixará de fazer sua parte para ter um mundo melhor.
Luiz Antonio Iervolino Pacheco e Silva
Por e-mail

Achei fantástica a entrevista com John Gray. As palavras dele definem bem o que é de verdade a vida, o modo como a vivemos e as ilusões que tecemos em relação ao futuro. Somos inúmeros robôs impelidos pelas religiões e pelas descobertas científicas a crer que o futuro vai ser melhor para todos. Acredito que muitas pessoas pensam como John Gray, só que não é interessante falar sobre essas coisas. Melhor é deixar o povo pensando que "amanhã tudo vai ser diferente".
Lorena Pagno Miranda, jornalista
Florianópolis, SC

Interessante a similaridade entre as idéias do economista Steven Levitt (Amarelas, 16 de novembro) e as do professor John Gray: ambos falam de probabilidades, mas são incapazes de provar algo consistente. Porém, entre um e outro, fico com o economista americano, que, apesar de ingênuo, acende uma luz na escuridão; enquanto o pensador inglês tenta apagá-la com tanto ceticismo.
André Luís Machado
Mogi-Guaçu, SP

Que bom seria se a humanidade fizesse uma reflexão mais acurada sobre a brilhante frase do entrevistado quando ele diz: "A crença no progresso nos impede de ver que, às vezes, em lugar de progredir, estamos, sim, regredindo". Parabéns ao professor, à repórter e à revista.
Ilmar Costa Bastos Paixão
Fortaleza, CE

 

PT

Para quem já se atribuiu os títulos de última trincheira da ética, baluarte da moralidade e celeiro dos maiores cérebros pensantes do país, o PT que hoje conhecemos chega a dar pena. Não bastasse a vergonha dos últimos meses, agora se sabe, graças a um laudo, que foi falsificada a assinatura do ex-dirigente Tarso Genro no pedido de abertura de processo ético por quebra de decoro contra o deputado Onyx Lorenzoni. É o fim da picada, mas lembremos: para quem inventou a cueca recheada de dinheiro, o mensalão e Waldomiro Diniz, chocar-se mais com o quê? ("PT falsifica assinatura", 23 de novembro)
Gustavo Henrique de Brito Alves Freire
Recife, PE

O que falta o PT fazer? A cada semana, a cada edição de VEJA, uma nova decepção. E o pior é a falta de compostura do presidente Lula, que parece só saber falar em política. Ora, qual é a dúvida: se vai ou não vai ser candidato à reeleição? Até hoje não saiu do palanque! E os do grupo dele que saíram, saíram pela porta dos fundos!
Osny Martins
Joinville, SC

Gostaria de saber dos petistas o que está faltando eles fazerem. Corrupção, caixa dois, empréstimos faz-de-conta, mensalão e agora aparece mais uma proeza: falsificaram a assinatura do presidente do partido. Aqueles que votaram em Lula estão decepcionados com ele e seus comparsas. O povo brasileiro merecia mais respeito, já que nós assinamos uma procuração para Lula – principalmente por seu passado – dirigir o Brasil, mas ele soube apenas manobrar tudo de amoral que um homem público pode fazer pelo povo.
Kleber Montoril Rocha
Manaus, AM

 

Governo

Gostaria que o Brasil acreditasse mais em nosso ministro Palocci, pois até agora ele tem se mostrado um grande homem de caráter e capacidade de conduzir a economia ("A dupla solidão de Palocci", 23 de novembro).
Maria Eulina dos Santos
Aracaju, SE

Estou vendo muita gente torcer para que o ministro Palocci deixe o cargo. A meu ver, é justamente isso que o presidente quer. Ele não pode admitir publicamente que quer a saída de Palocci, pois todos dizem que a política econômica é o ponto alto de seu governo, mas a verdade é que ele não poderá conduzir a campanha eleitoral com boa chance se não abrir as torneiras, coisa que Palocci parece se negar a fazer. Palocci passou a ser uma pedra no sapato de Lula.
Mário Ivan Araújo Bezerra
Por e-mail

 

Frango brasileiro não tem hormônio

Com relação à reportagem "A mania dos orgânicos" (23 de novembro), informamos que a avicultura brasileira não recorre ao uso de hormônios de crescimento na criação de frangos. A substância é proibida no país, por determinação do Ministério da Agricultura. No Brasil, as aves passaram a se desenvolver mais rapidamente, e com carne de melhor qualidade e sabor, pela simples combinação de alta tecnologia, genética e alimentação à base de milho e soja, em um sistema integrado entre produtores e frigoríficos. A restrição aos hormônios também é adotada no exterior, o que leva nossas granjas e frigoríficos a passar por constantes inspeções por técnicos estrangeiros, de países da União Européia e da Ásia. Também é comum a aplicação de diversos testes na carne de frango na chegada ao porto de destino. Gostaríamos de destacar que o frango destinado ao mercado interno é o mesmo vendido no mercado internacional e que, desde 2004, o Brasil é o maior exportador mundial – um atestado da qualidade e da sanidade de nosso produto.
Ricardo Gonçalves
Presidente da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frangos
São Paulo, SP

Todo o grande desenvolvimento de nossa avicultura, a maior exportadora mundial de carne de frango, atingindo mais de 140 países, baseia-se no desenvolvimento e aprimoramento genético.
Zoé Silveira d'Avila
Presidente da União Brasileira de Avicultura
São Paulo, SP

