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Edição 2010

30 de maio de 2007
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Cartas

"Gente que engole fumaça, se entope de drogas, se afoga em álcool. Nunca entendi por que o ser humano agride o próprio organismo."
Patrick Brandão Cenísio
Belo Horizonte, MG


Vício

Todas as notícias que trazem novidades a respeito da luta contra a dependência química devem ser tratadas positivamente. E é assim que encaramos a reportagem "Para desligar o circuito do vício" (23 de maio), que nos traz a boa nova da chegada ao mercado da vareniclina, substância que está ajudando fumantes a deixar de consumir cigarro. Precisamos, no entanto, ficar atentos aos outros dados apresentados por VEJA. Entre eles, há que destacar os baixos índices de recuperação de dependentes químicos com os recursos existentes no mercado, mostrando que a melhor política nessa área ainda é a prevenção do uso de drogas, sejam elas quais forem. Melhor que desligar o circuito do vício é evitar que ele se estabeleça.
José Elias Aiex Neto
Médico psiquiatra
Secretário municipal Antidrogas
Foz do Iguaçu, PR

O vício é um problema que destrói a pessoa, o casamento, a família. A abordagem do texto foi muito feliz. É preciso compreender que dependência química é uma doença, e como tal necessita ser tratada. Já existem, como a reportagem mostrou, remédios que suprem o desejo de fumar e de beber. A informação alegra quem sofre desse mal.
Maria José Americano

São Paulo, SP

Fui fumante durante 26 anos, dos 13 aos 39, e no ano que vem ocorrerá o empate com o tempo de abstenção. No início dos anos 80, VEJA publicou matéria sobre uma reunião em Brasília em que empresários da indústria do tabaco imploraram ao então presidente Figueiredo que fosse dado um tempo na escalada de aumento dos preços dos cigarros – geradores da maior arrecadação tributária do país – porque os fumantes estavam, simplesmente, parando de fumar. Em outras palavras, eles estavam tendo prejuízo. Em seis meses, a marca que eu usava dobrou de preço; foi aí que "caiu a ficha". O governo conta com os meus pulmões para incrementar a arrecadação de impostos. Só um idiota, pensei então, pode achar que se pode tirar prazer de um treco que tem brasa na ponta. Eu parei de fumar, nem terminei o último maço. Ah, o Figueiredo virou meu ídolo.
Luiz Carlos da Silva
Rio de Janeiro, RJ

Ver o copo com gelo e uma dose de bebida ilustrar a reportagem sobre vício entristece a mim, a meus amigos, a Vinicius, a Tom, a Verissimo. Que a imagem do "cachorro engarrafado" possa ser preservada para o bem da música, da literatura e das rodas de amigos que degustam com responsabilidade.
Beto Ranieri
São Paulo, SP

O vício é tão pernicioso que engana o viciado sugerindo a todo instante que ele não é viciado.
Jorge Jossi Wagner
Ribeirão Preto, SP

Muito boa a reportagem de capa desta semana, tratando das drogas e de como se livrar delas. Porém, a reportagem não mencionou o crack naquela tabela de drogas, causas e efeitos, danos e como se livrar delas. O crack, hoje, é a pior das drogas, é a droga das periferias das grandes cidades, barata, fácil de obter e de efeito avassalador. Os vendedores da droga no início concedem crédito aos jovens viciados, que, para pagar suas dívidas, entram para o mundo do crime, praticando assaltos, prostituindo-se e até se tornando mulas para os traficantes.
Marcelo Rocha C. Gilberto
Natal, RN

 

Carta ao leitor

Orgulho-me de ser leitor de VEJA, que nos informa, entre outras notícias de importância, o grau de corrupção no país dos tollos. Parabéns à juíza Ana Carolina Vaz Pacheco de Castro, que julgou improcedente a ação do PT contra a VEJA/Editora Abril. Como VEJA, continuamos esperançosos num Brasil melhor ("VEJA não se omitiu", Carta ao leitor, 23 de maio).
Edivelton Tadeu Mendes
São Paulo, SP

 

Operação Navalha

A reportagem "Quadrilha de autoridades" (23 de maio) mostra o monturo enorme em que está o país oficial. Não há possibilidade de passá-lo a limpo. Os homens limpos pularam fora da política e do estado faz tempo. Generalizou-se a suspeita. Flagra-se a patifaria com a facilidade com que se captura rato na ratoeira. A república brasileira não serve mais ao homem de bem e de vergonha.
José Maria Leal Paes
Belém, PA

