Big,
Macy Gray (Arsenal) O disco celebra a união artística da
cantora com o produtor will.i.am, do grupo Black Eyed Peas. Pelo resultado, o
casamento promete ser dos mais duradouros. A voz roufenha de Macy rendeu comparações
maldosas com o Pato Donald e Margie Simpson mas o fato é que ela
é uma das intérpretes mais originais da música negra americana.
Seu defeito estava na insistência em flertar com o rap e a música
eletrônica o que resultava numa sonoridade artificial. Big,
ao contrário, emula o funk e o rhythm'n'blues da década de 70, em
músicas dançantes como Finally Made Me Happy que traz
Natalie Cole como vocalista de apoio. O rap marca presença em apenas uma
canção, justamente a menos interessante do disco.
Divulgação
Jane Monheit: bossa nova sem sotaque
Surrender, Jane Monheit
(Universal) Desde 2000, quando lançou seu disco de estréia,
a cantora americana se destacou em meio a inúmeras intérpretes de
jazz por misturar o gênero com o pop e a MPB. Seu sexto disco, Surrender,
aprimora a receita. Jane permanece fiel aos clássicos do cancioneiro do
seu país como mostra na charmosa versão de Moon River,
de Henry Mancini , porém demonstra mais intimidade com os compositores
brasileiros. É o caso de Marcos Valle, presente em Preciso Aprender
a Ser Só (que virou If You Went Away), e da dupla Tom Jobim
e Newton Mendonça, cuja Caminhos Cruzados ganhou solos do gaitista
Toots Thielemans. De tanto que vem ao Brasil, Jane nem carrega no sotaque ao interpretar
essa bossa nova.
Giuliano Bekov
Marina de la Riva: ginga brasileira e
espírito cubano
Marina de la Riva (Mousike)
Em seu disco de estréia, a cantora mostra como ser moderna sem apelar
para o cruzamento de música eletrônica e MPB, mistureba que já
deu o que tinha que dar. Filha de mãe brasileira e pai cubano, Marina de
la Riva apresenta o melhor desses dois universos. O espírito cubano está
presente na interpretação derramada de Te Amaré y Después,
do compositor Silvio Rodríguez, e na versão despojada de Drume
Negrita, do repertório do pianista e compositor Bola de Nieve. O lado
brasileiro surge escudado pelo instrumentista Davi Moraes. Marina se sai bem na
releitura de Ta-Hí, na qual respeita a interpretação
gaiata de Carmen Miranda, e mostra ginga em Sonho Meu composição
da sambista Dona Ivone Lara.
LIVROS
A
Fome de Todos Nós, de Dave Eggers (tradução de Antonio
E. de Moura Filho; Rocco; 232 páginas; 32 reais) Autor do festejado
livro autobiográfico Uma Comovente Obra de Espantoso Talento, Dave
Eggers é um dos melhores escritores americanos da nova geração,
além de editar a badalada revista literária McSweeney's.
Os quinze contos de A Fome de Todos Nós fazem uma coletânea
irregular. Há pequenas bobagens, como Há Certas Coisas que Ele
Deveria Guardar para Si "conto" que se resume ao título, seguido
de algumas páginas em branco. Mas também há textos que confirmam
o talento e a inventividade de Eggers, como Após Ser Jogado no Rio e
Antes de Me Afogar narrado em primeira pessoa por um cachorro. Leia
trecho.
Sementes
Mágicas, de V.S. Naipaul (tradução de Alexandre Hubner;
Companhia das Letras; 264 páginas; 45 reais) De nacionalidade britânica,
ascendência indiana e nascido na ilha de Trinidad, no Caribe, Naipaul tece
seus livros em torno do emaranhado cultural que marca sua própria biografia.
Mas não espere o celebratório discurso do "multiculturalismo": o
exílio, o deslocamento e o choque são as experiências fundamentais
de personagens como Willie Chandran, protagonista de Meia Vida que retorna
nesse novo romance. Em Sementes Mágicas, Chandran, instigado por
sua irmã esquerdista, embrenha-se na zona rural da Índia para se
engajar em uma guerrilha revolucionária. Suas andanças com esse
bando, porém, são uma crônica de fracasso, tédio e
crime. Leia
trecho.
O
Correspondente Estrangeiro, de Alan Furst (tradução de Heloísa
Mourão; Objetiva/Suma de Letras; 270 páginas; 33,90 reais)
O americano Alan Furst é um seguidor da tradição firmada
por ingleses como Graham Greene e John Le Carré: escreve romances de espionagem
que se afastam da ação aventurosa para investir nos dilemas morais.
Em O Correspondente Estrangeiro, Carlo Weisz, repórter da agência
Reuters em Paris às vésperas da II Guerra Mundial, assume a edição
de um jornal de dissidentes italianos depois que seu diretor é assassinado
pela polícia secreta de Mussolini. Ameaçado pelos fascistas, Weisz
ainda tenta ajudar Christa, o amor de sua vida, que se envolve em perigosas atividades
de espionagem na Alemanha nazista. Leia
trecho.
DVD
Paixão sem Limites (Asylum, Inglaterra/Irlanda, 2005. Europa)
A situação é clássica: dona-de-casa dos anos 50 (Natasha
Richardson), entediada com a vida, embarca num caso com um homem que conhece por
intermédio do trabalho do marido. O detalhe é que o marido, aqui,
dirige um hospital psiquiátrico, e o amante (Martón Csokas) é
um dos pacientes da instituição, tido como potencialmente homicida.
Seguindo o programa, não é o sujeito que melhora em razão
do romance: é a mulher que começa a dar sinais de transtorno, a
ponto de entrar na mira do psiquiatra-chefe (Ian McKellen). Adaptado do romance
Manicômio, do inglês Patrick McGrath, o filme segue à
risca a cartilha deixada por Alfred Hitchcock para esses cenários. Veja
cenas.