Edição 1860 . 30 de junho de 2004

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Carta ao leitor
Lula exorciza o risco

 
Marcello Casal Jr./ABR
Lula, Palocci e Meirelles em Nova York na semana passada

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez a Nova York, na semana passada, se não a mais bem-sucedida viagem de seu governo, a mais rica em simbolismos positivos. Lula falou a centenas de investidores e empresários reunidos em um seminário com o sugestivo nome de Brazil meets markets (O Brasil encontra os mercados). Lula e sua comitiva de oito ministros, acrescida de Henrique Meirelles, presidente do Banco Central, podem festejar o fato de ter impressionado bem uma audiência poderosa, cujos humores têm efeito direto sobre a economia e, indiretamente, sobre o bem-estar dos brasileiros. Essas mesmas pessoas que aplaudiram de pé o presidente brasileiro na semana passada foram as que provocaram o turbilhão negativo do que ficou conhecido como o "risco Lula", a reação desmesurada de repúdio à candidatura presidencial do petista em 2002. De julho a dezembro de 2002, o temor de uma vitória de Lula provocou uma fuga de dólares do Brasil e o encarecimento exorbitante do custo dos poucos empréstimos que os contentes senhores da semana passada se animavam a dar a empresas brasileiras.

As repetidas demonstrações de seriedade na condução da política econômica dadas pelo governo brasileiro foram, aos poucos, relaxando as tensões entre Lula e os mercados. Sobraram alguns bolsões radicais mas sinceros de desconfiados. Lula e comitiva, especialmente Meirelles e o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, demoliram os focos de resistência. "Não queremos reinventar a roda nem criar um plano daqueles com crescimento de 7% ao ano e depois uma queda de 7%", disse Lula. Palocci e Meirelles demonstraram aos investidores, usando gráficos, que a política de austeridade do presidente brasileiro começa a dar resultados. Mostraram que a temida relação entre a dívida pública e o produto interno bruto (PIB), finalmente, está diminuindo. Outro demonstrativo evidenciou a capacidade de reação do Brasil depois da crise cambial provocada pelo risco Lula em 2002. Entre nove países que enfrentaram fortes crises de desvalorização da moeda, o Brasil foi o que menos impacto sofreu na desaceleração da economia e o que cresceu mais fortemente depois. Pela clareza com que se mostrou e ao país, Lula exorcizou o risco associado a seu nome. A visita a Nova York pode render bons frutos para todos os brasileiros.

 
 
 
 
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