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Ensaio:
Roberto Pompeu de Toledo
Ao
Brasil, com amor, desprezo ou escárnio
Uma
seleta do que se pensou e disse do país,
em variadas épocas, por variados autores
"São
desgraças do Brasil
Um patriotismo fofo Leis em parolas, preguiça,
ferrugem, formiga e mofo."
Domingos
Borges de Barros, Visconde de Pedra Branca, poeta e político
baiano (1779-1855)
"Os
primeiros homens brasileiros podem competir com os primeiros de
qualquer parte. Os segundos é que estão talvez a uma
distância excessiva dos primeiros; ou, para me explicar de
outro modo: não há segundos; aos primeiros seguem-se
imediatamente os nonos ou os décimos. A média é
fraca. Com as senhoras sucede o mesmo."
Ramalho
Ortigão, escritor português (1836-1915)
O Pará terá um dia a opulência da Rússia;
o Maranhão, a da Alemanha; Pernambuco, a da França;
a Bahia, a da Grã-Bretanha; esta [o Rio de Janeiro],
a de toda a Itália; São Paulo, a da Espanha; Santa
Catarina será a nossa Irlanda; a parte meridional do Brasil
equilibrará, só por si, os Estados Unidos do norte
do nosso mundo, enquanto Minas, compreendendo Goiás e Mato
Grosso, será tão opulenta como é hoje a Europa
toda.
Antônio
Gonçalves Gomide, deputado mineiro (1770-1883), em discurso
na Constituinte de 1823
É muito exagerar!
Antônio
Carlos Ribeiro de Andrada, deputado paulista (1773-1845), em resposta
ao anterior
"O
Brasil é o inferno dos negros, o purgatório dos brancos
e o paraíso dos mulatos e mulatas."
André
João Antonil, jesuíta italiano (1649-1716), autor
do clássico Cultura e Opulência do Brasil
"O
azar do Brasil é ter sido descoberto por um estrangeiro."
Max
Nunes, humorista carioca, nascido em 1922
"O
Brasil só precisa de uma lei. Uma lei que diga que é
preciso cumprir todas as outras."
Antônio
Ferreira Viana, gaúcho de nascimento, mas deputado pelo Rio
de Janeiro (1832-1905)
"O
Brasil converter-se-á num dos mais formosos estabelecimentos
do globo (nada para isso lhe falta) quando o tiverem libertado dessa
multidão de impostos, desse cardume de recebedores que o
humilham e o oprimem; quando inúmeros monopólios não
mais encadearem sua atividade; quando o preço das mercadorias
que lhe trazem não mais for duplicado pelas taxas de que
andam sobrecarregadas; quando os seus produtos não pagarem
mais direitos ou não os pagarem mais avultados que os dos
seus concorrentes; quando as suas comunicações com
as outras possessões nacionais se virem desembaraçadas
dos entraves que as restringem; quando lhe tiverem aberto as Índias
Orientais e permitido extrair do seu próprio seio o metal
que exigiria esta nova ligação..."
Abade
Guillaume Raynal, historiador e filósofo francês (1713-1796)
"O
Brasil, com sua tênue ossatura moderna assentada sobre esse
imenso continente fervilhante de forças naturais e primitivas,
me faz pensar num arranha-céu minado cada vez mais por invisíveis
cupins. Um dia o arranha-céu desabará e todo um pequeno
povo fervilhante, negro, vermelho e amarelo, se espalhará
sobre a superfície do continente, mascarado e munido de lanças,
para a dança da vitória."
Albert
Camus, escritor francês nascido na Argélia (1913-1960)
"O
país real, esse é bom, revela os melhores instintos;
mas o país oficial, esse é caricato e burlesco."
Machado
de Assis, escritor carioca (1839-1908)
"Brasil
amado não porque seja minha pátria,
Pátria é acaso de migrações e do pão-nosso
onde Deus der...
Brasil que eu amo porque é o ritmo do meu braço aventuroso,
O gosto dos meus descansos,
O balanço das minhas cantigas amores e danças.
Brasil que eu sou porque é a minha expressão muito
engraçada,
Porque é o meu sentimento pachorrento,
Porque é o meu jeito de ganhar dinheiro, de comer e de dormir."
Mário
de Andrade, poeta paulista (1893-1945)
"Isto
é Brasil..."
Bernie
Ecclestone, dirigente inglês das corridas de Fórmula
1, nascido em 1930, fazendo pouco-caso da legislação
brasileira que proíbe anúncios de cigarro
"Só
no Brasil, mesmo."
Universal
desabafo dos brasileiros, diante de situações que
os aflijam
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