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Auto-retrato
Álvaro Uribe
AP
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O presidente colombiano Álvaro Uribe, de 51 anos, prometeu
acabar com o conflito armado que assola o país há
quatro décadas. Conhecido pelo estilo de vida espartano,
ele quase não dorme e come pouco. Uribe acordou de madrugada
para fazer quarenta minutos de exercícios na academia do
hotel em que estava alojado, em São Paulo, antes de conceder
a seguinte entrevista ao repórter Diogo Schelp.
O SENHOR JÁ ESCAPOU DE MAIS DE
DEZ ATENTADOS. O SENHOR NÃO SE INCOMODA DE TER DE VIVER RODEADO
POR UM GRANDE APARATO DE SEGURANÇA?
As pessoas que fazem a minha segurança
o fazem de maneira muito generosa. Elas têm uma atitude solidária
comigo. E meu dever é ser solidário com elas. É
algo com que preciso conviver. Tenho vivido com esse sistema de
segurança por muito tempo. [Dá uma risada.]
Os violentos [como são chamados na Colômbia os guerrilheiros
e paramilitares] gostam muito da minha carne e dos meus ossinhos.
OS CRÍTICOS DIZEM QUE O SENHOR DÁ
MUITA IMPORTÂNCIA À SEGURANÇA PÚBLICA
E POUCA ÀS QUESTÕES SOCIAIS. QUAL É SUA PRIORIDADE?
Qualquer um gostaria de conseguir as duas coisas
de uma vez. Mas a política social tem de ser sustentável.
Caso contrário, não se consegue financiá-la.
Isso só se alcança à medida que há um
crescimento econômico acelerado. E para ocorrer o crescimento
econômico é preciso que haja confiança no país.
Essa confiança no país só se consegue com o
resgate da segurança.
O SENHOR ESTÁ VENCENDO A LUTA CONTRA
OS GUERRILHEIROS E OS PARAMILITARES?
Ainda falta muito, mas avançamos nesse
propósito. No ano passado os homicídios se reduziram
em 22% e neste ano já caíram outros 17%. Os seqüestros
caíram 27% em 2003 e neste ano estão sendo reduzidos
em mais 45%. O povo colombiano não pode continuar escravo
do terrorismo.
QUE RECORDAÇÕES O SENHOR
GUARDARÁ DE SEU PERÍODO NA PRESIDÊNCIA?
Ainda não parei para pensar sobre isso.
Vamos vencer, vamos ser um país mais seguro. Minha geração
não viveu um dia sequer de paz. Minha geração
sempre foi maltratada pelo tormento da violência. Meu objetivo
é que essa geração faça tudo o que for
possível para que os meninos que estão crescendo hoje
na Colômbia possam viver felizes. Espero que seja essa a recordação
que fique.
DE QUE O SENHOR TEM MAIS MEDO?
Tenho medo de falhar com meu povo.
AS ESQUERDAS MUNDIAL E BRASILEIRA CONTINUAM
VENDO AS FARC COMO UMA ORGANIZAÇÃO REVOLUCIONÁRIA
DE ESQUERDA. O QUE O SENHOR ACHA DISSO?
O terrorismo não é de esquerda
nem de direita. As guerrilhas latino-americanas dos anos 60 eram
ideológicas. As Farc trocaram a ideologia pelo dinheiro das
drogas. O mundo precisa entender que não se pode classificar
como organização política um grupo que executa
35 camponeses por causa de um negócio de coca, como as Farc
fizeram neste mês.
NO ANO PASSADO, O GOVERNO BRASILEIRO RELUTAVA
EM CLASSIFICAR AS FARC COMO UM GRUPO TERRORISTA. NESTE ANO, O DISCURSO
MUDOU. O SENHOR ESTÁ SATISFEITO COM A POSIÇÃO
DO BRASIL?
Tenho escutado muitas declarações
de apoio e de boas intenções do governo brasileiro.
Confio que dia após dia isso vai se transformando em realidade.
O Brasil pode ajudar de muitas maneiras na luta contra o narcotráfico
e a guerrilha. Uma delas é fazer o controle da Amazônia
[por meio do Sivam] para evitar o transporte de drogas na
região.
O QUE O SENHOR DIZ AOS CRÍTICOS
DA PARTICIPAÇÃO DOS ESTADOS UNIDOS NO COMBATE AO NARCOTRÁFICO
NA COLÔMBIA?
Ouço muitos representantes de países
dizerem que é preciso derrotar a droga e o terrorismo. Muitas
vezes isso não passa de discurso. O Plano Colômbia
é uma maneira prática de os Estados Unidos nos ajudarem
a derrotar a droga.
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