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Cartas
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"Quando os homens se despem de dogmas
e tabus, guiados pela mão divina, operam os verdadeiros milagres."
Geraldo Nardi
São Gabriel, ES |
Células-tronco
VEJA tem o dom de perceber os
rumos do que é relevante, palpitante e atual ("Células
que salvam vidas", 23 de novembro). Conseguiu, em nove páginas,
sintetizar toda a discussão científica, ética
e religiosa que nos envolveu por dois dias no 1º Simpósio
Brasileiro de Engenharia de Tecidos e Células-Tronco, ocorrido
em 13 e 14 de outubro, no Hospital Santa Catarina, em São
Paulo. Mais: teve êxito ao fazê-lo de forma clara e
compreensível para o grande público.
Ithamar Nogueira Stocchero
Presidente da Sociedade Brasileira de Engenharia de Tecidos
e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica Regional
São Paulo
São Paulo, SP
Nesta semana, João Roberto
P.D., 4 anos, recebeu alta do Hospital de Clínicas de Porto
Alegre, onde passou por um transplante de células-tronco
de sangue do cordão umbilical de sua irmã recém-nascida.
Ele sofre de uma forma pouco comum de leucemia, a mielomonocítica
juvenil. Após o transplante, ficou três meses internado
em tratamento e, agora, felizmente, passa bem. Porém, por
pertencer a uma família muito humilde, ficará na casa
de apoio do HCPA. Há um ano, uma pesquisa revelou que nenhum
dos quatro irmãos de João Roberto podia ser doador
de medula óssea. Durante seu tratamento, a mãe do
garoto engravidou de forma involuntária. Com o nascimento
da irmã, em 14 de junho passado, o laboratório CordVida,
de São Paulo, fez a coleta e congelou as células-tronco
do sangue do cordão do bebê e, para alívio dos
médicos, a análise do material mostrou grau adequado
de compatibilidade e bom número de células. O próximo
passo foi obter a autorização legal para o transplante
entre os irmãos, processo moroso que causou muita ansiedade,
pois o quadro da doença do menino exigia tratamento imediato.
Após cerca de um mês, o transplante finalmente pôde
ser realizado. E, para a felicidade de todos, foi bem-sucedido.
Doutora Claudia Maggioni
Diretora médica do CordVida
www.cordvida.com.br/site/
São Paulo, SP
Ao ler a reportagem sobre células-tronco,
fui surpreendido na parte em que é relatada a pesquisa de
células-tronco em pessoas com perda óssea na face,
que é o meu caso. Explico: nasci com uma mancha diagnosticada
como hemangioma na face direita; foi, então, naquela época,
feito um tratamento à base de radiação para
sua remoção, que logrou resultado; todavia, as seqüelas
talvez tenham sido piores do que a própria mancha, pois em
conseqüência da radiação tenho um afundamento
facial direito. Ao ler a matéria, foi como se velhas esperanças
fossem renovadas e o sonho de ter um rosto normal me fosse devolvido.
Espero que VEJA continue a mostrar um Brasil onde vale a pena viver
em contrapartida ao Brasil de políticos e politicagens escabrosos.
Miguel Iorio
São Paulo, SP
Fico feliz por ver que o Brasil
de tantos problemas vem resolvendo o de muitas pessoas devolvendo-lhes
a vida que achavam ter perdido. Um aviso aos críticos e céticos:
a Terra já foi quadrada e o centro do universo.
Fabrício Oliveira Jabur
Por e-mail
VEJA se supera sempre! A capa,
impregnada de significado e simbolismo, nos encanta e enternece.
Olga Polon
Por e-mail
Jonh Gray
Assustadora, além de muito
interessante, é claro, a entrevista com John Gray "O peso
das ilusões" (Entrevista, 23 de novembro). Devo admitir que,
a partir da leitura das páginas amarelas deste mês,
minha visão sobre o mundo e a humanidade foi abalada consideravelmente.
Agradeço pela excelente entrevista, que, acredito, fez outros
leitores lembrar-se da mediocridade que é a crença
de que o homem domina o mundo.
