"Gente que engole fumaça,
se entope de drogas, se afoga em álcool. Nunca entendi por que o ser humano
agride o próprio organismo." Patrick
Brandão Cenísio Belo
Horizonte, MG
Vício
Todas as
notícias que trazem novidades a respeito da luta contra a dependência
química devem ser tratadas positivamente. E é assim que encaramos
a reportagem "Para desligar o circuito do vício" (23 de maio), que nos
traz a boa nova da chegada ao mercado da vareniclina, substância que está
ajudando fumantes a deixar de consumir cigarro. Precisamos, no entanto, ficar
atentos aos outros dados apresentados por VEJA. Entre eles, há que destacar
os baixos índices de recuperação de dependentes químicos
com os recursos existentes no mercado, mostrando que a melhor política
nessa área ainda é a prevenção do uso de drogas, sejam
elas quais forem. Melhor que desligar o circuito do vício é evitar
que ele se estabeleça. José
Elias Aiex Neto Médico psiquiatra
Secretário municipal Antidrogas
Foz do Iguaçu, PR
O
vício é um problema que destrói a pessoa, o casamento, a
família. A abordagem do texto foi muito feliz. É preciso compreender
que dependência química é uma doença, e como tal necessita
ser tratada. Já existem, como a reportagem mostrou, remédios que
suprem o desejo de fumar e de beber. A informação alegra quem sofre
desse mal. Maria José Americano São
Paulo, SP
Fui fumante durante
26 anos, dos 13 aos 39, e no ano que vem ocorrerá o empate com o tempo
de abstenção. No início dos anos 80, VEJA publicou matéria
sobre uma reunião em Brasília em que empresários da indústria
do tabaco imploraram ao então presidente Figueiredo que fosse dado um tempo
na escalada de aumento dos preços dos cigarros geradores da maior
arrecadação tributária do país porque os fumantes
estavam, simplesmente, parando de fumar. Em outras palavras, eles estavam tendo
prejuízo. Em seis meses, a marca que eu usava dobrou de preço; foi
aí que "caiu a ficha". O governo conta com os meus pulmões para
incrementar a arrecadação de impostos. Só um idiota, pensei
então, pode achar que se pode tirar prazer de um treco que tem brasa na
ponta. Eu parei de fumar, nem terminei o último maço. Ah, o Figueiredo
virou meu ídolo. Luiz Carlos
da Silva Rio de Janeiro, RJ
Ver
o copo com gelo e uma dose de bebida ilustrar a reportagem sobre vício
entristece a mim, a meus amigos, a Vinicius, a Tom, a Verissimo. Que a imagem
do "cachorro engarrafado" possa ser preservada para o bem da música, da
literatura e das rodas de amigos que degustam com responsabilidade. Beto
Ranieri São Paulo, SP
O
vício é tão pernicioso que engana o viciado sugerindo a todo
instante que ele não é viciado. Jorge
Jossi Wagner Ribeirão Preto,
SP
Muito boa a reportagem de
capa desta semana, tratando das drogas e de como se livrar delas. Porém,
a reportagem não mencionou o crack naquela tabela de drogas, causas e efeitos,
danos e como se livrar delas. O crack, hoje, é a pior das drogas, é
a droga das periferias das grandes cidades, barata, fácil de obter e de
efeito avassalador. Os vendedores da droga no início concedem crédito
aos jovens viciados, que, para pagar suas dívidas, entram para o mundo
do crime, praticando assaltos, prostituindo-se e até se tornando mulas
para os traficantes. Marcelo Rocha C.
Gilberto Natal, RN
Carta ao leitor
Orgulho-me de ser leitor de VEJA, que nos informa, entre outras notícias
de importância, o grau de corrupção no país dos tollos.
Parabéns à juíza Ana Carolina Vaz Pacheco de Castro, que
julgou improcedente a ação do PT contra a VEJA/Editora Abril. Como
VEJA, continuamos esperançosos num Brasil melhor ("VEJA não se omitiu",
Carta ao leitor, 23 de maio). Edivelton
Tadeu Mendes São Paulo, SP
Operação
Navalha
A reportagem "Quadrilha
de autoridades" (23 de maio) mostra o monturo enorme em que está o país
oficial. Não há possibilidade de passá-lo a limpo. Os homens
limpos pularam fora da política e do estado faz tempo. Generalizou-se a
suspeita. Flagra-se a patifaria com a facilidade com que se captura rato na ratoeira.
A república brasileira não serve mais ao homem de bem e de vergonha.