Louvável a operação conjunta da Polícia Federal, do Ministério Público Federal e do Judiciário empreendida para desmantelar a quadrilha que fraudava licitações públicas. O problema que se verifica, entretanto, é a condescendência da Polícia e do Judiciário quando o esquema de corrupção tem ramificações no Congresso Nacional. Será que os policiais federais, com a sua eficiência digna dos super-heróis dos quadrinhos, conseguirão um dia transpor a redoma de vidro em volta dos "intocáveis"? Além disso, urge que se dê cabo a essa simbiose perniciosa e promíscua entre o poder público e as empreiteiras.
Glauce Ribeiro

São Luís, MA

Recebi minha VEJA, como toda semana, pela manhã de segunda-feira. Li a matéria sobre a Operação Navalha e, como toda semana, fui tomado pelo sentimento de esperança, ao constatar a prisão de velhos lobistas e agentes do alto escalão do governo metidos em crimes e atos de improbidade. Porém, já de noite, como toda semana, vi nos noticiários que boa parte dos envolvidos já estava solta. Como toda semana, fica em mim a indagação: até quando a população agüentará esse constante sentimento de impunidade e tratamento desigual?
Fernando Martins Zaupa
Promotor de Justiça
Camapuã, MS

A Polícia Federal, cumprindo suas funções a contento, desvendou mais um esquema no submundo de negociatas que assolam o país há muitas décadas. A PF apelidou as investigações de Operação Navalha, codinome que se amolda perfeitamente ao caso na medida em que a putrefação que vigora exige um instrumento cortante apto a extirpar o tumor que contamina o tecido social.
Armando Bergo Neto
São Paulo, SP

É lamentável, para nós, brasileiros, constatar a podridão moral e de valores éticos de muitas autoridades, políticos e governantes do país. Cadeia nelles!
Eduardo Kauffman
Manaus, AM

Não passa semana sem que venha ao conhecimento do público um novo escândalo. Como podemos ter esperança de ao menos diminuir o nível de criminalidade no nosso país se aqueles que deveriam ser os feitores da paz são exatamente os responsáveis pela corrupção?
Roberto João Frizzo
Caxias do Sul, RS

 

Controle das prisões paulistas

No meio da podridão da política brasileira, é gratificante saber que com competência os problemas têm solução. Parabéns ao governador José Serra pelas medidas audaciosas, retomando o controle das prisões paulistas ("Serra contra o crime", 23 de maio). Que esse exemplo se espalhe pelo Brasil, em todas as áreas. Mudar é possível, desde que existam vontade, honestidade e competência.
Carlos Fidalgo Jr.
Needham, Massachusetts, EUA

O que se espera do estado e de seus "gerentes" é que gastem melhor nosso dinheiro e que se utilizem de todas as ferramentas legais e democráticas disponíveis. Serra demonstrou sua grande capacidade gerencial como ministro da Saúde e agora, com pouco mais de 100 dias de governo, mostra bons indicadores na luta contra o crime. Várias pessoas se sentiram agredidas com a foto de Serra empunhando uma arma, mas onde ficou a indignação com os dólares na cueca, as propinas filmadas e os mensalões?
Paulo de Tarso Guimarães
São Paulo, SP

É louvável a decisão de impor aos presos das penitenciárias do estado de São Paulo o regime de tolerância zero. É certo que o estado sofrerá retaliações por parte das "famosas" comissões de direitos humanos. Porém, o que deve ser levado em conta e o que está em jogo são a segurança de cada morador e contribuinte do estado de São Paulo. Decisões como essa do governo estadual deveriam ser seguidas por outros estados da federação – como o nosso vizinho Rio de Janeiro.
Pablo de Azevedo Santos
Estudante, 17 anos
Osasco, SP

 

Bingos

Em tudo o que tenho lido a respeito do assunto, noto que a discussão está focada nos postos de trabalho gerados, nos crimes de lavagem de dinheiro e corrupção e na dificuldade do governo em fiscalizar a atividade. Acho que falta um ponto tão ou mais importante a ser incluído aí: a vontade da população brasileira. Eu não gosto de bingo e não freqüento salas de bingo, mas, se tivesse oportunidade de dar meu voto, seria pela aprovação, pois eu quero decidir se vou ou não a um bingo. Analogamente, não tenho arma em casa, mas votei por tal direito no plebiscito recente. Além disso, se for para proibir toda atividade que tem os problemas atribuídos aos bingos, o governo vai ter de começar a fechar todas as construtoras deste país ("As cartas na mesa", 23 de maio).
José A. Rodrigues

São Paulo, SP

Temos de acabar de vez com essa mentalidade pobre e hipócrita que muitos brasileiros têm. Estamos discutindo a liberação ou não dos bingos, que deixam os pobres mais pobres, quando deveríamos discutir a liberação de cassinos, que deixam os ricos menos ricos, dinheiro esse que vai para as mãos dos pobres, que trabalhariam nos cassinos aos milhares. Vamos pensar grande, gente! Por favor!
Max Cesar Nunes
Garopaba, SC

