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Fotos Fábio Mangabeira
As mulheres compram casa, carro, viajam,
têm filhos sozinhas, comandam empresas.
Ainda sonham com o príncipe encantado.
Mas não têm pressa de encontrá-lo
Os
homens também buscam seu par perfeito,
mas aceitam a idéia de casar, mesmo sem
encontrá-lo. Sem mulher para cobrar bom
comportamento, eles levam uma vida
desregrada e entram em decadência
Entre
as inúmeras mudanças pelas quais o mundo vem passando
nos últimos anos, há uma que não tem sido observada
em todas as suas tremendas implicações. É o
fato de que há cada vez mais gente vivendo sozinha no planeta.
Estima-se que um terço da poil;ão mundial
adulta viva sem um parceiro. No Brasil, em 1984, os cartórios
emitiram 1 milhão de certidões de casamento. A população
aumentou muito nos dez anos seguintes e, ainda assim, o número
de casamentos baixou para 750 000. As separações,
na mesma década, saltaram mais de 35%. Há cada vez
mais bares, festas e pacotes de viagem para gente sozinha. Atenção:
fala-se aqui de gente sozinha, não necessariamente solitária.
Há muitas pessoas sozinhas que vivem bem e não fazem
muita questão de casar. "Elas querem coabitar, mas não
sob quaisquer condições. Embora seja verdade que ninguém
é feliz sozinho, as pessoas só querem conviver com
alguém se puderem viver bem", diz Anna Verônica Mautner,
psicanalista de São Paulo.
O
movimento que tem separado os sexos atinge de forma diferente homens
e mulheres. Uma pesquisa feita pela empresa de publicidade americana
Young & Rubicam em todo o mundo concluiu: "As mulheres que vivem
sozinhas compõem o bloco de consumo mais forte da atualidade,
da mesma forma como os yuppies foram nos anos 80. Elas são
independentes, têm grande poder de compra e sabem o que querem".
Para os homens a coisa tem sido mais complicada. Um estudo da Universidade
de Chicago com 1 500 casais constatou que, sem uma mulher que zele
por seu bem-estar, os homens decaem. Segundo a pesquisa, maridos
cujas mulheres trabalham mais de quarenta horas semanais têm
cerca de 30% mais riscos de adoecer. "Os homens são muito
dependentes das mulheres", diz o autor do estudo, o sociólogo
Ross Stolzenberg.
O
fenômeno pode ser observado também no Brasil. Segundo
dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE), o número de brasileiros que vivem sós saltou
de 1,6 milhão em 1981 para 3,8 milhões em 1998. A
vida solitária ficou muito mais fácil nos últimos
tempos. O telefone celular, o fax, a secretária eletrônica,
a internet e outros serviços tornaram mais prática
e confortável a vida de quem está só. Talvez
por isso as pessoas já não aceitam a idéia
de casar a qualquer custo. A revista americana Time e a rede
CNN de televisão fizeram uma enquete sobre isso, nos Estados
Unidos, com um resultado interessante. Oitenta por cento dos consultados
disseram que esperam, eventualmente, encontrar seu par perfeito.
Quando questionados se casariam caso não aparecesse a pessoa
perfeita, veio a surpresa. Apenas 34% das mulheres responderam que
sim, casariam com a pessoa que não seria exatamente sua imagem
de príncipe encantado. Entre os homens, foram 41%. Ou seja,
eles são menos exigentes. "As mulheres já não
querem apenas um homem em suas vidas. Querem um grande homem", conclui
a pesquisa.
Não
é difícil entender o processo que levou homens e mulheres
a se distanciarem. Depois da II Grande Guerra, o desenvolvimento
econômico acelerou-se. As mulheres foram chamadas a participar
do processo de produção. A educação
se universalizou. Mudanças estruturais como essas tinham
de influir sobre os padrões morais e sociais. Surgiram os
movimentos hippies, as feministas e uma mulher muito mais independente
do status proporcionado pelo casamento. "São os homens que
estão sofrendo mais nesta fase de transição.
Eles não se prepararam para conviver com mulheres tão
fortes", diz Ivani Rossi, diretora de planejamento da empresa de
pesquisa InterScience. Como se vê, há uma incompatibilidade
entre as expectativas e as necessidades de homens e mulheres. Enquanto
os dois não estabelecerem um novo pacto matrimonial, a tendência
de crescimento do número de pessoas sozinhas deverá
permanecer.
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