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Carta
ao leitor
Falta
determinação
rafael Neddermeyer/AE
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Militantes contidos por tropas dentro do Congresso:
o governo tem de traçar a linha justa |
Brasília
não pode ser responsabilizada diretamente pela série
de distúrbios registrados na semana passada, mas cabe ao
governo federal, e principalmente ao presidente da República,
a tarefa de traçar uma linha justa que separe os protestos
de natureza democrática da afronta e da ilegalidade. Na semana
passada, o Brasil viu espocar vários focos de tensão.
Baderneiros organizados sob bandeiras vermelhas invadiram fazendas,
centros de pesquisa e terrenos urbanos. Em uma inversão de
valores, juízes e promotores decidiram afrontar as leis que
eles têm o dever de aplicar e marcaram uma greve de protesto
contra a reforma da Previdência. Também descontentes
com os contornos da reforma, líderes sindicais do funcionalismo
público invadiram o Congresso Nacional. Para contê-los,
foi preciso chamar a tropa de choque, que pela primeira vez na história
republicana entrou na sede do Parlamento brasileiro.
O
governo precisa não apenas fazer declarações
como também dar exemplos melhores. Há algumas semanas,
o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vestiu o boné
do MST e, dias depois, seu ministro do Desenvolvimento Agrário
foi beber chimarrão com sem-terra num acampamento de nome
Che Guevara. Na semana passada, numa atitude muito adequada, ainda
que um pouco atrasada, Lula declarou que não vai tolerar
o desrespeito à lei. De modo geral, porém, o governo
tem deixado a impressão de estar sem a clareza e sem a convicção
necessárias para enfrentar a violência e os crimes
cometidos pelos militantes. Ministros continuam se referindo aos
grupos organizados de invasores de terrenos como "movimentos sociais"
e fazem apelos genéricos contra a violência, quando
se trata de conter autores contumazes de transgressões. Passado
o momento inicial de afirmação, que consumiu o primeiro
semestre deste ano, o governo precisa adotar em todas as áreas
a mesma agenda inequívoca e sintonizada com o mundo que distingue
sua equipe econômica. É preciso deixar claro que não
vai mexer nas regras do jogo, que respeitará e fará
respeitar os contratos e o direito à propriedade, aprofundando
as bases da estabilidade institucional plantadas no governo passado.
Só assim o país se manterá no rumo da paz social
e da prosperidade econômica.
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