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Edição 2010

30 de maio de 2007
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Carta ao leitor
A hora é agora

Evaristo Sá/AFP
Lula: com a faca e o queijo na mão para fazer as reformas

Com o sol brilhando no céu da economia chegou o momento certo de consertar o telhado, acelerando o passo das reformas. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem popularidade, força moral e política para fazer as mudanças de que o Brasil ainda precisa e sem as quais vai encalhar quando a maré da prosperidade mundial baixar. Uma reportagem da presente edição de VEJA mostra que muitos países emergentes estão aproveitando a prosperidade global para fazer os acertos em suas economias. A China está usando seus superávits para amenizar os efeitos amargos na sociedade da liberalização econômica em marcha batida. O México zerou o déficit público, o que está puxando os juros para baixo. O Chile engorda cada vez mais seu "fundo de estabilização" e, com isso, arrefece os trancos de flutuação na cotação das exportações.

E o Brasil? No campo da política monetária o governo brasileiro está fazendo tudo dentro do melhor figurino. Aproveitou a entrada de dólares para elevar as reservas internacionais e quitar parte significativa da dívida externa. É certo mas é pouco.

Pelo que disse nos últimos dias, o presidente tem consciência disso. Lula falou na urgência de flexibilizar as leis trabalhistas de modo que mais empregos possam ser gerados com menor custo e em menor prazo. É um enorme avanço no pensamento do presidente sobre essa questão. Outras aguardam um providencial empurrão presidencial.

• Os brasileiros precisam ser aliviados da extenuante carga de impostos que obriga cidadãos e empresas a trabalhar quase cinco meses por ano para financiar o governo e, só então, começar a produzir para tocar o presente e garantir o futuro.

• Estradas, aeroportos e portos precisam ser ampliados e reformados urgentemente sem desperdício nem corrupção, para diminuir as perdas e os custos da infra-estrutura precária que oneram a produção e o transporte. Quase 10% da safra nacional de grãos é perdida todos os anos por falta de escoamento.

• Finalmente, mas não menos importante, precisa ser desbastada a selva de leis, decretos, portarias e disposições que desencoraja os empreendedores.

A recompensa virá para todos os brasileiros na forma de controle sobre seu próprio destino e na garantia de um ambiente de negócios animador seja qual for o humor da economia mundial.

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