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O PT precisa ser firme na sua promessa de consolidar um governo de coalizão
e diálogo, em busca de um verdadeiro pacto social. O Brasil tem
um grande desafio pela frente. Não poderemos superar os enormes
obstáculos econômicos e sociais que afligem nosso país
com radicalismo e intransigência ("O que querem os radicais do PT",
23 de outubro). Manifesto
meu protesto pela forma com que VEJA (edição 1.774)
emite a opinião da revista sobre as correntes e o debate político
interno do PT. Defendemos Lula e os nossos candidatos , em
todo o país, posições aprovadas de forma majoritária,
e isso se expressa em nosso programa e em nosso projeto para o Brasil.
É um direito democrático das pessoas que compõem
as várias correntes de opinião do PT manter diálogo
e posições diferenciadas sobre assuntos complexos, que permitem
diferentes enfoques para sua solução. Portanto, é
inaceitável a maneira como a revista tenta desqualificar e apresentar
essas interlocuções internas como contradições
que não poderiam ser resolvidas por meio do diálogo.
Desconhecer as alas radicais do PT seria no mínimo ingenuidade,
considerando que elas já vêm se manifestando mesmo antes
da eleição. O eventual governo Lula poderia ouvir as reivindicações
e propostas dessas alas, filtrar o que interessa para o país e
descartar o que não interessa. Pulso forte e autoridade serão
sem dúvida uma necessidade imperiosa para Lula se desvencilhar
de antigos companheiros que rezam pela cartilha do canto da perua: "Quanto
pior melhor". Com
o grande poder de conciliação de Lula será fácil
encontrar um equilíbrio entre todas as correntes. Sobretudo se
tanto radicais quanto moderados tiverem o interesse comum do desenvolvimento
social do Brasil. Os
tempos mudam mesmo. Depois dessa eleição, ao perguntar para
minha filha quem é o bom velhinho de barba, sorridente, que gosta
de vermelho e que quer um mundo melhor, ela poderá responder: "Ah,
essa é fácil. O Lula!".
Na reportagem sobre o ilustre Enéas ("1.570.000
votos", 16 de outubro) existe um erro no quadro Álbum de Família,
em que é exibida uma foto do político quando militar. Ele
jamais foi "cadete do Exército", e sim aluno da Escola de Sargento
das Armas (EsSA).
O discurso de Gustavo Franco em "As eleições e o mercado"
(Em foco, 23 de outubro) é claro. Foi direto ao ponto. E ainda
queriam que eu aceitasse um candidato despreparado. Mesmo não sofrendo
na prática as conseqüências, pois moro na Austrália
desde 1981. Não dá mesmo.
Que os problemas brasileiros são enormes, que as desigualdades
sociais ainda existem, ninguém contesta. Mas daí a dizer
que o governo FHC foi um retrocesso, somente no discurso eleitoreiro das
oposições. É muito importante que a ONU venha a premiar
o trabalho desse governo que termina, que, se não foi o dos nossos
sonhos, pelo menos manteve a democracia intacta ("Com o selo da ONU",
23 de outubro).
O que houve de melhor na edição 1.774
foi o colunista Diogo Mainardi, com seu artigo "Queremos jogo sujo" (23
de outubro). Impagável! Dei muitas risadas. Obrigada, Diogo, por
salvar o meu domingo. Esqueceu de dizer que além de vitimismo eles
sofrem também de uma doença chamada "síndrome discursiva",
ou seja, são ótimos de papo mas ruins de ação.
A cidade de Belém é o retrato do descaso, da péssima
administração. Ao ser questionado sobre isso, o prefeito
Edmilson responde que é culpa do governo do Estado, nunca de seus
desvarios.
Muito interessante a entrevista com o escritor americano Andrew Solomon
(Amarelas, 23 de outubro). Tenho lutado contra a síndrome do pânico
desde os 18 anos; por conseqüência dessa doença tive
sérios problemas depressivos. A depressão foi uma contradição
em minha vida, a partir do momento em que senti a falta de motivação
para viver. Hoje acredito que meu amor pela vida seja maior que o de muitas
pessoas que não passaram pelo problema. Como o próprio Solomon
diz, "pessoas que passam por uma experiência dessas e conseguem
desenvolver um novo entendimento sobre si mesmas tornam-se mais aptas
a compreender o mundo". A vida me ensinou da maneira mais difícil.
Os cientistas americanos, italianos e brasileiros que participam das experiências
em busca da cura da doença que cegou o filho da senhora Maria Odete
Moschen e dezenas de seus familiares fazem seu trabalho aqui mesmo, em
Colatina, cidade a 120 quilômetros de Vitória, na clínica
do doutor Milton Moraes, que, com forte espírito de doação,
assim como a família Moschen, se entrega de corpo e alma para o
sucesso do projeto ("Não admito", 23 de outubro).
Gostaria de cumprimentar a revista VEJA pela excelente matéria
"O último baú do imperador" (23 de outubro). Esse projeto,
patrocinado pelo Instituto Cultural Banco Santos e conceituado pela Sociedade
de Amigos da Biblioteca Nacional (Sabin), é uma das nossas grandes
ações culturais deste ano.
Sobre a reportagem "Milagre na Índia" (23 de outubro), esclareço
que, segundo a doutrina católica, declarar que um fato é
miraculoso não envolve a infalibilidade da Igreja e, portanto,
pode ser contestado, e a Igreja pode e poderá sempre voltar atrás.
Somente não pode ser corrigido aquilo que é dogma de fé
e reconhecimento de um fato como miraculoso não entra nessa
categoria!
Como professora de matemática que atua na rede pública,
procuro "reinventar" a fim de preencher as lacunas de minha formação
e obter novas ferramentas para garantir o aprendizado de meus alunos.
O amor ao magistério nos faz "gênios criativos". Quando procuro
saber "para que" estou fazendo alguma atividade estou dando um sentido
à aprendizagem ("O Professor Nota 10", Ponto de vista, 23 de outubro).
Estranhamente, a reportagem "Barrados pelas urnas" (16 de outubro) faz
acreditar que resultados eleitorais são positivos quando coincidem
com as próprias posições e preferências pessoais
de quem os avalie, e negativos quando contrariem as idiossincrasias particulares
do avaliador. Não há como aplicar ao voto dois pesos e duas
medidas. Se ele for considerado válido e salutar para banir alguém
da vida pública, terá de ser reputado igualmente válido
quando nela mantenha ou reconduza alguém, por mais que isso desagrade
ao observador. Nesse sentido, parafraseando Rosa Luxemburgo, quando afirmou
que liberdade é, sempre e fundamentalmente, a liberdade de quem
discorda de nós, poder-se-ia dizer que democracia será,
sempre e fundamentalmente, a eleição de quem pense diferente
da gente. A reportagem incluiu-me de forma jocosa e gratuita numa categoria
de "sáurios políticos", com "DNA preservado" e "salvos pelas
urnas", por "defender idéias ultrapassadas" ou por "práticas
políticas antiquadas". A reportagem não indica que idéias
e práticas políticas seriam essas, em relação
a mim. Certamente, todavia, não foram "idéias deslocadas
no tempo", ou eu não teria votado pela flexibilização
da CLT nem lutado pela renegociação da dívida rural,
pelo disciplinamento da atividade bancária e pela vinculação
de verbas à saúde, com reajuste anual.
CORREÇÕES: O nome da província
japonesa onde fica a universidade em que se realizaram as pesquisas sobre
a cúrcuma ("Os
segredos do curry", Para usar, 23 de outubro) é Kumamoto.
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