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VEJA Recomenda
CINEMA QUANDO ESTOU AMANDO (Quand JÉtais Chanteur, França, 2006. Estréia nesta sexta-feira) Alain Moreau (Gérard Depardieu) já vai para lá da meia-idade, é corpulento, usa camisas berrantes e brilhantes e adora o que faz: cantar com sua banda em bailões do interior freqüentados por gente da antiga. No fundo um tímido e um solitário disfarçado em sedutor, Alain se apaixona de novo, depois de um longo inverno sentimental, por Marion (Cécile de France), uma moça mais jovem, moderna, complicada e que foi para a cama com ele no que ela considera ter sido um momento de fraqueza. Como é hábito no cinema francês, Quando Estou Amando percorre caminhos tortuosos para chegar a lugar nenhum. Mas é isso que faz sua beleza: a quixotesca campanha de conquista de Alain, animada pela mais inspirada e vulnerável atuação de Depardieu em muito tempo. Veja cenas.
Em uma manhã qualquer, Los Angeles amanhece sob efeito de um poluente tóxico e potencialmente letal; quem já estava em casa deve permanecer nela, fechando como for possível todas as frestas das portas e janelas; quem saiu para a rua está obrigado a permanecer nela para não contaminar os ainda ilesos, sob ameaça de ser abatido a tiros pela polícia. Feito com muita engenhosidade, este suspense acompanha a histeria crescente por meio de um casal dividido pela porta da frente de sua casa ela (Mary McCormack) passou o diabo para chegar até ali e quer entrar, enquanto ele (Rory Cochrane) decide deixá-la de fora para poupar a própria vida e a de um garoto a quem deu abrigo. O saldo prova que, com uma boa idéia, boas interpretações e um roteiro bem amarrado, não é preciso efeito especial nenhum para encenar um apocalipse convincente.
DISCO
Ting Ting era o nome de uma colega chinesa de Katie White (guitarra) na butique onde trabalhava na época em que se juntou a Jules de Martino (bateria) e em mandarim a palavra significa algo como "coreto". O primeiro disco da dupla formada em Manchester há dois anos vem arrancando elogios da crítica com seu divertido e despretensioso pop de garagem. Comparado pela imprensa britânica a bandas como Blondie e The Gossip, o dueto já vendeu mais de 300 000 discos desde que este primeiro trabalho foi lançado, em maio. Thats Not My Name, com sua deliciosa levada adolescente, desbancou até mesmo Madonna das paradas inglesas. Outras canções fazem sucesso nas rádios e fora delas. A dançante Shut Up and Let Me Go virou trilha sonora de um comercial da Apple para o iPod na Europa, além de embalar os episódios da série teen Gossip Girl.
LIVROS
Famoso por seus hábitos reclusos, o paranaense Dalton Trevisan pertence àquela estirpe dos escritores obsessivos que exploram sempre os mesmos veios temáticos. Todas as suas coletâneas de contos incluem personagens marginais, retratos pouco lisonjeiros dos subúrbios de Curitiba e um erotismo meio cafajeste. Pode-se até acusá-lo de escrever sempre a mesma obra mas o notável é que, mesmo assim, seus livros conseguem surpreender, pela força do estilo conciso e pela coragem brutal com que o autor explora os desvãos mais obscuros da natureza humana. Tal é o caso desta nova coletânea, com 26 contos. O texto que dá título ao livro é exemplar do universo de Dalton Trevisan: seu protagonista é um homem que não consegue resistir a seus impulsos sexuais e que estupra até uma criança. E ele ainda acusa: "Eu sou um de vocês". Leia trecho.
Filha de ucranianos, Marina Lewycka nasceu em um campo de refugiados na Alemanha, no fim da II Guerra Mundial, e cresceu na Inglaterra. Os traumas históricos que cercam sua família estão presentes neste romance. Mas são tratados com leveza e humor. Toda a confusão começa quando o octogenário imigrante ucraniano Nikolai, viúvo há dois anos, resolve se casar com a loiraça Valentina, quase cinqüenta anos mais jovem. Também ucraniana, a nova esposa encontra no casamento uma porta de saída de seu conturbado país natal, que então recém-saía do comunismo e, de quebra, uma possibilidade de dar o golpe do baú. Valentina enfrentará, porém, a oposição aguerrida das filhas de Nikolai. Detalhe curioso: o título referência a uma história dos tratores escrita por Nikolai induziu a livraria on-line Amazon a classificar o livro erroneamente, na época do lançamento, na categoria de Ciência e Engenharia. Leia trecho.
Quando menino, Jonathan Franzen, hoje se aproximando dos 49 anos, identificava-se com Charlie Brown, o garoto melancólico dos quadrinhos criados por Charles Schulz. A Zona do Desconforto reúne textos autobiográficos em que Franzen, um dos mais badalados nomes da literatura americana recente, revisita sua infância e adolescência um engraçado retrato do artista em seus tempos de nerd. O livro também registra as mudanças comportamentais que sacudiram os lares americanos nos anos 60 e 70 a convencional família de Franzen sofre um abalo quando um irmão mais velho foge de casa para perseguir seu sonho de dirigir filmes de arte, ocupação que o pai desaprovava. De certo modo, A Zona do Desconforto talvez revele as fontes a que Franzen recorreu para compor a família problemática de seu excelente romance As Correções. Leia trecho.
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