Tramóia
nipônica
Mitsubishi admite que durante vinte anos
escondeu
que seus carros tinham defeito
Reuters

Kawasoe,
o presidente: profundas desculpas |
Durante
muitos anos, pelo mundo inteiro, as pessoas elogiaram o modo de
produção, a eficiência, o cuidado e o baixo
custo com que os japoneses fabricavam todo tipo de coisas, especialmente
os carros. Automóveis japoneses invadiram a Europa e os Estados
Unidos, ameaçando a soberania de marcas antigas, como Ford,
General Motors e Volkswagen. Na semana passada, quando o presidente
da Mitsubishi Motors, Katsuhiko Kawasoe, foi a público admitir
que durante vinte anos sua montadora havia escondido os defeitos
que apareciam em seus veículos, o susto foi geral. A Mitsubishi
pediu aos proprietários de mais de 600.000 automóveis
no Japão e cerca de 200.000 em outros países que voltassem
com seus veículos às revendedoras, para reparos. Os
defeitos não foram especificados. Atingem onze modelos e
vão de problemas no sistema de freios até mau funcionamento
nos tanques de combustível. Os consertos custarão
cerca de 69 milhões de dólares e deixarão uma
marca negativa na imagem da montadora.
Pela legislação japonesa, as empresas são obrigadas
a preparar detalhados relatórios dos eventuais defeitos em
seus produtos e das reclamações recebidas, e apresentá-los
ao governo. Em vez de admitir os problemas que enfrentava, a Mitsubishi,
discretamente, correu atrás dos compradores de carros que
apresentavam falhas de funcionamento e consertou-os. A tramóia
foi descoberta numa auditoria feita por funcionários do Ministério
dos Transportes. Eles encontraram uma sala trancada onde estavam
arquivadas as reclamações dos clientes da Mitsubishi
"Admito que nossa companhia cometeu atos ilegais por anos e que
certamente alguns membros da diretoria deveriam estar sabendo disso.
Pedimos desculpas profundas a nossos clientes", disse Kawasoe.
Como todo o evento envolve muitos carros, defeitos diversos e duas
décadas, e ainda está cercado por grande sigilo, não
se sabe se a incúria da Mitsubishi provocou acidentes ou
vítimas entre seus clientes. Nos Estados Unidos, nas últimas
semanas, descobriu-se que pneus defeituosos fabricados pela Bridgestone/Firestone
foram responsáveis por dezenas de acidentes, muitos com vítimas
fatais. A empresa está providenciando a troca de 6,5 milhões
de pneus em todo o mundo e não sofreu abalo em sua imagem
perante consumidores e investidores. A Mitsubishi, ao contrário,
já sofreu. Na terça-feira 22, quando o anúncio
dos defeitos foi ao ar, as ações da empresa caíram
6,5%. No dia seguinte, mais 2%. Sinal de que o jeitinho nipônico
de operar já não faz tanto sucesso.
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