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Carta ao leitor
Lula exorciza o risco
Marcello Casal Jr./ABR
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| Lula, Palocci e Meirelles em Nova York na
semana passada |
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva
fez a Nova York, na semana passada, se não a mais bem-sucedida
viagem de seu governo, a mais rica em simbolismos positivos. Lula
falou a centenas de investidores e empresários reunidos em
um seminário com o sugestivo nome de Brazil meets markets
(O Brasil encontra os mercados). Lula e sua comitiva de oito
ministros, acrescida de Henrique Meirelles, presidente do Banco
Central, podem festejar o fato de ter impressionado bem uma audiência
poderosa, cujos humores têm efeito direto sobre a economia
e, indiretamente, sobre o bem-estar dos brasileiros. Essas mesmas
pessoas que aplaudiram de pé o presidente brasileiro na semana
passada foram as que provocaram o turbilhão negativo do que
ficou conhecido como o "risco Lula", a reação desmesurada
de repúdio à candidatura presidencial do petista em
2002. De julho a dezembro de 2002, o temor de uma vitória
de Lula provocou uma fuga de dólares do Brasil e o encarecimento
exorbitante do custo dos poucos empréstimos que os contentes
senhores da semana passada se animavam a dar a empresas brasileiras.
As repetidas demonstrações de
seriedade na condução da política econômica
dadas pelo governo brasileiro foram, aos poucos, relaxando as tensões
entre Lula e os mercados. Sobraram alguns bolsões radicais
mas sinceros de desconfiados. Lula e comitiva, especialmente Meirelles
e o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, demoliram os focos de
resistência. "Não queremos reinventar a roda nem criar
um plano daqueles com crescimento de 7% ao ano e depois uma queda
de 7%", disse Lula. Palocci e Meirelles demonstraram aos investidores,
usando gráficos, que a política de austeridade do
presidente brasileiro começa a dar resultados. Mostraram
que a temida relação entre a dívida pública
e o produto interno bruto (PIB), finalmente, está diminuindo.
Outro demonstrativo evidenciou a capacidade de reação
do Brasil depois da crise cambial provocada pelo risco Lula em 2002.
Entre nove países que enfrentaram fortes crises de desvalorização
da moeda, o Brasil foi o que menos impacto sofreu na desaceleração
da economia e o que cresceu mais fortemente depois. Pela clareza
com que se mostrou e ao país, Lula exorcizou o risco associado
a seu nome. A visita a Nova York pode render bons frutos para todos
os brasileiros.
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