Edição 1813 . 30 de julho de 2003

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Ensaio: Roberto Pompeu de Toledo
Ao Brasil, com amor, desprezo ou escárnio

Uma seleta do que se pensou e disse do país,
em variadas épocas, por variados autores

"São desgraças do Brasil
Um patriotismo fofo Leis em parolas, preguiça,
ferrugem, formiga e mofo."

Domingos Borges de Barros, Visconde de Pedra Branca, poeta e político baiano (1779-1855)

"Os primeiros homens brasileiros podem competir com os primeiros de qualquer parte. Os segundos é que estão talvez a uma distância excessiva dos primeiros; ou, para me explicar de outro modo: não há segundos; aos primeiros seguem-se imediatamente os nonos ou os décimos. A média é fraca. Com as senhoras sucede o mesmo."

Ramalho Ortigão, escritor português (1836-1915)

– O Pará terá um dia a opulência da Rússia; o Maranhão, a da Alemanha; Pernambuco, a da França; a Bahia, a da Grã-Bretanha; esta [o Rio de Janeiro], a de toda a Itália; São Paulo, a da Espanha; Santa Catarina será a nossa Irlanda; a parte meridional do Brasil equilibrará, só por si, os Estados Unidos do norte do nosso mundo, enquanto Minas, compreendendo Goiás e Mato Grosso, será tão opulenta como é hoje a Europa toda.

Antônio Gonçalves Gomide, deputado mineiro (1770-1883), em discurso na Constituinte de 1823

– É muito exagerar!

Antônio Carlos Ribeiro de Andrada, deputado paulista (1773-1845), em resposta ao anterior

"O Brasil é o inferno dos negros, o purgatório dos brancos e o paraíso dos mulatos e mulatas."

André João Antonil, jesuíta italiano (1649-1716), autor do clássico Cultura e Opulência do Brasil

"O azar do Brasil é ter sido descoberto por um estrangeiro."

Max Nunes, humorista carioca, nascido em 1922

"O Brasil só precisa de uma lei. Uma lei que diga que é preciso cumprir todas as outras."

Antônio Ferreira Viana, gaúcho de nascimento, mas deputado pelo Rio de Janeiro (1832-1905)

"O Brasil converter-se-á num dos mais formosos estabelecimentos do globo (nada para isso lhe falta) quando o tiverem libertado dessa multidão de impostos, desse cardume de recebedores que o humilham e o oprimem; quando inúmeros monopólios não mais encadearem sua atividade; quando o preço das mercadorias que lhe trazem não mais for duplicado pelas taxas de que andam sobrecarregadas; quando os seus produtos não pagarem mais direitos ou não os pagarem mais avultados que os dos seus concorrentes; quando as suas comunicações com as outras possessões nacionais se virem desembaraçadas dos entraves que as restringem; quando lhe tiverem aberto as Índias Orientais e permitido extrair do seu próprio seio o metal que exigiria esta nova ligação..."

Abade Guillaume Raynal, historiador e filósofo francês (1713-1796)

"O Brasil, com sua tênue ossatura moderna assentada sobre esse imenso continente fervilhante de forças naturais e primitivas, me faz pensar num arranha-céu minado cada vez mais por invisíveis cupins. Um dia o arranha-céu desabará e todo um pequeno povo fervilhante, negro, vermelho e amarelo, se espalhará sobre a superfície do continente, mascarado e munido de lanças, para a dança da vitória."

Albert Camus, escritor francês nascido na Argélia (1913-1960)

"O país real, esse é bom, revela os melhores instintos; mas o país oficial, esse é caricato e burlesco."

Machado de Assis, escritor carioca (1839-1908)

"Brasil amado não porque seja minha pátria,

Pátria é acaso de migrações e do pão-nosso onde Deus der...

Brasil que eu amo porque é o ritmo do meu braço aventuroso,

O gosto dos meus descansos,

O balanço das minhas cantigas amores e danças.

Brasil que eu sou porque é a minha expressão muito engraçada,

Porque é o meu sentimento pachorrento,

Porque é o meu jeito de ganhar dinheiro, de comer e de dormir."

Mário de Andrade, poeta paulista (1893-1945)

"Isto é Brasil..."

Bernie Ecclestone, dirigente inglês das corridas de Fórmula 1, nascido em 1930, fazendo pouco-caso da legislação brasileira que proíbe anúncios de cigarro

"Só no Brasil, mesmo."

Universal desabafo dos brasileiros, diante de situações que os aflijam

 

 
 
 
 
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