Diogo Mainardi
O presidente-muamba
"Ao receptar o presidente-muamba, Lula conseguiu melar
a
disputa
eleitoral, impedindo qualquer possibilidade de
saída democrática
para a bananada hondurenha"
Celso Amorim é nosso homem em Tegucigalpa. Como o protagonista
do romance de espionagem de Graham Greene (na tela, Alec Guinness), ele copiou
o desenho de um aspirador de pó e passou a negociá-lo como se
se tratasse de algo maior: um plano militar secreto.
O aspirador de pó hondurenho é Manuel Zelaya. Ele
representa o eletrodoméstico mais antigo, mais prosaico e mais rumoroso
da América Latina: o caudilho bananeiro que dá um golpe para se
perpetuar no poder. Mas Celso Amorim, contando com a cumplicidade e a obtusidade
de seus chefes, montou uma farsa internacional e contrabandeou o aspirador de
pó hondurenho como se ele fosse um defensor da democracia, derrubado
ilegitimamente por uma ditadura militar.
Hugo Chávez comandou o retorno de Manuel Zelaya a Honduras.
Um jatinho conduziu-o clandestinamente a El Salvador. Ele cruzou a fronteira
hondurenha sem ser identificado e, até chegar a Tegucigalpa, percorreu
o país escondido no porta-malas de um carro e a bordo de um trator. Os
meios utilizados no transporte de Manuel Zelaya denotam claramente sua natureza
fraudulenta: ele é o presidente-muamba. Hugo Chávez sempre apoiou
os traficantes de drogas das Farc. Agora ele apoia os traficantes de golpistas
da Unasul. Só resta descobrir o papel desempenhado por Celso Amorim e
Lula nesse comércio ilícito.
Na última semana, Hugo Chávez comparou Manuel Zelaya
a Pancho Villa. Pancho Villa tinha um bigode. Pancho Villa tinha um chapéu.
Pancho Villa era um bandido. Se Manuel Zelaya de fato é Pancho Villa,
onde está Woodrow Wilson, o presidente americano que o combateu? Barack
Obama? Nada disso. Segundo Hugo Chávez, "falta firmeza" a Barack
Obama.
A "falta de firmeza" de Barack Obama garantiu o sucesso
do primeiro putsch lulista. Daqui a dois meses, em 29 de novembro, Honduras
elegeria um novo presidente da República. Seis candidatos concorreriam
ao cargo, dois deles ligados ao próprio Manuel Zelaya. Ao receptar o
presidente-muamba na embaixada brasileira, Lula conseguiu melar a disputa eleitoral,
impedindo qualquer possibilidade de saída democrática para a bananada
hondurenha. Além disso, seu ato estimulou uma brutal onda de saques a
supermercados e a bancos do país. O imperialismo lulista é assim
mesmo: Tegucigalpa é nosso quintal, e em nosso quintal quem escolhe o
presidente é o nosso presidente. E ele já escolheu: é o
aspirador de pó.

|