Michelle Siqueira
Salvador, BA
É muito difícil
livrar o homem das ilusões criadas pelo avanço tecnológico,
já que deveria ser óbvio que tal avanço não
tem nada a ver com o desenvolvimento humano (chamemos assim). Não
se nega o avanço na medicina, mas 7 bilhões de pessoas
é um indício de regressão. Imagine uma experiência
em que fossem sendo colocadas, devagar e continuamente, baleias
no oceano até ser atingido o número de 7 bilhões
desses cetáceos.
Luíza Pinheiro
Belo Horizonte, MG
Não importa quanto vamos
evoluir nas ciências, o Homo sapiens não mudará
nos próximos séculos. Continuaremos a ser antropocêntricos
e, por natureza, egocêntricos. Como disse John Gray, precisamos
nos libertar e esquecer a idéia de tentar modificar o mundo,
mesmo porque nos últimos milênios o homem sempre foi
o mesmo, o que mudou foi a tecnologia. Hoje temos o poder de matar
mais pessoas que antes. Estamos mudando para pior a única
coisa que estamos fazendo de positivo é aumentar nossa própria
longevidade.
Antonio Paulo de Faria
Professor-doutor do Instituto de Geociências da UFRJ
Rio de Janeiro, RJ
Realmente é muita pretensão
do homem achar que tem domínio de alguma coisa neste mundo.
Acredito que John Gray mostra o caminho para o ser humano se sentir
menos pressionado em relação aos problemas do mundo,
entendendo que o fardo de carregar o planeta não está
nas costas do homem. Porém, não devemos levar essa
afirmação ao extremo; do contrário, cada um
deixará de fazer sua parte para ter um mundo melhor.
Luiz Antonio Iervolino Pacheco e Silva
Por e-mail
Achei fantástica a entrevista
com John Gray. As palavras dele definem bem o que é de verdade
a vida, o modo como a vivemos e as ilusões que tecemos em
relação ao futuro. Somos inúmeros robôs
impelidos pelas religiões e pelas descobertas científicas
a crer que o futuro vai ser melhor para todos. Acredito que muitas
pessoas pensam como John Gray, só que não é
interessante falar sobre essas coisas. Melhor é deixar o
povo pensando que "amanhã tudo vai ser diferente".
Lorena Pagno Miranda, jornalista
Florianópolis, SC
Interessante a similaridade entre
as idéias do economista Steven Levitt (Amarelas, 16 de novembro)
e as do professor John Gray: ambos falam de probabilidades, mas
são incapazes de provar algo consistente. Porém, entre
um e outro, fico com o economista americano, que, apesar de ingênuo,
acende uma luz na escuridão; enquanto o pensador inglês
tenta apagá-la com tanto ceticismo.
André Luís Machado
Mogi-Guaçu, SP
Que bom seria se a humanidade
fizesse uma reflexão mais acurada sobre a brilhante frase
do entrevistado quando ele diz: "A crença no progresso nos
impede de ver que, às vezes, em lugar de progredir, estamos,
sim, regredindo". Parabéns ao professor, à repórter
e à revista.
Ilmar Costa Bastos Paixão
Fortaleza, CE
PT
Para quem já se atribuiu
os títulos de última trincheira da ética, baluarte
da moralidade e celeiro dos maiores cérebros pensantes do
país, o PT que hoje conhecemos chega a dar pena. Não
bastasse a vergonha dos últimos meses, agora se sabe, graças
a um laudo, que foi falsificada a assinatura do ex-dirigente Tarso
Genro no pedido de abertura de processo ético por quebra
de decoro contra o deputado Onyx Lorenzoni. É o fim da picada,
mas lembremos: para quem inventou a cueca recheada de dinheiro,
o mensalão e Waldomiro Diniz, chocar-se mais com o quê?
("PT falsifica assinatura", 23 de novembro)
Gustavo Henrique de Brito Alves Freire
Recife, PE
O que falta o PT fazer? A cada
semana, a cada edição de VEJA, uma nova decepção.
E o pior é a falta de compostura do presidente Lula, que
parece só saber falar em política. Ora, qual é
a dúvida: se vai ou não vai ser candidato à
reeleição? Até hoje não saiu do palanque!
E os do grupo dele que saíram, saíram pela porta dos
fundos!
