Brasil Sindicalismo

Esta semana
Sumário
Brasil
O código de conduta do governo contra a corrupção
Almirantes vão às compras
CUT elege primeiro não-metalúrgico para presidente
O promotor que chamou os sem-terra de nazistas
As irregularidades nos tribunais de contas
Galeão ocioso e Cumbica saturado
Internacional
Geral
Economia e Negócios
Guias
Artes e Espetáculos

Colunas
Diogo Mainardi
Luiz Felipe de Alencastro
Gustavo Franco
Roberto Pompeu de Toledo

Seções
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
VEJA on-line
Radar
Contexto
Holofote
Veja essa
Arc
Notas internacionais
Hipertexto
Gente
Datas
Cotações
Para usar
VEJA Recomenda
Os mais vendidos

Arquivos VEJA
Para pesquisar nos arquivos da revista, digite uma ou mais palavras

Busca detalhada
Arquivo 1997-2000
Busca somente texto 96|97|98|99
Os mais vendidos
 

CUT estatizada

Pela primeira vez o líder
da central não é metalúrgico

 
Antonio Milena

João Felício, o novo presidente: recordista de greves

A eleição do novo presidente da Central Única dos Trabalhadores, ocorrida no último dia 19, é um marco na história do sindicalismo no Brasil. Pela primeira vez em seus dezessete anos, a CUT elegeu um presidente não-metalúrgico. O escolhido foi o professor de artes plásticas João Felício, ex-presidente do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo. Outra razão que torna a eleição histórica é que aquela CUT originada no ABC paulista, que as pessoas se acostumaram a ver promovendo greves, acabou. Nasceu outra entidade, com perfil diferenciado. Da CUT do ABC ficaram uma lembrança do tempo em que os sindicatos afrontavam os generais na luta por reposição salarial e um nome, Luís Inácio Lula da Silva, três vezes segundo colocado nas eleições presidenciais. Sobre a nova CUT, ninguém sabe que herança vai deixar, apenas quais são seus desafios.

João Felício assume a entidade num momento ruim e em condições desfavoráveis ao sindicalismo. No passado, as empresas procuravam os metalúrgicos para negociar, como forma de evitar a greve e de manter as fábricas funcionando. Atualmente, se for preciso, mudam as fábricas de cidade ou de Estado, mas não aceitam as presss. Nos últimos dez anos, as montadoras demitiram pessoal e ainda assim conseguiram dobrar a produção de automóveis. Essa falta de poder de barganha dos sindicatos fez diminuir o grau de interesse dos trabalhadores por suas entidades. Em alguns lugares, as comissões de operários fazem coisas que seriam impensáveis no passado. Elas passaram a fiscalizar as linhas de produção em busca dos improdutivos ou faltosos. Os números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mostram que a proporção de brasileiros filiados a sindicatos caiu quase pela metade.

O único lugar onde a CUT mantém sua força razoavelmente inalterada é naquele setor da economia que não sofreu grandes modificações com o processo de globalização: o funcionalismo público. O novo presidente é oriundo justamente de um ramo do funcionalismo, os professores da rede oficial. É compreensível que, num momento de transformações, a ala estatal da CUT seja vencedora, não a ala privada da entidade, digamos assim. João Felício tem em seu currículo a greve mais longa já promovida por um grande sindicato no país. Em 1989, os professores de São Paulo cruzaram os braços por 82 dias. Uma das principais batalhas que ele tem pela frente não é contra os patrões, mas contra os próprios sindicatos. Há 18.000 entidades de empregados no Brasil, muitas de mentirinha, outras que só existem para acessar os benefícios governamentais. "Mexer na estrutura sindical e promover grandes fusões é nosso grande desafio", afirma.

 

Copyright 2000
Editora Abril S.A.
  VEJA on-line | Veja São Paulo | Veja Rio | Veja Recife | Guias Regionais
Edições Especiais | Site Olímpico | Especiais on-line
Arquivos | Downloads | Próxima VEJA | Fale conosco