 

Jay Kopelman

Fiquei emocionada com o depoimento do ex-tenente-coronel dos fuzileiros navais Jay Kopelman (Auto-retrato, 23 de maio), que desafiou até regulamentos de seu trabalho para salvar o cãozinho. Uma atitude digna de aplauso. Se fosse no Brasil o cachorrinho não teria essa sorte, pois aqui, infelizmente, até criança é maltratada. Como eu gostaria que boa parte da população se espelhasse nesse homem. Com certeza o mundo seria diferente.
Vilma Ana Schiavo Sussi
Americana, SP

 

Racismo

Gostaria de manifestar minha solidariedade aos autores do livro Divisões Perigosas: Políticas Raciais no Brasil Contemporâneo, particularmente a Yvonne Maggie, professora da UFRJ, por sua coragem e integridade intelectual. A luta contra o racismo pressupõe a defesa da democracia e a ausência do preconceito e da intolerância ("Intolerância", 23 de maio).
Aldo Rebelo
Deputado federal (PCdoB-SP)
Brasília, DF

 

Lya Luft

Lya Luft foi brilhante em seu texto "A educação possível" (Ponto de vista, 23 de maio). Sua contribuição ultrapassa as fronteiras do idealismo apaixonado, pois revela crua e friamente a situação por que passa o nosso sistema educacional. De fato, nós, educadores, enxergamos a importância dos pais, da sociedade e do governo na formação de um país justo e pensante. Nosso fracasso se vincula ao sentimento de desmotivação profissional e à latente hipocrisia que impera na sociedade e na política nacional. É mister que as autoridades constituídas também se sintam responsáveis pelo lixo de educação que reina neste país, sob pena de assistirmos ao eclodir de uma geração ainda mais alienada e incompetente.
Leonardo Rodrigues
Professor
Anápolis, GO

Chorei ao ler o artigo de Lya Luft. Assim como ela, sou lingüista e professora universitária, identifico-me com a fala e com os sentimentos revelados pela professora e escritora. Todos os dias, questiono-me sobre que sociedade estamos construindo.
Ana Lúcia Machado Maia
Professora universitária
Recife, PE

Enquanto eu aplicava uma prova de história, um aluno se virou para trás e passou a conversar com seu colega. Pedi que virasse para a frente e parasse de conversar. Ele me respondeu (indignado, em tom ríspido): "Nossa! Não se pode nem conversar!". Lembrei-me desse fato quando li o Ponto de vista de Lya Luft. Esse é o fruto da educação "benevolente e frouxa". Os alunos se revoltam com qualquer atitude que lhes tolha a diversão, pois estudar, cara Lya, não se engane, é brincar, e não trabalhar. Eu é que sou um "chato" por não dar aulas lúdicas, como prescrevem nossos grandiosos teóricos da educação. Preciso aprender a plantar bananeira enquanto ensino, para divertir os alunos.
Fábio Borges de Aquino
São Paulo, SP

 

Os calouros de Raul Gil

O conceito de brega é muito subjetivo. Cantor e música bregas são aqueles de que a pessoa não gosta; aqueles que não emocionam quando são ouvidos. O CD em questão inclui músicas de outros artistas, como Nando Reis, Francis Hime e Chico Buarque, Cazuza, Ezequiel Neves e Leoni, Jorge Vercilo etc. Nomes também muito bem-conceituados em nossa MPB, que nem de longe são considerados bregas ("O brega que vende", 23 de maio).
Luiza Nazaré de Araújo
Niterói, RJ

Esse brega tem uma voz maravilhosa, e podem acreditar que milhares de fãs (incluindo a mim e a minha esposa) esperam ansiosos por sua aparição nos sábados e domingos na tela da Band, para deleitar-se com sua privilegiada sonoridade. E preparem-se, porque ali vem mais um calouro: Evelyn Costa, a futura maior cantora do Brasil.
Eleodoro Benjamin Chávez Mendoza
Petrolina, PE

 

High School Musical

"Há uma luz no fim do túnel", alguém já disse. Nem tudo está perdido. É só para enaltecer o valor da reportagem "98 minutos de amor" (23 de maio). Há qualidade, ainda, quando se quer valorizar a família, a relação de amizade, o amor. Vejo isso quando assisto a High School Musical. Sou pai de duas meninas (Isabela, 9 anos, e Sofia, 8). É com prazer e alegria que vemos juntos High School Musical. Taí, autores brasileiros! Sem apelação ou palavrão, sexo ou nudez. Qual é a fórmula do sucesso? Família e amor. É isso, VEJA, parabéns.
Eugênio Sávio
Brasília, DF