Osny Martins
Joinville, SC
Gostaria de saber dos petistas
o que está faltando eles fazerem. Corrupção,
caixa dois, empréstimos faz-de-conta, mensalão e agora
aparece mais uma proeza: falsificaram a assinatura do presidente
do partido. Aqueles que votaram em Lula estão decepcionados
com ele e seus comparsas. O povo brasileiro merecia mais respeito,
já que nós assinamos uma procuração
para Lula principalmente por seu passado dirigir o
Brasil, mas ele soube apenas manobrar tudo de amoral que um homem
público pode fazer pelo povo.
Kleber Montoril Rocha
Manaus, AM
Governo
Gostaria que o Brasil acreditasse
mais em nosso ministro Palocci, pois até agora ele tem se
mostrado um grande homem de caráter e capacidade de conduzir
a economia ("A dupla solidão de Palocci", 23 de novembro).
Maria Eulina dos Santos
Aracaju, SE
Estou vendo muita gente torcer
para que o ministro Palocci deixe o cargo. A meu ver, é justamente
isso que o presidente quer. Ele não pode admitir publicamente
que quer a saída de Palocci, pois todos dizem que a política
econômica é o ponto alto de seu governo, mas a verdade
é que ele não poderá conduzir a campanha eleitoral
com boa chance se não abrir as torneiras, coisa que Palocci
parece se negar a fazer. Palocci passou a ser uma pedra no sapato
de Lula.
Mário Ivan Araújo Bezerra
Por e-mail
Frango brasileiro não
tem hormônio
Com relação à
reportagem "A mania dos orgânicos" (23 de novembro), informamos
que a avicultura brasileira não recorre ao uso de hormônios
de crescimento na criação de frangos. A substância
é proibida no país, por determinação
do Ministério da Agricultura. No Brasil, as aves passaram
a se desenvolver mais rapidamente, e com carne de melhor qualidade
e sabor, pela simples combinação de alta tecnologia,
genética e alimentação à base de milho
e soja, em um sistema integrado entre produtores e frigoríficos.
A restrição aos hormônios também é
adotada no exterior, o que leva nossas granjas e frigoríficos
a passar por constantes inspeções por técnicos
estrangeiros, de países da União Européia e
da Ásia. Também é comum a aplicação
de diversos testes na carne de frango na chegada ao porto de destino.
Gostaríamos de destacar que o frango destinado ao mercado
interno é o mesmo vendido no mercado internacional e que,
desde 2004, o Brasil é o maior exportador mundial
um atestado da qualidade e da sanidade de nosso produto.
Ricardo Gonçalves
Presidente da Associação Brasileira dos Produtores
e Exportadores de Frangos
São Paulo, SP
Todo o grande desenvolvimento
de nossa avicultura, a maior exportadora mundial de carne de frango,
atingindo mais de 140 países, baseia-se no desenvolvimento
e aprimoramento genético.
Zoé Silveira d'Avila
Presidente da União Brasileira de Avicultura
São Paulo, SP
Os ganhos de produtividade na
avicultura estão relacionados a manejo, alimentação
(sem hormônios) e, principalmente, melhoramento genético,
além de um alto investimento em sanidade e biossegurança.
A avicultura brasileira é uma das melhores do mundo (talvez
a melhor). Para concluir, façam um cálculo simples:
o Brasil produz 5 bilhões de frangos por ano a custo muito
baixo; se houvesse a utilização de hormônios,
um produto extremamente caro, o custo do frango produzido dispararia,
inviabilizando a atividade. Além disso, quem está
produzindo (e onde) esses milhares de toneladas de hormônios?
Marcos Affonso Mascarenhas
Médico veterinário
Santa Izabel do Oeste, PR
Claudio de Moura Castro
Após ler o artigo "Os
chineses leram Marx" (Ponto de vista, 23 de novembro), eu me senti
na obrigação de contribuir com o autor e avisá-lo
de que a faculdade pública no Brasil não é
gratuita. Nós pagamos impostos proporcionais às nossas
rendas que deveriam manter, entre outras coisas, a universidade
pública. Respeito seu ponto de vista, mas, se meu filho tiver
acesso a tais universidades, ele o fará de cabeça
erguida, pois pago impostos há 29 anos para isso.
