Cabeça de empreendedor

As pessoas que abrem empresas têm
algumas características
em comum

Rodrigo Amaral

Paulo Jares

Madruga (ao centro) e os sócios: faturamento de 4 milhões de reais


Quando concluiu a faculdade, em 1994, o engenheiro de computação Franklin Madruga Luzes Jr. não pegou o diploma e saiu em busca de um emprego, como fez a maioria de seus colegas. Mesmo sem um centavo para investir numa empresa própria, ele e três amigos abriram a MHW, uma firma de computação. Trabalhando em casa, com seus próprios micros, os rapazes criaram um software para controle de rebanhos bovinos. Foi um fracasso. Montaram, em seguida, um negócio de compra e venda de carros usados pela internet. Também não deu certo. Há dois anos acertaram a mão com o primeiro software brasileiro para ensino a distância. O produto fez sucesso e, há pouco tempo, começou a ser recomendado pela Microsoft, a maior empresa de programas para computador do mundo, a clientes interessados em implantar sistemas desse tipo de ensino. A MHW deve faturar neste ano mais de 4 milhões de reais e Madruga, que mora no Rio de Janeiro, passou a viajar com freqüência para a cidade americana de Boston, onde negocia com interessados em investir em sua empresa. "Estivemos perto de desistir", diz ele. "Foi preciso muita garra para levar o negócio adiante."

 
Antonio Milena

Carla Baio, com o marido: "Agora quero outra empresa"

 

Dois ou três fracassos A persistência de Madruga e dos sócios, ao levar em frente um negócio que tinha tudo para dar errado, é uma das características indispensáveis aos empreendedores de sucesso. Muita gente sonha em abrir a própria empresa e imagina que em pouco tempo estará ganhando rios de dinheiro e nunca mais precisará obedecer às ordens de um chefe. Algumas pessoas têm uma boa idéia na cabeça, algum dinheiro no banco e quase nenhum conhecimento das dificuldades que terão de enfrentar caso queiram mesmo tornar-se empreendedores. Quem não tem espírito para a vida de empresário desiste após o primeiro fracasso. Quem leva jeito para a coisa segue adiante, apesar dos reveses iniciais. E muitas vezes obtém sucesso.

Uma pesquisa do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, o Pnud, mostra que o pequeno empresário experimenta em média três fracassos antes de consolidar seu negócio. "O empreendedor de sucesso aprende com seus erros e não desanima diante dos tropeços iniciais", comenta o professor Fernando Dolabela, da Universidade Federal de Minas Gerais, um dos pioneiros na implantação do empreendedorismo como disciplina eletiva em cursos universitários. A idéia é mostrar aos estudantes que as melhores oportunidades profissionais podem não estar nas grandes empresas, mas nos negócios próprios. De alguns anos para cá, cerca de 150 universidades brasileiras passaram a oferecer essa disciplina. Já o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, Sebrae, mantém um programa chamado Empretec. Desenvolvido pelo Pnud, o Empretec tem o objetivo de despertar nos pequenos empresários e nos candidatos a empreendedor as características indispensáveis a um bom gestor.

Jornada longa Programas como esses pretendem mostrar que as características básicas, que reduzem o risco do fracasso, podem ser desenvolvidas por quem pretende tornar-se empreendedor. De acordo com uma pesquisa do Sebrae, o principal problema que cerca as pequenas empresas que surgem no Brasil é a falta de planejamento. "Não importa se o empreendedor tem 2º grau ou diploma universitário", afirma Heloísa Calil, do Sebrae de São Paulo. "A maioria prefere agir conforme os incêndios vão surgindo." Esses empreendedores aprendem logo no início que o sucesso depende de saber enxergar a longo prazo. Mesmo quando o negócio dá certo, os primeiros anos costumam ser um período de sacrifícios pessoais e de queda no padrão de vida. Nesse momento, a qualidade de vida de quem largou um emprego para montar a própria empresa costuma dar alguns passos para trás. O comerciante Marco Antonio de Andrade, dono de uma pequena rede de lojas de presentes em São Paulo, viveu três anos de aperto depois de abrir seu primeiro negócio, em 1977. Hoje, aos 43 anos, ele tem seis lojas e um patrimônio que supera 1 milhão de reais. "É difícil aceitar que uma empresa pode ser rica e o dono, pobre", diz ele. "Mas logo vi que o sucesso da empresa dependeria de abrir mão de parte do meu conforto." E mais: a jornada de trabalho costuma ser longa. O economista Tomaz Adour, de 27 anos, do Rio, chega a trabalhar dezesseis horas por dia no comando da Papel Virtual, uma editora que vende livros pela internet. "Dentro de um ano quero uma renda igual à que tinha no tempo de empregado", diz ele. Antes de abrir a empresa, Adour recusou uma proposta para ganhar 5.000 reais por mês.

Riscos Um dos principais obstáculos enfrentados pelo empreendedor brasileiro é a resistência natural da família e dos amigos. Quem manifesta a intenção de se tornar empresário normalmente ouve que é uma loucura largar o emprego e abrir um negócio próprio. É bom saber que isso é apenas o começo e que ninguém será um empreendedor se não estiver preparado para correr riscos. Por mais calculados que sejam, eles são indispensáveis para, no primeiro momento, transformar em realidade o plano de trocar um salário mensal no dia certo por um negócio próprio. E, mais tarde, será preciso mais coragem ainda para tomar as decisões que poderão significar o crescimento ou a ruína da empresa. À medida que a iniciativa dá certo, o gosto do empreendedor pela vida que escolheu fica cada vez mais acentuado. Em 1994, o casal Giovanni e Carla Baio deixou empregos seguros para montar uma oficina mecânica em São Paulo. No início, tinham de trabalhar até nos domingos para dar conta do serviço. O negócio deu certo e, com o tempo, a vida do casal ficou mais tranqüila. Pensa que os dois ficaram acomodados? Nada disso. Carla está se preparando para constituir uma nova empresa, agora no ramo da alimentação. "Sinto falta do desafio e da adrenalina que o risco de abrir um negócio traz", diz ela. Quem não tem cabeça de empreendedor dificilmente compreenderá o que isso significa. Quem tem concorda plenamente com Carla.

 

 

Olho vivo

O carro usado
Perguntas úteis que pouca gente faz e que ajudam na hora de comprar um carro usado

Por que o senhor quer vender o automóvel?

Preste atenção ao motivo. Quem diz que está vendendo o carro porque a família aumentou, porque está juntando dinheiro para comprar um apartamento ou está interessado em adquirir um modelo novo em geral não está mentindo. Desconfie de quem não tem motivo algum para vender o carro e diz que ele está ótimo. Os especialistas alertam que carro vendido sem razão pode ser sinônimo de carro com defeito.

 

A quilometragem está muito alta. O carro rodava mais em estradas ou dentro da cidade?

Um automóvel muito rodado que tenha sido utilizado em estradas asfaltadas costuma estar em melhores condições mecânicas do que aquele que anda muito na cidade. Motivo: nas estradas freia-se menos e usa-se pouco a caixa de câmbio. O freia-acelera dos centros urbanos desgasta o veículo.

Posso ver o manual do fabricante? Todas as revisões estão anotadas?

Um manual com todas as revisões anotadas indica que a substituição das peças de maior desgaste foi feita e que o carro passou pelos reparos de rotina nas autorizadas.

Posso ter o telefone de seu agente de seguros?

Uma checagem telefônica sobre as condições do automóvel irá dizer se o carro está em ordem. Se houver batida, dá para saber a extensão do estrago.

 

 




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