Os ganhos de produtividade na avicultura estão relacionados a manejo, alimentação (sem hormônios) e, principalmente, melhoramento genético, além de um alto investimento em sanidade e biossegurança. A avicultura brasileira é uma das melhores do mundo (talvez a melhor). Para concluir, façam um cálculo simples: o Brasil produz 5 bilhões de frangos por ano a custo muito baixo; se houvesse a utilização de hormônios, um produto extremamente caro, o custo do frango produzido dispararia, inviabilizando a atividade. Além disso, quem está produzindo (e onde) esses milhares de toneladas de hormônios?
Marcos Affonso Mascarenhas
Médico veterinário
Santa Izabel do Oeste, PR

 

Claudio de Moura Castro

Após ler o artigo "Os chineses leram Marx" (Ponto de vista, 23 de novembro), eu me senti na obrigação de contribuir com o autor e avisá-lo de que a faculdade pública no Brasil não é gratuita. Nós pagamos impostos proporcionais às nossas rendas que deveriam manter, entre outras coisas, a universidade pública. Respeito seu ponto de vista, mas, se meu filho tiver acesso a tais universidades, ele o fará de cabeça erguida, pois pago impostos há 29 anos para isso.
Manoel Francisco de Souza Neto
Araguari, MG

 

Luz para Todos

O Programa Luz para Todos não chegou primeiro às regiões mais ricas do país. Nas regiões Norte e Nordeste já foram atendidas 1,11 milhão de pessoas, enquanto nas regiões Centro-Oeste, Sul e Sudeste foram atendidas 670.000 pessoas ("Luz para todos, ou quase...", 23 de novembro).
José Ribamar Lobato Santana
Diretor
Brasília, DF

CORREÇÕES: O poeta Manoel de Barros nasceu em Cuiabá (MT), e não em Mato Grosso do Sul, como publicado no artigo "Iracema, uma viúva" (23 de novembro). Na música My Way, só a versão da letra para o inglês é de autoria de Paul Anka. A música original, em francês, é de Claude François, Jacques Revaux e Gilles Thibault. Diferentemente do que foi publicado em "Só para magras" (23 de novembro), a média de gordura retirada da região do pescoço em uma minilipo é de 50 mililitros, e não entre 100 e 200 mililitros. Na edição especial "O Melhor de Salvador" (novembro), o preço do prato quatro delícias baianas, do restaurante Solar do Unhão (pág. 30), é de 56 reais, e não de 6 reais. A filmadora GZ-MG40, da JVC, tem um sensor CCD, e não três ("Vídeo e foto já são quase a mesma coisa", Natal Digital, pág. 73). O sensor capta a luz que o aparelho transforma em imagem digital.

 

ESQUECERAM O DIRCEU?

Leitores questionaram a informação da reportagem "É assim no mundo todo" (23 de novembro) segundo a qual Falcão foi o primeiro jogador de clube estrangeiro a defender o Brasil em uma Copa do Mundo – em 1982, quando era atleta do Roma, na Itália. A primazia é mesmo de Falcão, mas ele a divide com outro jogador. "Dirceu, que atuava no Atlético de Madrid, da Espanha, também defendeu a seleção brasileira em 1982", lembra Cláudio José Pinto, de Natal. Dirceu Guimarães, que morreu em um acidente de carro em 1995, aos 43 anos, entrou no primeiro jogo da Copa, contra a URSS, mas durante a partida foi substituído por Paulo Isidoro. Ele começou a carreira no Coritiba, em 1972. Vestiu a camisa do Botafogo, do Fluminense e do Vasco, atuou com destaque no futebol mexicano (América) e no italiano (Verona, Nápoli, Ascoli, Como e Avellino), além de defender a seleção canarinho nas Copas de 1974, 1978 e 1982.

 

O "CLAPP" BRASILEIRO

Depois de ler a história do americano Cameron Clapp, atropelado por um trem aos 15 anos, contada na reportagem "Vida sobre próteses" (9 de novembro), a leitora Priscila Tuschinski, de Blumenau, Santa Catarina, escreveu: "Fiquei impressionada com a história do garoto. Mais um exemplo de vida. No Brasil também temos um caso muito parecido. Trata-se do Pauê (Paulo Eduardo Chieffi Aagard), de Santos, São Paulo". Ela conta o caso ocorrido no dia 8 de junho de 2000, quando Pauê, então com 18 anos, foi atropelado por uma locomotiva num trilho de trem desativado, em São Vicente, no litoral paulista, e perdeu as duas pernas. Antes do acidente ele levava uma vida normal, surfando, aproveitando a adolescência e planejando fazer medicina. Em janeiro de 2001, seis meses após o acidente, Pauê, incentivado por amigos, fez a primeira travessia aquática, de 1 500 metros. A segunda foi um pouco mais longa: 8 quilômetros. Em 2002, participou da primeira prova de triatlo, e nunca mais parou. Hoje, Pauê se dedica à prática profissional de triatlo e não largou sua grande paixão: o surfe. "Pauê é o único surfista amputado bilateral de que se tem notícia no mundo e também é o único triatleta com esse tipo de amputação a disputar provas para portadores de deficiência no Brasil", diz Priscila. No site www.paue.com.br há mais sobre o "Clapp" brasileiro.

 
 
 
 
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