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Delírio imperialReaberto ao público em Roma
Parte do Domus Aurea foi reaberta depois de uma restauração que já dura vinte anos e deverá consumir pelo menos mais uma década. Até agora, os arqueólogos conseguiram entrar em apenas metade dos cômodos soterrados, dos quais 32 foram restaurados. Entre eles está a mais espetacular das atrações, o salão octogonal, usado para banquetes suntuosos e dotado de uma abertura circular no teto por onde entra a luz natural. No centro do salão havia um piso rotativo, acionado por um sistema hidráulico. Dessa forma, o imperador podia sentar-se no centro da sala e, iluminado pelos céus, girar lentamente para que todos os convidados apreciassem sua majestade. Através da abertura no teto, escravos lançavam pétalas de flores e gotas de perfume. O salão octogonal dá acesso a outras cinco salas de recepção, e, ao fundo delas, Nero mandou construir uma cascata monumental cujas águas, pelo que se depreende da arquitetura, davam a impressão de que um rio corria dentro do palácio. Outras duas fontes do mesmo porte serviam para refrescar os cômodos no verão e, principalmente, impressionar os convidados do imperador. Segundo Suetônio, historiador da época, o ouro estava presente na decoração de todos os cômodos, assim como a madrepérola e o marfim. Curvas generosas – Nero passou à História como o protótipo do imperador cruel e depravado, uma imagem reforçada pelo assassinato da mãe, Agripina (ela própria contumaz mandante de crimes políticos), e do filósofo Sêneca, seu preceptor, além do martírio dos cristãos, incluindo São Pedro. Coroado imperador aos 16 anos, teve, no entanto, um bom início de governo. Era popular e aclamado. Mas queria mesmo era ser reconhecido como artista – as cenas de Nero tocando lira e entoando poemas não são mito. O Domus Aurea abrigava uma coleção extraordinária de obras de arte, algumas das quais sobreviveram, foram recuperadas e podem ser vistas pelos visitantes. Entre elas estão parte dos afrescos de Fabulus, o maior pintor da época, que passou anos decorando as paredes do palácio com guirlandas, cenas campestres e mitológicas. Essas pinturas foram apreciadas pela primeira vez no Renascimento, quando parte do Domus Aurea foi descoberta. Na época, Rafael e outros mestres esgueiravam-se pelos cômodos com luz de velas, às vezes usando cordas, como alpinistas, para ver as obras da Antiguidade, que acabaram influenciando a arte da época. Na fachada do edifício, que se estendia por quase 400 metros, havia duas enormes áreas côncavas que serviam como solário, oferecendo proteção contra os ventos. Calcula-se que esses locais abrigassem cerca de 400 esculturas, a maioria surrupiada por Nero na Grécia. Poucas resistiram ao tempo. Entre elas, há dois exemplares notáveis: o Laoconte, que hoje repousa nos museus do Vaticano, e uma estátua de Terpsícore, musa grega da dança.
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