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Home  »  Revistas  »  Edição 2132 / 30 de setembro de 2009


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Papai sabe nada

Kadafi está fulo com os suíços que prenderam seu garoto;
mas na ONU foi a Obama que tratou como um filho


Vilma Gryzinski

Seth Wenig/AP

Vamos começar, de maneira irresponsavelmente otimista, pelo lado positivo. Ao falar na ONU pela primeira vez, Moamar Kadafi não pediu a dissolução da Suíça. Era isso que insinuava fazer, no duplo papel de ditador recordista (40 anos!) e papai zeloso. Kadafi anda zangadíssimo com o país dos cucos desde que seu caçula Hannibal (homenagem ao general cartaginês, mas todo mundo pode achar que um certo doutor Lecter também está envolvido) foi preso por uma noite em Genebra, no ano passado, por uma coisinha à toa como espancar empregados. Apesar das abjetas desculpas do governo suíço, o coronel continua a trombetear que sua vingança será maligna. Na ONU, porém, preferiu abordar outros assuntos. Exemplos: a gripe A pode ser produto de vírus criado em laboratório, a carta da ONU não serve para nada, o fuso horário em Nova York é uma droga e talvez fosse melhor mudar o negócio todo para um lugar mais "confortável". Opinião possivelmente reforçada pelo fato de que Kadafi e caterva alugaram um casarão de campo para acomodar o visitante, mas quando estavam montando a habitual tenda beduína no quintal, inspetores municipais encontraram rapidamente uma infração ao código de obras. Lá foram os líbios desarmar a barraca. O discurso de Kadafi durou 96 minutos e a piadinha entre os jornalistas era: "Onde está Kanye West quando se precisa dele?". Num mundo tristemente acostumado a bufões populistas, de Chávez a Berlusconi, Kadafi só provocou espanto quando chamou Barack Obama de "nosso filho". Nosso no sentido africano do pronome. Nada, pelo menos, a ver com Hannibal. Ninguém merece um pai desses.

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