José Maria Leal Paes
Belém, PA
Louvável
a operação conjunta da Polícia Federal, do Ministério
Público Federal e do Judiciário empreendida para desmantelar a quadrilha
que fraudava licitações públicas. O problema que se verifica,
entretanto, é a condescendência da Polícia e do Judiciário
quando o esquema de corrupção tem ramificações no
Congresso Nacional. Será que os policiais federais, com a sua eficiência
digna dos super-heróis dos quadrinhos, conseguirão um dia transpor
a redoma de vidro em volta dos "intocáveis"? Além disso, urge que
se dê cabo a essa simbiose perniciosa e promíscua entre o poder público
e as empreiteiras. Glauce Ribeiro São
Luís, MA
Recebi minha
VEJA, como toda semana, pela manhã de segunda-feira. Li a matéria
sobre a Operação Navalha e, como toda semana, fui tomado pelo sentimento
de esperança, ao constatar a prisão de velhos lobistas e agentes
do alto escalão do governo metidos em crimes e atos de improbidade. Porém,
já de noite, como toda semana, vi nos noticiários que boa parte
dos envolvidos já estava solta. Como toda semana, fica em mim a indagação:
até quando a população agüentará esse constante
sentimento de impunidade e tratamento desigual? Fernando
Martins Zaupa Promotor de Justiça
Camapuã, MS
A Polícia Federal, cumprindo suas funções a contento, desvendou
mais um esquema no submundo de negociatas que assolam o país há
muitas décadas. A PF apelidou as investigações de Operação
Navalha, codinome que se amolda perfeitamente ao caso na medida em que a putrefação
que vigora exige um instrumento cortante apto a extirpar o tumor que contamina
o tecido social. Armando Bergo Neto São Paulo, SP
É
lamentável, para nós, brasileiros, constatar a podridão moral
e de valores éticos de muitas autoridades, políticos e governantes
do país. Cadeia nelles! Eduardo
Kauffman Manaus, AM
Não
passa semana sem que venha ao conhecimento do público um novo escândalo.
Como podemos ter esperança de ao menos diminuir o nível de criminalidade
no nosso país se aqueles que deveriam ser os feitores da paz são
exatamente os responsáveis pela corrupção? Roberto
João Frizzo Caxias do Sul,
RS
Controle das
prisões paulistas
No meio da podridão da política brasileira, é gratificante
saber que com competência os problemas têm solução.
Parabéns ao governador José Serra pelas medidas audaciosas, retomando
o controle das prisões paulistas ("Serra contra o crime", 23 de maio).
Que esse exemplo se espalhe pelo Brasil, em todas as áreas. Mudar é
possível, desde que existam vontade, honestidade e competência. Carlos
Fidalgo Jr. Needham, Massachusetts,
EUA
O que se espera do estado
e de seus "gerentes" é que gastem melhor nosso dinheiro e que se utilizem
de todas as ferramentas legais e democráticas disponíveis. Serra
demonstrou sua grande capacidade gerencial como ministro da Saúde e agora,
com pouco mais de 100 dias de governo, mostra bons indicadores na luta contra
o crime. Várias pessoas se sentiram agredidas com a foto de Serra empunhando
uma arma, mas onde ficou a indignação com os dólares na cueca,
as propinas filmadas e os mensalões? Paulo
de Tarso Guimarães São
Paulo, SP
É louvável a decisão
de impor aos presos das penitenciárias do estado de
São Paulo o regime de tolerância zero. É
certo que o estado sofrerá retaliações
por parte das "famosas" comissões de direitos humanos.
Porém, o que deve ser levado em conta e o que está
em jogo são a segurança de cada morador e contribuinte
do estado de São Paulo. Decisões como essa do
governo estadual deveriam ser seguidas por outros estados
da federação – como o nosso vizinho Rio de Janeiro. Pablo de Azevedo Santos
Estudante, 17 anos
Osasco, SP
Bingos
Em tudo o que tenho
lido a respeito do assunto, noto que a discussão está
focada nos postos de trabalho gerados, nos crimes de lavagem
de dinheiro e corrupção e na dificuldade do
governo em fiscalizar a atividade. Acho que falta um ponto
tão ou mais importante a ser incluído aí:
a vontade da população brasileira. Eu não
gosto de bingo e não freqüento salas de bingo,
mas, se tivesse oportunidade de dar meu voto, seria pela aprovação,
pois eu quero decidir se vou ou não a um bingo. Analogamente,
não tenho arma em casa, mas votei por tal direito no
plebiscito recente. Além disso, se for para proibir
toda atividade que tem os problemas atribuídos aos
bingos, o governo vai ter de começar a fechar todas
as construtoras deste país ("As cartas na mesa", 23
de maio).
José A. Rodrigues São Paulo, SP
Temos de acabar de vez com essa mentalidade
pobre e hipócrita que muitos brasileiros têm.
