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LIVROS
O
Mesmo Mar, de Amós Oz (tradução de Milton
Lando; Companhia das Letras; 325 páginas; 28 reais) Esse
é um sério candidato a melhor livro de Oz, principal escritor
israelense e um dos mais celebrados autores da atualidade. A história
é narrada por vários personagens, todos em busca de alento
para uma existência que perdeu sentido: um contador viúvo
que se apaixona pela namorada do filho; o rapaz que vive às voltas
com a sombra da mãe morta; a jovem que perde tudo num projeto fracassado.
Os monólogos de cada um, por vezes dispostos em versos, se sucedem
entremeados pela voz do próprio Oz, que se põe como personagem
e reflete sobre sua motivação para contar a história.
Uma pungente investigação sobre a solidão, que impressiona
ainda pela arquitetura complexa e pelo lirismo.
Mario
Reis O Fino do Samba, de Luís Antônio Giron
(editora 34; 315 páginas; 29 reais) Jornalista e crítico
musical, Giron compõe neste livro um excelente retrato do sambista
carioca Mario Reis (1907-1981). De família rica, Reis foi o primeiro
a tirar o estigma de "folclórico" do samba do morro, fazendo com
que fosse aceito nos salões da alta-roda. Admirado por Noel Rosa
e descobridor de compositores como Ary Barroso, ele também é
considerado um precursor da bossa nova Reis deixou de lado a influência
do canto lírico, regra na época, e inaugurou um jeito de
cantar mais sincopado e próximo da fala cotidiana. Acompanhada
de boa pesquisa iconográfica, a biografia traz diversas curiosidades
sobre a vida pessoal do músico, cujos mistérios lhe renderam
o apelido de "Greta Garbo da MPB".
CINEMA
Divulgação
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| Os
Xeretas: aventura divertida |
Os Xeretas (Brasil, 2001. A partir de sexta-feira no país)
O paulista Michael Ruman, montador de O Castelo Rá-Tim-Bum,
estréia na direção com essa aventura infanto-juvenil
ao estilo de Os Goonies. Os heróis são três
garotos que descobrem uma menina vagando pela cidadezinha de Castro, no
Paraná, onde moram. Trata-se de uma viajante do tempo, que precisa
de ajuda para encontrar o medalhão que lhe permitirá atravessar
um portal misterioso. Problema: o valentão do colégio, Erasmo,
não dá paz aos amigos isso para não falar
nos ladrões de tesouros (Francisco Cuoco e Roberto Arduin, o "tio
Sukita") que estão loucos para pôr as mãos no medalhão.
Com seu ritmo acelerado e seu elenco juvenil carismático (Fábio
Henrique, o rebelde Erasmo, é de fazer as mocinhas suspirarem),
Os Xeretas é um exemplar divertido e bem-feito de um gênero
em que o cinema nacional raramente se arrisca.
DISCOS
Trouble
in Shangri-La, Stevie Nicks (WEA) Dona de uma voz anasalada
e sensual, a cantora americana Stevie Nicks ganhou fama à frente
do Fleetwood Mac. Ela compôs Dreams e Sara, dois dos
principais sucessos do grupo inglês, que até hoje marcam
presença nas rádios especializadas em flashback. Em carreira-solo
desde 1981, a cantora alterna momentos bisonhos e gemas pop. Trouble
in Shangri-La, seu primeiro CD em sete anos, pertence ao segundo grupo.
Stevie brilha em baladas agridoces como It's Only Love. O disco
traz convidados de peso: a talentosa Sheryl Crow produz cinco canções
e a cantora soul Macy Gray canta em Bombay Sapphires.
Who
Is Jill Scott?, Jill Scott (Sony Music) Jill Scott é
a melhor prova de que a música negra americana ainda sabe ir além
dos raps insolentes. Ela, que já produziu sucessos arrasadores
nos Estados Unidos para o ator e cantor Will Smith, retorna em seu CD
de estréia às melodias manhosas dos anos 70, acrescentando-lhes
um temperinho eletrônico. O resultado tem agradado aos fãs
mais xiitas de Marvin Gaye, o papa da soul music romântica, e também
à rapaziada que hoje curte hip hop. Jill Scott não apenas
canta bem, como cria letras repletas de bom humor. É o caso de
I Think It's Better, em que ela despacha o namorado dizendo-lhe
que arrumou companhia melhor. Ou ainda de Gettin' in the Way, um
recado deliciosamente malcriado para a ex de sua paixão atual.
Scott celebra o prazer de namorar nas deliciosas Exclusively e
A Long Walk. Um disco para ouvir em boa companhia.
Divulgação
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| A
cantora Jill Scott: além do rap |
TELEVISÃO
Divulgação
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| Múmia
peruana: para quem gosta... |
Múmias: Os Segredos de Nossos Ancestrais (de domingo a
sexta-feira, às 21h, no Discovery Channel) O egiptólogo
americano Bob Brier ficou famoso nos anos 90 ao conseguir conservar um
cadáver usando os métodos dos antigos egípcios. Ninguém
melhor do que ele para ancorar essa série de programas sobre múmias
de diversas épocas e civilizações do faraó
Tutankamon à argentina Evita Perón, embalsamada já
no século XX. Um dos episódios merece atenção
especial. A Múmia Perdida de Imhotep conta a história
do famoso sacerdote egípcio, transformado em supervilão
em dois filmes de uma recente série cinematográfica. Outro
programa imperdível é As Múmias do Deserto Peruano,
que será exibido na quarta-feira. Fala dos costumes dos Chiribaya,
povo que habitou o Peru um pouco antes do surgimento dos incas.
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OS
MAIS VENDIDOS - CRÍTICA
Pegue
a história de uma família ao longo de pelo menos três
gerações. Acrescente algumas mulheres de personalidade
forte, com idéias "à frente de seu tempo". Para dar
liga, adicione um pano de fundo político a oposição
entre personagens liberais e conservadores é o mais apropriado.
Depois, não esqueça de pontuar o enredo com eventos
históricos identificáveis, de preferência uma
revolução ou guerra civil. Misture tudo, tempere com
sensualidade e toques "fantásticos" e sirva acompanhado de
muita verborragia. Está pronto. Retrato em Sépia
(tradução de Mario Pontes; Bertrand Brasil; 420 páginas;
44 reais), livro mais recente da escritora chilena Isabel Allende,
segue à risca essa receita de sucesso que ela mesma ajudou
a consolidar. Os ingredientes são praticamente os mesmos
de A Casa dos Espíritos, livro de 1982 que lhe deu
fama mundial.
A narradora dessa vez é Aurora del Valle, jovem fotógrafa
que investiga o passado de sua família depois de romper uma
relação amorosa. Contada em retrospecto, a história
é ambientada na Califórnia e no Chile na virada do
século XIX para o XX. A verdadeira protagonista, no entanto,
é Paulina del Valle, avó de Aurora que emigrou para
os Estados Unidos, fez fortuna com importação de frutas
e voltou ao Chile para reencontrar a família. A Casa dos
Espíritos abordava a história chilena recente
(mais precisamente, o golpe militar de 1973) com muita oportunidade
e alguma originalidade. Retrato em Sépia, que inexplicavelmente
ocupa a oitava posição entre os mais vendidos de VEJA
na categoria ficção, está longe de exibir tais
qualidades. Está na hora de Isabel usar outro livrinho de
receitas.
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Veja também |
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