Edição 1813 . 30 de julho de 2003

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TELEVISÃO


Divulgação
Monk: detetive obsessivo-compulsivo


Monk
(domingos, às 20h, no USA) – Adrian Monk, o protagonista dessa série cômico-policial cuja segunda temporada estréia na TV paga no domingo 27, é um detetive infalível – mas no limiar da insanidade. Obsessivo-compulsivo, ele tem mania de limpeza, um medo absurdo de contaminação por germes e é capaz de interromper uma investigação para voltar à sua casa e conferir se desligou o gás. Em suas diligências, Monk leva a tiracolo sua enfermeira (Bitty Schram), que não tem um segundo de paz e acaba sempre envolvida nas enrascadas do paciente. Pelo papel impagável, o americano Tony Shalhoub ganhou um Globo de Ouro e agora concorre ao Emmy.
Assista ao trailer.

VÍDEO

 
Divulgação
Fama para Todos: humor belga

Fama para Todos (Iedereen Beroemd!, Bélgica/Holanda/França, 2000. Warner) – Um pai coruja acha que sua filha rechonchuda e mal-humorada é uma pop star nata, à espera de ser descoberta. Para apressar as coisas, ele seqüestra uma pop star de verdade e exige do produtor dela um resgate peculiar: que ele torne sua filha famosa. O esquema tem tudo para dar errado, dada a inépcia do seqüestrador, mas essa comédia belga tem outros planos, mais improváveis e mais generosos, para seus personagens. A concentração de tipos caricatos parece sugerir apenas mais um daqueles retratos da breguice da classe operária européia. Graças à simpatia do elenco, porém, o resultado fica bem acima da média.

DVD

 
Warner Bros
Assim Caminha...: elegância

Assim Caminha a Humanidade (Giant, Estados Unidos, 1956. Warner) – Criador de gado texano casa-se com moça fina da Costa Leste, é superado em riqueza pelo ex-empregado, que descobre petróleo (mas não a cura para a paixonite pela mulher do ex-patrão), e seguem-se trinta anos de história do Texas sob o prisma da vida entre familiares, amigos e inimigos. É uma prova da elegância do diretor George Stevens que um tijolão desses – com 201 minutos de duração – pareça tão leve. Stevens, além disso, tirou de Rock Hudson a melhor atuação de sua vida, e algo muito próximo disso de Elizabeth Taylor. James Dean morreu dias após concluir as filmagens – episódio relembrado pelos sobreviventes do elenco nos extras desse DVD triplo.

LIVROS

Contos de Belkin, de Aleksander Pushkin (tradução de Klara Gourianova; Nova Alexandria; 120 páginas; 26 reais) – Autor de obras célebres, como o romance em versos Evguênie Oniéguin, Pushkin (1799-1837) é considerado o fundador da literatura russa moderna. Contos de Belkin é um exemplo de quanto Pushkin foi inovador. O livro reúne cinco contos que antecipam elementos do que viria a ser chamado de realismo literário, como o tom psicológico e o olhar irônico sobre a sociedade russa. Pushkin se vale de um recurso narrativo ousado para a época: inventou um autor fictício para as histórias – o Belkin do título – e também a figura de um editor. Ótima notícia: a tradução é direta do russo. Leia trecho.

Os Cães de Riga, de Henning Mankell (tradução de Beth Vieira; Companhia das Letras; 326 páginas; 33,50 reais) – O sueco Henning Mankell é dramaturgo, diretor teatral, roteirista de TV e autor de livros infanto-juvenis – mas foi graças à série de romances policiais protagonizados pelo inspetor Kurt Wallander que se tornou conhecido fora de seu país. O detetive é um tipo atormentado que, paradoxalmente, só consegue dar um tempo em seus questionamentos existenciais quando depara com algum caso intricado e sanguinolento. Em Os Cães de Riga, ele investiga o homicídio de dois cidadãos da Letônia, nos tempos em que esse país báltico lutava pela independência da União Soviética.