Manoel Francisco de Souza Neto
Araguari, MG
Luz para Todos
O Programa Luz para Todos
não chegou primeiro às regiões mais ricas do
país. Nas regiões Norte e Nordeste já foram
atendidas 1,11 milhão de pessoas, enquanto nas regiões
Centro-Oeste, Sul e Sudeste foram atendidas 670.000 pessoas ("Luz
para todos, ou quase...", 23 de novembro).
José Ribamar Lobato Santana
Diretor
Brasília, DF
CORREÇÕES:
O poeta Manoel de Barros nasceu em Cuiabá (MT), e não
em Mato Grosso do Sul, como publicado no artigo "Iracema, uma viúva"
(23 de novembro).
Na música My Way, só a versão da letra
para o inglês é de autoria de Paul Anka. A música
original, em francês, é de Claude François,
Jacques Revaux e Gilles Thibault.
Diferentemente do que foi publicado em "Só para magras" (23
de novembro), a média de gordura retirada da região
do pescoço em uma minilipo é de 50 mililitros, e não
entre 100 e 200 mililitros.
Na edição especial "O Melhor de Salvador" (novembro),
o preço do prato quatro delícias baianas, do restaurante
Solar do Unhão (pág. 30), é de 56 reais, e
não de 6 reais.
A filmadora GZ-MG40, da JVC, tem um sensor CCD, e não três
("Vídeo e foto já são quase a mesma coisa",
Natal Digital, pág. 73). O sensor capta a luz que o aparelho
transforma em imagem digital.
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ESQUECERAM
O DIRCEU?
Leitores
questionaram a informação da reportagem
"É assim no mundo todo" (23 de novembro) segundo
a qual Falcão foi o primeiro jogador de clube
estrangeiro a defender o Brasil em uma Copa do Mundo
em 1982, quando era atleta do Roma, na Itália.
A primazia é mesmo de Falcão, mas ele
a divide com outro jogador. "Dirceu, que atuava no Atlético
de Madrid, da Espanha, também defendeu a seleção
brasileira em 1982", lembra Cláudio José
Pinto, de Natal. Dirceu Guimarães, que morreu
em um acidente de carro em 1995, aos 43 anos, entrou
no primeiro jogo da Copa, contra a URSS, mas durante
a partida foi substituído por Paulo Isidoro.
Ele começou a carreira no Coritiba, em 1972.
Vestiu a camisa do Botafogo, do Fluminense e do Vasco,
atuou com destaque no futebol mexicano (América)
e no italiano (Verona, Nápoli, Ascoli, Como e
Avellino), além de defender a seleção
canarinho nas Copas de 1974, 1978 e 1982.
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O "CLAPP" BRASILEIRO
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Depois de ler a história
do americano Cameron Clapp, atropelado por um trem aos
15 anos, contada na reportagem "Vida sobre próteses"
(9 de novembro), a leitora Priscila Tuschinski, de Blumenau,
Santa Catarina, escreveu: "Fiquei impressionada com
a história do garoto. Mais um exemplo de vida.
No Brasil também temos um caso muito parecido.
Trata-se do Pauê (Paulo Eduardo Chieffi Aagard),
de Santos, São Paulo". Ela conta o caso ocorrido
no dia 8 de junho de 2000, quando Pauê, então
com 18 anos, foi atropelado por uma locomotiva num trilho
de trem desativado, em São Vicente, no litoral
paulista, e perdeu as duas pernas. Antes do acidente
ele levava uma vida normal, surfando, aproveitando a
adolescência e planejando fazer medicina. Em janeiro
de 2001, seis meses após o acidente, Pauê,
incentivado por amigos, fez a primeira travessia aquática,
de 1 500 metros. A segunda foi um pouco mais longa:
8 quilômetros. Em 2002, participou da primeira
prova de triatlo, e nunca mais parou. Hoje, Pauê
se dedica à prática profissional de triatlo
e não largou sua grande paixão: o surfe.
"Pauê é o único surfista amputado
bilateral de que se tem notícia no mundo e também
é o único triatleta com esse tipo de amputação
a disputar provas para portadores de deficiência
no Brasil", diz Priscila. No site www.paue.com.br
há mais sobre o "Clapp" brasileiro.
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