Estamos discutindo a liberação ou não
dos bingos, que deixam os pobres mais pobres, quando deveríamos
discutir a liberação de cassinos, que deixam
os ricos menos ricos, dinheiro esse que vai para as mãos
dos pobres, que trabalhariam nos cassinos aos milhares. Vamos
pensar grande, gente! Por favor! Max Cesar Nunes Garopaba, SC
Jay Kopelman
Fiquei emocionada
com o depoimento do ex-tenente-coronel dos fuzileiros navais
Jay Kopelman (Auto-retrato, 23 de maio), que desafiou até
regulamentos de seu trabalho para salvar o cãozinho.
Uma atitude digna de aplauso. Se fosse no Brasil o cachorrinho
não teria essa sorte, pois aqui, infelizmente, até
criança é maltratada. Como eu gostaria que boa
parte da população se espelhasse nesse homem.
Com certeza o mundo seria diferente. Vilma Ana Schiavo Sussi Americana, SP
Racismo
Gostaria de manifestar
minha solidariedade aos autores do livro Divisões
Perigosas: Políticas Raciais no Brasil Contemporâneo,
particularmente a Yvonne Maggie, professora da UFRJ, por sua
coragem e integridade intelectual. A luta contra o racismo
pressupõe a defesa da democracia e a ausência
do preconceito e da intolerância ("Intolerância",
23 de maio). Aldo Rebelo Deputado federal (PCdoB-SP) Brasília, DF
Lya Luft
Lya Luft foi brilhante
em seu texto "A educação possível" (Ponto
de vista, 23 de maio). Sua contribuição ultrapassa
as fronteiras do idealismo apaixonado, pois revela crua e
friamente a situação por que passa o nosso sistema
educacional. De fato, nós, educadores, enxergamos a
importância dos pais, da sociedade e do governo na formação
de um país justo e pensante. Nosso fracasso se vincula
ao sentimento de desmotivação profissional e
à latente hipocrisia que impera na sociedade e na política
nacional. É mister que as autoridades constituídas
também se sintam responsáveis pelo lixo de educação
que reina neste país, sob pena de assistirmos ao eclodir
de uma geração ainda mais alienada e incompetente.
Leonardo Rodrigues Professor Anápolis, GO
Chorei ao ler o artigo de Lya Luft.
Assim como ela, sou lingüista e professora universitária,
identifico-me com a fala e com os sentimentos revelados pela
professora e escritora. Todos os dias, questiono-me sobre
que sociedade estamos construindo. Ana Lúcia Machado
Maia Professora universitária
Recife, PE
Enquanto eu aplicava
uma prova de história, um aluno se virou para trás
e passou a conversar com seu colega. Pedi que virasse para
a frente e parasse de conversar. Ele me respondeu (indignado,
em tom ríspido): "Nossa! Não se pode nem conversar!".
Lembrei-me desse fato quando li o Ponto de vista de Lya Luft.
Esse é o fruto da educação "benevolente
e frouxa". Os alunos se revoltam com qualquer atitude que
lhes tolha a diversão, pois estudar, cara Lya, não
se engane, é brincar, e não trabalhar. Eu é
que sou um "chato" por não dar aulas lúdicas,
como prescrevem nossos grandiosos teóricos da educação.
Preciso aprender a plantar bananeira enquanto ensino, para
divertir os alunos. Fábio Borges
de Aquino São Paulo, SP
Os calouros
de Raul Gil
O conceito de brega
é muito subjetivo. Cantor e música bregas são
aqueles de que a pessoa não gosta; aqueles que não
emocionam quando são ouvidos. O CD em questão
inclui músicas de outros artistas, como Nando Reis,
Francis Hime e Chico Buarque, Cazuza, Ezequiel Neves e Leoni,
Jorge Vercilo etc. Nomes também muito bem-conceituados
em nossa MPB, que nem de longe são considerados bregas
("O brega que vende", 23 de maio). Luiza Nazaré
de Araújo Niterói, RJ
Esse brega tem
uma voz maravilhosa, e podem acreditar que milhares de fãs
(incluindo a mim e a minha esposa) esperam ansiosos por sua
aparição nos sábados e domingos na tela
da Band, para deleitar-se com sua privilegiada sonoridade.
E preparem-se, porque ali vem mais um calouro: Evelyn Costa,
a futura maior cantora do Brasil. Eleodoro Benjamin Chávez
Mendoza Petrolina, PE
High
School Musical
"Há uma
luz no fim do túnel", alguém já disse.
Nem tudo está perdido. É só para enaltecer
o valor da reportagem "98 minutos de amor" (23 de maio). Há
qualidade, ainda, quando se quer valorizar a família,
a relação de amizade, o amor. Vejo isso quando
assisto a High School Musical. Sou pai de duas meninas
(Isabela, 9 anos, e Sofia, 8). É com prazer e alegria
que vemos juntos High School Musical. Taí, autores
brasileiros! Sem apelação ou palavrão,
sexo ou nudez. Qual é a fórmula do sucesso?
