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Televisão As garotas espevitadas
das novelas Ciranda de Pedra
O motor das piadas é o fato de que ambas falam pelos cotovelos e transbordam confusão mental. Ao se jogar para cima de um gringo, Elzinha apela ao "portinglês": "How much do you... ganha?". Rakelli não domina sequer a língua pátria. Décimo segundo vira "dôzimo" e avestruz é "avescruz". A cada susto, solta ainda seu "choro de sirene" uma gritaria largamente copiada (oh, dor!) pelas crianças. Elzinha adora fazer futricas, mas o público a perdoa pela obstinação em vencer na vida e pela dedicação à filha (que ela esconde de todos por ser mãe solteira). Tonta a ponto de desmaiar diante do ídolo Huck, Rakelli é bem-vista pela pureza de seu romance com o pedreiro Robson (o ator Marcelo Faria de quem Isis, aliás, virou namorada). Mais que tudo, o segredo de ambas é carregar seus defeitos com leveza. Rakelli é o melhor exemplo. "Eu a concebi como uma criatura totalmente infantilizada", diz a autora Andrea Maltarolli. A beleza e a graça de Isis fazem com que esse jeito débil não seja insuportável.
As intérpretes de Elzinha e Rakelli têm trajetórias muito diferentes. A carioca Leandra, de 25 anos, é praticamente uma veterana nas novelas. Dezoito anos atrás, já fazia a filha de Juma Marruá em Pantanal (1990). Casada com Lirinha, vocalista do grupo de maracatu metafísico-universitário Cordel do Fogo Encantado, ela se amarra num papo difícil e personagens idem. Está em cartaz nos cinemas como uma jovem baladeira e desgovernada. "Elzinha é solar, Camila é da noite", diz Leandra. Isis começou bem mais tarde. Natural de Aiuruoca, cidade mineira de 6.000 habitantes, ela conquistou seu primeiro papel numa novela aos 19 anos, em Sinhá Moça (2006), depois de tentar a sorte como modelo e de estudar teatro por três meses. Fez apenas mais uma ponta em Paraíso Tropical, de 2007, antes de ganhar fama como Rakelli. Isis ainda não é uma atriz-cabeça mas está a caminho. "Eu construí a Rakelli como uma transgressora. Tipo assim: ela é meio fora do eixo porque é alguém que fica entre o psicótico e o neurótico", explica a atriz, que fez sessões de psicologia em busca da "essência" da personagem. Recentemente, declarou que, se pudesse levar só uma pessoa para uma ilha, escolheria Shakespeare. "Seria o máximo morrer ouvindo-o contar aquelas histórias", diz Rakelli. Ou será Isis? Quanto ao poeta inglês, se fosse como os garotos de hoje em dia, tampouco hesitaria em passar uma temporada numa ilha deserta com a bela starlet em sua versão criadora ou criatura.
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