DISCOS

Tango Song and Dance, Anne-Sophie Mutter (Universal) – Em 1996, o maestro alemão André Previn compôs os temas Tango, Song e Dance inspirado pela beleza e pelo virtuosismo da violinista Anne-Sophie Mutter. Sete anos depois, ele não apenas se casou com a instrumentista como se uniu a ela para registrar a obra em disco. A execução da peça mostra que a dupla passa por momentos de harmonia e inspiração. Tango e Dance são peças rápidas e denotam uma leve influência do jazz, em que Mutter exibe sua decantada agilidade. Já Song é uma balada interpretada com doçura. Completam o disco trechos de Porgy and Bess, obra-prima de George Gershwin, e uma versão da Sonata para Violino e Piano, de Gabriel Fauré.

The Essential Sly & the Family Stone (Sony Music) – Na história do funk, o grupo americano Sly & the Family Stone só não tem maior destaque do que James Brown, o inventor do gênero. Sly mergulhou o funk no psicodelismo e seu baixista, Larry Graham, foi o criador do "slap" – aquela estilingada que os músicos dão no contrabaixo. Graças a eles, músicos como George Clinton e Prince encontraram o caminho aberto para construir suas carreiras. Uma vez que não existem discos da banda disponíveis no Brasil, essa coletânea dupla é uma preciosidade. Preste atenção às semelhanças entre Family Affair e o hit Já Sei Namorar, dos Tribalistas.

 
OS MAIS VENDIDOS
CRÍTICA

Não falta ao jornalista austríaco Erik Durschmied experiência para falar sobre guerras. Ele tem um currículo respeitável como correspondente – cobriu desde a tomada do poder pelos comunistas em Cuba, nos anos 50, até a Guerra do Golfo, nos 90. Aos 73 anos, Durschmied já não comparece ao campo de batalha, mas continua a escrever sobre o tema. Em Fora de Controle (tradução de Lólio Lourenço de Oliveira; Ediouro; 430 páginas; 42 reais), em oitavo lugar na lista de não-ficção de VEJA, ele parte de uma premissa interessante: a de que eventos banais teriam influído no resultado de conflitos históricos. Para demonstrar sua tese, ele examina dezessete episódios. Ao abordar a Guerra Civil Americana, por exemplo, fala como o acaso fez com que um sargento das forças do Norte encontrasse uma ordem de guerra dos inimigos sulistas embrulhada num pacote de charutos – e discute como isso poderia ter influenciado os rumos de uma batalha importante.

O problema é que Durschmied acaba forçando a mão. Sua análise séria e detalhada dos estratagemas militares da longínqua Guerra de Tróia, por exemplo, é baseada principalmente em uma obra literária, a Ilíada, de Homero. Ao abordar outros eventos bélicos, o autor tece páginas e páginas a respeito do efeito das intempéries e de fatores como o mau humor dos generais – para chegar à conclusão um tanto paradoxal de que, mesmo que tudo tivesse sido diferente, os rumos da história acabariam sendo os mesmos. E se Napoleão tivesse vencido os ingleses em Waterloo?, pergunta Durschmied. Ele próprio responde: o francês teria sido derrotado numa outra batalha. Então, tá.

Marcelo Marthe

 



 
Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Fnac, Nobel, Siciliano; Rio: Saraiva, Nobel, Laselva, Sodiler, Siciliano, Argumento, Travessa; Porto Alegre: Saraiva, Nobel, Livraria Ed. Porto Alegre, Siciliano; Brasília: Sodiler, Nobel, Siciliano, Saraiva, Leitura; Recife: Sodiler, Nobel, Saraiva, Siciliano; Natal: Nobel, Solider; Florianópolis: Siciliano; Goiânia: Siciliano, Nobel; Fortaleza: Siciliano, Laselva, Nobel; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano, Saraiva; Belo Horizonte: Siciliano, Nobel, Leitura; Maceió: Sodiler, Nobel.
 
 
 
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