 

Mario Testino

Muito boa a entrevista com Mario Testino ("O olho mágico", Amarelas, 23 de maio). Um profissional seguro na dimensão de seu trabalho, com respostas inteligentes e bastante sinceras, focalizando as modelos e celebridades do mundo.
Ivo Feitosa
Porto Velho, RO

 

Alessandra Negrini

Não concordo com o fato de Alessandra Negrini ser um fiasco como protagonista da novela das 20 horas da Rede Globo (Sobe e Desce, 23 de maio). Na minha opinião, ela está atuando muito bem. A novela, sim, é chata demais!
Gabryela Melo de Andrade
Campinas, SP

 

Rita Cadillac

Fiquei horrorizado com as respostas de Rita Cadillac à repórter Heloisa Joly, em que ela declara o desejo de se tornar vereadora do município de Praia Grande ("Não sou a Cicciolina", 23 de maio). Na primeira resposta, a ex-chacrete já mostra que vê a política como um passatempo. Hoje, que não tem nada para fazer, quer ser vereadora. Na segunda resposta, diz que nunca se interessou por nada desse tipo e que não entende nada do que está acontecendo. Coisas como essas podem explicar o escândalo que envolveu o deputado Clodovil. A pessoa nasce para a política, é uma arte, não um passatempo.
Bruno de Araújo Azevedo
Campina Grande, PB

Aqui, onde muitos estão dispostos a dar tudo de si pelo cargo de vereador, a sempre chacrete Rita Cadillac não terá chance nenhuma de se eleger para uma cadeira na nossa Câmara Municipal, se privar os eleitores locais daquilo que tem de mais vistoso na sua biografia. Afinal, onde o pensador padece, o oportunista abunda!
Celso Corrêa de Freitas
Praia Grande, SP

 

VEJA O Melhor do Espírito Santo

Impressionante a qualidade e a sensibilidade com que foi elaborado o especial VEJA O Melhor do Espírito Santo (maio de 2007), uma edição para devorar saboreando, porque o estado do Espírito Santo possui o que há de melhor no turismo. Só falta ser verdadeiramente descoberto, como VEJA acaba de fazer, e muito bem feito, como receita de avó.
Roberley Carlos Polycarpo
Vitória, ES

Nota 1000 para a revista VEJA pela edição sobre o Espírito Santo. Traz um roteiro completo da capital capixaba, restaurantes, bares, baladas, comidas e os lugares mais aconchegantes da ilha. Cumprimento os idealizadores pela reportagem.
Carlos Arthur Schwarz
Vitória, ES

 

 

DOROTHY STANG

Paulo Santos/Reuters
Dorothy Stang em VEJA e a camiseta dos manifestantes: fotomontagem

Na semana passada, cerca de 200 pessoas aguardaram em frente ao Tribunal de Justiça do Estado do Pará o resultado do julgamento que condenou a trinta anos de prisão o fazendeiro Vitalmiro Bastos de Moura. Ele era acusado de ser um dos mandantes do assassinato da freira americana Dorothy Stang. Os ativistas, religiosos e sem-terra que acamparam na praça em frente ao Judiciário paraense estavam uniformizados com camiseta com a foto da religiosa, assassinada em fevereiro de 2005. A maior parte deles usava o vestuário ilustrado com uma montagem de fotografias produzida para a reportagem "A mártir da floresta", publicada por VEJA em sua edição de 23 de fevereiro de 2005. As fotos são de Carlos Silva, da Imapress, e Olaf Grimburg, da Interfoto, ambas de Belém.



O TIME DIMENSION DE HANS DONNER

Ao lerem a reportagem "O ponteiro é o de menos" (25 de abril), que mostrou relógios de pulso que marcam as horas de forma não convencional, alguns leitores se lembraram do Time Dimension (www.timedimension.net), uma criação do designer Hans Donner. "É uma incrível obra de design, marcando a passagem do tempo, como o dia e a noite, em claro e escuro", escreveu a carioca Mariza Cardoso Pereira. Hermes Suzuki, outro leitor do Rio, informou que Hans Donner "teve o estalo da criação do relógio em Paris, durante a gravação de uma vinheta para o Centro Pompidou, em 1986". "Ele tem um design compatível com o dos relógios publicados em VEJA. Rodei alguns lugares no mundo em busca das obras do mago dos logotipos e do design. Na Microsoft, tive a honra de presenciar o momento em que Hans Donner assinava contrato para disponibilizar o Time Dimension ao mundo por meio de um gadget no Windows Vista. Ele deu um salto de felicidade", contou Suzuki.

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