Família e amor. É isso, VEJA, parabéns.
Eugênio Sávio Brasília, DF
Mario Testino
Muito boa a entrevista
com Mario Testino ("O olho mágico", Amarelas, 23 de
maio). Um profissional seguro na dimensão de seu trabalho,
com respostas inteligentes e bastante sinceras, focalizando
as modelos e celebridades do mundo. Ivo Feitosa Porto Velho, RO
Alessandra
Negrini
Não concordo
com o fato de Alessandra Negrini ser um fiasco como protagonista
da novela das 20 horas da Rede Globo (Sobe e Desce, 23 de
maio). Na minha opinião, ela está atuando muito
bem. A novela, sim, é chata demais! Gabryela Melo de Andrade
Campinas, SP
Rita Cadillac
Fiquei horrorizado
com as respostas de Rita Cadillac à repórter
Heloisa Joly, em que ela declara o desejo de se tornar vereadora
do município de Praia Grande ("Não sou a Cicciolina",
23 de maio). Na primeira resposta, a ex-chacrete já
mostra que vê a política como um passatempo.
Hoje, que não tem nada para fazer, quer ser vereadora.
Na segunda resposta, diz que nunca se interessou por nada
desse tipo e que não entende nada do que está
acontecendo. Coisas como essas podem explicar o escândalo
que envolveu o deputado Clodovil. A pessoa nasce para a política,
é uma arte, não um passatempo. Bruno de Araújo
Azevedo Campina Grande, PB
Aqui, onde muitos
estão dispostos a dar tudo de si pelo cargo de vereador,
a sempre chacrete Rita Cadillac não terá chance
nenhuma de se eleger para uma cadeira na nossa Câmara
Municipal, se privar os eleitores locais daquilo que tem de
mais vistoso na sua biografia. Afinal, onde o pensador padece,
o oportunista abunda! Celso Corrêa
de Freitas Praia Grande, SP
VEJAO Melhor do Espírito Santo
Impressionante
a qualidade e a sensibilidade com que foi elaborado o especial
VEJA O Melhor do Espírito Santo (maio de 2007),
uma edição para devorar saboreando, porque o
estado do Espírito Santo possui o que há de
melhor no turismo. Só falta ser verdadeiramente descoberto,
como VEJA acaba de fazer, e muito bem feito, como receita
de avó. Roberley Carlos Polycarpo
Vitória, ES
Nota 1000 para
a revista VEJA pela edição sobre o Espírito
Santo. Traz um roteiro completo da capital capixaba, restaurantes,
bares, baladas, comidas e os lugares mais aconchegantes da
ilha. Cumprimento os idealizadores pela reportagem. Carlos Arthur Schwarz Vitória, ES
DOROTHY STANG
Paulo
Santos/Reuters
Dorothy
Stang em VEJA e a camiseta dos manifestantes: fotomontagem
Na
semana passada, cerca de 200 pessoas aguardaram em frente ao Tribunal de Justiça
do Estado do Pará o resultado do julgamento que condenou a trinta anos
de prisão o fazendeiro Vitalmiro Bastos de Moura. Ele era acusado de ser
um dos mandantes do assassinato da freira americana Dorothy Stang. Os ativistas,
religiosos e sem-terra que acamparam na praça em frente ao Judiciário
paraense estavam uniformizados com camiseta com a foto da religiosa, assassinada
em fevereiro de 2005. A maior parte deles usava o vestuário ilustrado com
uma montagem de fotografias produzida para a reportagem "A mártir da floresta",
publicada por VEJA em sua edição de 23 de fevereiro de 2005. As
fotos são de Carlos Silva, da Imapress, e Olaf Grimburg, da Interfoto,
ambas de Belém.
O TIME DIMENSION
DE HANS DONNER
Ao
lerem a reportagem "O ponteiro é o de menos"
(25 de abril), que mostrou relógios de pulso
que marcam as horas de forma não convencional,
alguns leitores se lembraram do Time Dimension (www.timedimension.net),
uma criação do designer Hans Donner. "É
uma incrível obra de design, marcando a passagem
do tempo, como o dia e a noite, em claro e escuro",
escreveu a carioca Mariza Cardoso Pereira. Hermes Suzuki,
outro leitor do Rio, informou que Hans Donner "teve
o estalo da criação do relógio
em Paris, durante a gravação de uma vinheta
para o Centro Pompidou, em 1986". "Ele tem um design
compatível com o dos relógios publicados
em VEJA. Rodei alguns lugares no mundo em busca das
obras do mago dos logotipos e do design. Na Microsoft,
tive a honra de presenciar o momento em que Hans Donner
assinava contrato para disponibilizar o Time Dimension
ao mundo por meio de um gadget no Windows Vista. Ele
deu um salto de felicidade", contou Suzuki.