Insulto à
vítima
Promotor
acusa os sem-terra
de
serem nazistas
O
julgamento de dois oficiais da Polícia Militar apontados
como responsáveis pela morte de trabalhadores sem-terra,
em um conflito ocorrido em 1995 em Corumbiara, interior de Rondônia,
acabou ofuscado, na semana passada, pela atuação do
promotor de Justiça responsável pela acusação.
O promotor Tarcísio Leite Matos usou da palavra para pedir
a absolvição dos réus e atacar duramente os
sem-terra, que eram as vítimas. Durante seu falatório,
misturou suas idiossincrasias a respeito da reforma agrária
com fatos narrados no processo e criticou severamente os manifestantes.
Chegou a ponto de chamá-los de "nazistas" e profetizou: "Ou
o Brasil acaba com os sem-terra ou os sem-terra acabam com o Brasil".
Os policiais acusados foram tratados com toda condescendência
e respeito pelo senhor promotor.
Tarcísio
Leite Matos alegou que os policiais estavam cumprindo ordens e que
não havia provas para condená-los. Depois do show,
os jurados absolveram o capitão José Cysmeiros Pachá
e o tenente Mauro Ronaldo Flores, por 6 votos a 1. Os réus
chefiavam um batalhão que deu apoio à desastrada operação
de reintegração de posse em fazenda invadida pelos
sem-terra, que resultou na morte de dez manifestantes e dois PMs.
Graças a tamanho absurdo na performance do promotor, o resultado
do julgamento pode ser anulado. O pedido foi feito na semana passada
pelo Conselho Superior do Ministério Público de Rondônia,
que também decidiu afastá-lo do caso. A justificativa
é que ele não tinha o direito de explicitar suas opiniões
em uma corte de Justiça.
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