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Edição 2010

30 de maio de 2007
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DISCOS

Giuliano Bekov

Macy Gray: longe do rap

Big, Macy Gray (Arsenal) – O disco celebra a união artística da cantora com o produtor will.i.am, do grupo Black Eyed Peas. Pelo resultado, o casamento promete ser dos mais duradouros. A voz roufenha de Macy rendeu comparações maldosas com o Pato Donald e Margie Simpson – mas o fato é que ela é uma das intérpretes mais originais da música negra americana. Seu defeito estava na insistência em flertar com o rap e a música eletrônica – o que resultava numa sonoridade artificial. Big, ao contrário, emula o funk e o rhythm'n'blues da década de 70, em músicas dançantes como Finally Made Me Happy – que traz Natalie Cole como vocalista de apoio. O rap marca presença em apenas uma canção, justamente a menos interessante do disco.

Divulgação

Jane Monheit: bossa nova sem sotaque

Surrender, Jane Monheit (Universal) – Desde 2000, quando lançou seu disco de estréia, a cantora americana se destacou em meio a inúmeras intérpretes de jazz por misturar o gênero com o pop e a MPB. Seu sexto disco, Surrender, aprimora a receita. Jane permanece fiel aos clássicos do cancioneiro do seu país – como mostra na charmosa versão de Moon River, de Henry Mancini –, porém demonstra mais intimidade com os compositores brasileiros. É o caso de Marcos Valle, presente em Preciso Aprender a Ser Só (que virou If You Went Away), e da dupla Tom Jobim e Newton Mendonça, cuja Caminhos Cruzados ganhou solos do gaitista Toots Thielemans. De tanto que vem ao Brasil, Jane nem carrega no sotaque ao interpretar essa bossa nova.

Giuliano Bekov

Marina de la Riva:
ginga brasileira
e espírito cubano

Marina de la Riva (Mousike) – Em seu disco de estréia, a cantora mostra como ser moderna sem apelar para o cruzamento de música eletrônica e MPB, mistureba que já deu o que tinha que dar. Filha de mãe brasileira e pai cubano, Marina de la Riva apresenta o melhor desses dois universos. O espírito cubano está presente na interpretação derramada de Te Amaré y Después, do compositor Silvio Rodríguez, e na versão despojada de Drume Negrita, do repertório do pianista e compositor Bola de Nieve. O lado brasileiro surge escudado pelo instrumentista Davi Moraes. Marina se sai bem na releitura de Ta-Hí, na qual respeita a interpretação gaiata de Carmen Miranda, e mostra ginga em Sonho Meu – composição da sambista Dona Ivone Lara.


LIVROS

A Fome de Todos Nós, de Dave Eggers (tradução de Antonio E. de Moura Filho; Rocco; 232 páginas; 32 reais) – Autor do festejado livro autobiográfico Uma Comovente Obra de Espantoso Talento, Dave Eggers é um dos melhores escritores americanos da nova geração, além de editar a badalada revista literária McSweeney's. Os quinze contos de A Fome de Todos Nós fazem uma coletânea irregular. Há pequenas bobagens, como Há Certas Coisas que Ele Deveria Guardar para Si – "conto" que se resume ao título, seguido de algumas páginas em branco. Mas também há textos que confirmam o talento e a inventividade de Eggers, como Após Ser Jogado no Rio e Antes de Me Afogar – narrado em primeira pessoa por um cachorro. Leia trecho.

Sementes Mágicas, de V.S. Naipaul (tradução de Alexandre Hubner; Companhia das Letras; 264 páginas; 45 reais) – De nacionalidade britânica, ascendência indiana e nascido na ilha de Trinidad, no Caribe, Naipaul tece seus livros em torno do emaranhado cultural que marca sua própria biografia. Mas não espere o celebratório discurso do "multiculturalismo": o exílio, o deslocamento e o choque são as experiências fundamentais de personagens como Willie Chandran, protagonista de Meia Vida que retorna nesse novo romance. Em Sementes Mágicas, Chandran, instigado por sua irmã esquerdista, embrenha-se na zona rural da Índia para se engajar em uma guerrilha revolucionária. Suas andanças com esse bando, porém, são uma crônica de fracasso, tédio e crime. Leia trecho.

O Correspondente Estrangeiro, de Alan Furst (tradução de Heloísa Mourão; Objetiva/Suma de Letras; 270 páginas; 33,90 reais) – O americano Alan Furst é um seguidor da tradição firmada por ingleses como Graham Greene e John Le Carré: escreve romances de espionagem que se afastam da ação aventurosa para investir nos dilemas morais. Em O Correspondente Estrangeiro, Carlo Weisz, repórter da agência Reuters em Paris às vésperas da II Guerra Mundial, assume a edição de um jornal de dissidentes italianos depois que seu diretor é assassinado pela polícia secreta de Mussolini. Ameaçado pelos fascistas, Weisz ainda tenta ajudar Christa, o amor de sua vida, que se envolve em perigosas atividades de espionagem na Alemanha nazista. Leia trecho.


DVD

Paixão sem Limites (Asylum, Inglaterra/Irlanda, 2005. Europa) – A situação é clássica: dona-de-casa dos anos 50 (Natasha Richardson), entediada com a vida, embarca num caso com um homem que conhece por intermédio do trabalho do marido. O detalhe é que o marido, aqui, dirige um hospital psiquiátrico, e o amante (Martón Csokas) é um dos pacientes da instituição, tido como potencialmente homicida. Seguindo o programa, não é o sujeito que melhora em razão do romance: é a mulher que começa a dar sinais de transtorno, a ponto de entrar na mira do psiquiatra-chefe (Ian McKellen). Adaptado do romance Manicômio, do inglês Patrick McGrath, o filme segue à risca a cartilha deixada por Alfred Hitchcock para esses cenários. Veja cenas.

Fontes: Belém: Laselva; Belo Horizonte: Laselva, Leitura; Brasília: Cultura, Fnac, Laselva, Leitura, Saraiva; Campinas: Laselva, Fnac; Campo Grande: Leitura; Curitiba: Fnac, Laselva, Livrarias Curitiba, Saraiva; Florianópolis: Laselva, Livrarias Catarinense; Fortaleza: Laselva; Foz do Iguaçu: Laselva; Goiânia: Leitura, Saraiva; Londrina: Livrarias Porto; Maceió: Laselva; Manaus: Laselva; Natal: Laselva; Porto Alegre: Cultura, Livrarias Porto, Saraiva; Porto Seguro: Laselva; Recife: Cultura, Laselva, Saraiva; Rio de Janeiro: Argumento, Fnac, Laselva, Saraiva, Travessa; São Paulo: Cultura, Fnac, Laselva, Livraria da Vila, Nobel, Saraiva; Teresina: Laselva; Vitória: Laselva, Leitura; internet: Cultura, Laselva, Leitura, Nobel, Saraiva, Submarino.

 

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