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Edição 1971 . 30 de agosto de 2006

Índice
Millôr
Stephen Kanitz
Diogo Mainardi
André Petry
Roberto Pompeu de Toledo
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Holofote
Contexto
Datas
Gente
Artigo: Gustavo Ioschpe
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VEJA Recomenda

CINEMA

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Os três pequenos intrépidos de A Casa Monstro: uma mansão viva, e muito brava


A Casa Monstro
(Monster House,
Estados Unidos, 2006. Estréia nesta sexta-feira no país) – Nada como um cineasta capaz de aprender com seus erros. Depois dos resultados discutíveis obtidos com as técnicas de animação utilizadas em O Expresso Polar, o produtor Robert Zemeckis depurou a forma e aplicou-a com ótimo efeito nesse desenho, sobre três crianças que decidem enfrentar uma casa que parece estar viva – e muito brava. Original e capaz de provocar alguns arrepios bem genuínos (é o caso de pensar se os muito pequenos vão se divertir ou se apavorar), o filme dirigido pelo estreante Gil Kenan conta com excelentes talentos vocais, fornecidos por atores como Steve Buscemi, Kathleen Turner e Maggie Gyllenhaal. Ou seja, se puder, veja em inglês. Veja cenas.

 

DVD

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Imagem: pai vaidoso, filha triste


Questão de Imagem
(Comme une Image,
França/Itália, 2004. Europa) – Diretora do ótimo O Gosto dos Outros, a francesa Agnès Jaoui se sai aqui com um filme ainda mais contundente. A jovem Lolita (Marilou Berry) vive para impressionar seu pai, Étienne, um escritor de grande prestígio (papel de Jean-Pierre Bacri, marido da diretora e co-roteirista). Em vão: ele acha a filha gorda e desenxabida, e se compraz em ferir seus sentimentos – por exemplo, dizendo que nunca amou a mãe dela, ou saindo no meio da apresentação em que Lolita tenta se lançar como cantora lírica. Como Étienne, todos os outros personagens estão de alguma forma presos às suas percepções mais frívolas e superficiais. E não é por outra razão, sugere Agnès, que eles fazem de sua vida pessoal uma fonte de tanta frustração e descontentamento.

 

LIVROS

 

Hulton Archive/Getty Images
London: as tramóias do boxe  

Por um Bife e outras Histórias de Boxeadores, de Jack London (tradução de Jorge Ritter; Artes e Ofícios; 224 páginas; 32 reais) – O americano Jack London – pseudônimo literário de John Griffith Chaney (1876-1916) – é conhecido como um escritor aventureiro, o viajante que transformou regiões rústicas como o Alasca em cenário de excelentes obras. Pois ele era também um boxeador diletante. Em suas viagens, levava sempre as luvas, para desafiar para alguns rounds quem encontrasse pelo caminho. Essa coletânea reúne cinco contos que London escreveu sobre o esporte. São narrativas vigorosas, que revelam as tramóias e a crueldade do mundo do boxe. Consta até que Gene Tunney, campeão dos pesos pesados no fim dos anos 1920, decidiu se aposentar depois de ler o conto O Jogo.

 

Joel Saget/AP
Houellebecq: França tratada a pauladas 

A Possibilidade de uma Ilha, de Michel Houellebecq (tradução de André Telles; Record; 480 páginas; 49,90 reais) – Quando lançou Partículas Elementares, em 1998, Houellebecq deu uma boa sacudida na literatura francesa. E é irônico que ele hoje sustente praticamente sozinho a glória das letras francesas. A França, seus orgulhos e ilusões são desmontados a pauladas em seus livros. Aliás, não só a França, mas a humanidade em geral: Houellebecq é um cético furioso. Com mais de 300.000 exemplares vendidos em seu país de origem, A Possibilidade de uma Ilha narra a história de Daniel, um humorista amargurado que adere a uma seita que preconiza a clonagem como meio de chegar à vida eterna. A existência medíocre do Daniel "original" é comentada, com desencanto, por seus clones, em um futuro pós-nuclear. Leia trecho.

 

Napoleon Sarony/Time & Life Pictures/Getty Images
Wilde: para encantar as crianças  

O Amigo Fiel, de Oscar Wilde (adaptação de Gonzalo Cárcamo; Berlendis & Vertecchia; 48 páginas; 35 reais) – Mais conhecido por peças em que retratava ironicamente a sociedade vitoriana e pelo romance O Retrato de Dorian Gray, o irlandês Oscar Wilde (1854-1900) era também um grande autor de histórias para crianças. O Amigo Fiel é uma fábula sobre as diferentes e complicadas exigências de lealdade que esse laço impõe a dois amigos. A presente edição traz belas ilustrações coloridas de Cárcamo, autor também da adaptação. O desenhista modificou os personagens animais, recorrendo a bichos da fauna brasileira – o pintarroxo que conta a história no conto de Wilde se transforma em um curió nessa versão. Leia trecho.

 

CDs

 

Mario Rodrigues
Santtana: a nata do pop brasileiro contemporâneo  

3 Sessions in a Greenhouse, Lucas Santtana & Seleção Natural (Diginóis) – O cantor, compositor e guitarrista Lucas Santtana é um dos artistas mais criativos do pop brasileiro atual. Ele tem ligações estreitas com o tropicalismo: seu pai, Roberto Sant'Ana, produziu discos de artistas do movimento e seu tio é o compositor Tom Zé. Mas Lucas nunca se prendeu a um estilo musical. Seus dois discos anteriores tinham samba, namoros com o funk e música eletrônica. 3 Sessions in a Greenhouse foi gravado em três tacadas. As reuniões foram suficientes para Lucas e a banda Seleção Natural criarem um punhado de canções sólidas, que casam cavaquinho, dub (um reggae psicodélico) e um naipe de metais que incendeia qualquer pista de dança. Algumas faixas do disco podem ser baixadas de graça pelo site www.diginois.com.br.

 

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Art Brut: inteligência e humor  

Bang Bang Rock & Roll, Art Brut (EMI) – A exemplo dos conterrâneos do Bloc Party e dos escoceses do Franz Ferdinand, o quinteto inglês Art Brut é obcecado pela sonoridade das bandas da década de 80. Sua principal influência é o Gang of Four, que misturou a crueza do punk com letras mais literárias. O lado cabeça da banda desponta no nome: "arte bruta" era o rótulo do pintor francês Jean Dubuffet para os trabalhos artísticos criados por pessoas que viviam à margem da sociedade, como os doentes mentais. Mas o Art Brut é bem-humorado. Os vocais desleixados de Eddie Argos dão um colorido especial a canções como a irônica Formed a Band, sobre uma banda que resolveria os conflitos do Oriente Médio, e Emily Kane, que celebra um primeiro amor inesquecível.

 

 

Fontes: São Paulo: Cultura, Saraiva, Livraria da Vila, Nobel; Rio: Saraiva, Sodiler, Travessa, Argumento; Porto Alegre: Saraiva, Cultura; Brasília: Sodiler, Saraiva, Leitura; Recife: Sodiler, Saraiva, Cultura; Florianópolis: Livrarias Catarinense; Goiânia: Saraiva, Leitura; Curitiba: Saraiva, Livrarias Curitiba; Londrina: Livrarias Porto; Belo Horizonte: Leitura; Maceió: Sodiler; Belém: Clio; Natal: Sodiler; Vitória: Leitura; internet: Cultura, Leitura, Nobel, Saraiva, Sodiler, Submarino.
 
 
 
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