Edição 1860 . 30 de junho de 2004

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VEJA Recomenda

DVDS

Fotos divulgação
Prova de Amor: conversas apaixonadas


Prova de Amor
(All the Real Girls,
Estados Unidos, 2003. Columbia) – As conversas entre Paul (Paul Schneider) e Noel (Zooey Deschanel) são desajeitadas, cheias de clichês e de espaços vazios que nenhum dos dois sabe como preencher – mais ou menos como todas as conversas entre um rapaz e uma garota que estão se apaixonando mas não se conhecem direito, e que de qualquer forma não saberiam como articular sentimentos tão novos e intensos. Esse naturalismo e uma visão melancólica da passagem do tempo e de uma cidade que está à morte são os maiores atrativos do segundo filme do americano David Gordon Green, um diretor no qual vale a pena ficar de olho.

Escola de Rock: Jack Black faz a diferença

Escola de Rock (School of Rock, Estados Unidos, 2003. Paramount) – Roqueiro já meio passado da idade é demitido de sua banda e, para arranjar algum dinheiro, finge ser professor substituto de escola primária. Seus planos iniciais – dormir durante as aulas – são alterados quando ele descobre que seus alunos são ótimos músicos (bem melhores do que ele, aliás) e podem ajudá-lo a ganhar a grande Batalha das Bandas. A fórmula é surrada, mas o gordinho e desarrumado Jack Black, um talento cômico hoje em ascensão vertiginosa, faz toda a diferença. Nos extras, atenção ao vídeo que ele gravou para implorar ao Led Zeppelin que cedesse os direitos de Immigrant Song para o filme. Trailer.

 

LIVROS

 

Azar Nafisi: aulas clandestinas em Teerã

 

Lendo Lolita em Teerã, de Azar Nafisi (tradução de Tuca Magalhães; A Girafa; 502 páginas; 58 reais) – Ao narrar a paixão de um homem adulto por uma menina em Lolita, Vladimir Nabokov escandalizou muitos leitores ocidentais. Definitivamente, não é o tipo de livro que conquistaria leitores nas fileiras do fundamentalismo islâmico. Desafiando o cerceamento da teocracia iraniana, a professora de literatura inglesa Azar Nafisi reuniu um pequeno grupo de alunas em sua casa, em Teerã, para ler e discutir a obra-prima de Nabokov e outros clássicos ocidentais de Flaubert, Jane Austen, F. Scott Fitzgerald. Hoje radicada nos Estados Unidos, Azar conta neste livro sua experiência nessas aulas clandestinas e em sua acidentada passagem pelas repressivas universidades iranianas. Leia trecho.

Dez Dias para o Dia D, de David Stafford (tradução de Manoel Paulo Ferreira; Objetiva; 382 páginas; 49,90 reais) – No ano em que se celebra o sexagésimo aniversário do desembarque aliado na Normandia, o historiador e ex-diplomata David Stafford encontrou um modo original de reconstituir esse episódio decisivo da II Guerra. Seu livro reconta o desembarque e os preparativos que o antecederam da perspectiva de dez personagens comuns. São pessoas que participaram da batalha ou foram afetadas por ela – um militante da resistência francesa, um judeu romeno escondido em um sótão em Paris, um pára-quedista americano e um soldado alemão, entre outros. Stafford também examina as ações dos principais líderes envolvidos nos dois lados do conflito, como os generais Dwight Eisenhower, americano, e Erwin Rommel, alemão.

 

CINEMA

Lugares Comuns: reflexão sobre a crise argentina

Lugares Comuns (Lugares Comunes, Argentina/Espanha, 2002. Estréia nesta sexta-feira) – Um professor universitário é aposentado por decreto e se vê sem finalidade, sem dinheiro e sem saber discernir o que valeu a pena em sua vida – exceção feita à sua mulher, Lili, uma espanhola que vive na Argentina por ser o seu marido, segundo diz, a sua pátria. Essa reflexão sobre a crise argentina não raro soa tão amargurada quanto seu protagonista. Mas, enquanto este tenta tomar pé de sua nova situação e reagir a ela de alguma forma, também o filme vai se reencaminhando como uma espécie de manifesto: antes preservar alguns princípios (ainda que eles acarretem certos males) do que simplesmente abandonar o barco, é o que defende o diretor Adolfo Aristarain.

 

DISCO

 
André Nazareth/Strana
Bebel: de volta à bossa eletrônica  

Bebel Gilberto (Universal) – A cantora carioca despontou no mercado internacional em 2000, ao lançar Tanto Tempo. O disco atualizava as melodias suaves da bossa nova com teclados eletrônicos. Tanto Tempo vendeu 900.000 cópias no mundo inteiro e transformou Bebel Gilberto em estrela. O novo disco da cantora vai pelo mesmo caminho do álbum anterior. Produzido por Marius de Vries (que tem no currículo trabalhos com Madonna e a islandesa Björk), o CD traz harmonias delicadas ao violão, com um ou outro efeito de teclado para dar um clima moderno. Um dos carros-chefes do CD é a versão em inglês de Baby, de Caetano Veloso. Mas Bebel mostra talento para a composição nas faixas O Caminho e Winter. Ouça o disco.

 

 
Os mais vendidos – crítica

O Pecado Original, de Michelangelo: visões malucas

Semelhança existe em tudo que é lugar. Já apareceu fã de Elvis Presley vendo a cara do "rei" até em batata frita. E também quem descobrisse o rosto da Virgem Maria nas manchas de um vidro mal lavado. O químico Marcelo Ganzarolli de Oliveira e o médico Gilson Barreto desencavaram semelhanças extravagantes em uma das obras-primas da Renascença. Em A Arte Secreta de Michelangelo (Arx; 230 páginas; 65 reais), há quatro semanas na lista de mais vendidos, os dois tentam provar que os célebres afrescos da Capela Sistina guardam segredos anatômicos. Em cada uma das imagens que pintou, Michelangelo, como dissector diletante que era, teria escondido alguma referência ao corpo humano. Na cena reproduzida ao lado, por exemplo, o pecado original e a subseqüente expulsão de Adão e Eva do paraíso são separados por uma árvore na qual a serpente se enrosca. Só uma árvore? Para os dublês de cientista e crítico de arte, é na verdade uma representação dos vasos sanguíneos da região cervical. Mais versáteis do que as árvores são os mantos de personagens bíblicos, que sempre podem ser recortados para desvendar o formato de um osso, de um pulmão, de um rim. Em uma peça de humor involuntário, os glúteos de Deus (sim, Ele mesmo) são comparados ao corpo mamilar, uma estrutura da base do encéfalo. Ora, o tal corpo mamilar parece mesmo com um par de nádegas. Mas com qualquer par de nádegas – não só as divinas.

Jerônimo Teixeira

 

 

Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Fnac, Siciliano, Nobel; Rio: Saraiva, Laselva, Sodiler, Siciliano, Travessa, Argumento; Porto Alegre: Saraiva, Siciliano, Livraria Porto Alegre, Cultura, Livrarias Porto; Brasília: Sodiler, Siciliano, Saraiva; Recife: Sodiler, Saraiva, Siciliano; Natal: Sodiler; Florianópolis: Siciliano, Livrarias Catarinense; Goiânia: Siciliano, Saraiva; Fortaleza: Siciliano, Laselva; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano, Saraiva, Livrarias Curitiba; Belo Horizonte: Siciliano; Maceió: Sodiler; Belém: Clio.

 

 
 
 
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